Música perde Lou Reed, uma de suas figuras mais polêmicas e influentes

O cantor, compositor e guitarrista que fundou o The Velvet Underground marcou gerações

por Estado de Minas 28/10/2013 10:14

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GREG WOOD/AFP 28/5/10
(foto: GREG WOOD/AFP 28/5/10)
Mesmo quem não é fã de Lou Reed conhece 'Walk on the wild side' ('Passeio pelo lado selvagem', em tradução literal), música de 1972 que se tornou espécie hino de todos aqueles que preferem caminhar, como ele próprio, pelo lado alternativo. Curiosamente, a letra divertida que conta casos sobre prostitutas, michês e travestis foi a única que Reed conseguiu emplacar nas rádios dos EUA. Mas grande parte de seus discos é até hoje cultuada e ele se tornou figura lendária da história do rock. Ontem, o anúncio da morte do guitarrista, cantor e compositor, aos 71 anos, deixou de luto todos que acompanharam sua trajetória, desde a criação do The Velvet Underground, nos anos 1960, à carreira solo, a partir da década seguinte. Até o fechamento desta edição a causa da morte do artista ainda não foi revelada.

Lou Reed estava otimista e tinha muitos planos. Chegou a postar, em junho, no seu site oficial (www.loureed.com), animado com o resultado de uma cirurgia de transplante de fígado à qual foi submetido em maio, em Cleveland, Ohio (EUA), que se sentia "uma vitória da medicina, da física e da química modernas. Estou maior e mais forte do que nunca". Disse também que esperava voltar em breve a escrever canções que toquem "o espírito e os corações" dos fãs. O músico já havia cancelado uma série de shows em abril; tocaria, por exemplo, no festival Coachella (EUA) e faria apresentações na Califórnia. Recentemente, Lou Reed tinha ajudado a promover um livro de fotos de Mick Rock, fotógrafo inglês conhecido por ter clicado o próprio músico e outras lendas do meio.

Os posts mais recentes no site de Lou Reed declaravam sua "paixão" e "dedicação" ao tratamento oriental tai chi, que, durante os últimos 30 anos, haviam permitido sua recuperação. O músico sofria de uma deficiência hepática cada vez mais agressiva, que o levou a recorrer à delicada cirurgia. A notícia da morte, divulgada primeiro no site da revista norte-americana Rolling Stone e mais tarde pelo jornal inglês 'The Guardian', foi confirmada pelo agente do cantor.

Turma da pesada  Lou Reed nasceu em 2 de março de 1942, no Brooklyn, e foi criado em Long Island. Fundou em 1964, com John Cale, o 'The Velvet Underground', uma das bandas mais influentes da história do rock. O disco mais conhecido do grupo alternativo é The Velvet Underground and Nico, de 1967. A capa do CD foi desenhada por ninguém menos que o artista plástico Andy Warhol, que adotou a banda e ajudou a divulgá-la.

Nos anos 1970, Reed deixou o Velvet e se lançou em carreira solo. Entre os destaques, os cultuados 'Transformer', de 1972, produzido por David Bowie, e 'Berlim', de 1973.

O músico estava casado desde 2008 com a artista plástica Laurie Anderson, que desde os anos 1970 faz performances multimídias em Nova York, no badalado espaço The Kitchen. Também cantora, tem inúmeros álbuns gravados. O álbum mais recente de Lou Reed, 'Lulu' (2011), foi lançado em parceria com o Metallica.

No Brasil Em 2010, o cantor e compositor esteve no Brasil para apresentar shows com o Metal Machine Trio e para sessão de autógrafos de seu livro 'Atravessar o fogo – 310 letras de Lou Reed' (Companhia das Letras), publicação que é também retrato da obra de uma das figuras mais polêmicas e influentes da música contemporânea. Sobre Reed, o lendário crítico musical americano Lester Bangs, com quem mantinha relação de amor e ódio, escreveu: “À frente do The Velvet Underground, ele trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio".

Criação transgressora


Fãs da nova geração fizeram questão de mostrar o quanto foram influenciados por Lou Reed, publicando vídeos de suas músicas prediletas nos perfis pessoais. Guitarrista da banda mineira Dead Lover’s Twisted Heart, Guto Borges homenageou o músico com o vídeo de 'Venus in furs', composição de Reed lançada no álbum 'The Velvet Underground & Nico', o primeiro da banda. O álbum produzido por Andy Warhol, em princípio, não teve repercussão comercial, mas hoje é comparado a discos antológicos como 'Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band', dos Beatles, ou 'Blonde On Blonde', do Bob Dylan. “Acho que é uma grande perda. Foi um cara importante de vanguarda. Fiquei triste porque acompanhava a carreira dele desde a época do The Velvet Underground”, lamentou Lô Borges.

“O Dead Lover’s é um grupo que surgiu extremamente influenciado pelo The Velvet Underground. Um tanto pelo gesto marcante, que está junto das artes plásticas. Lou Reed tem uma poética e é uma persona artística extremamente influente”, comentou Guto, do Dead Lover’s. Para ele, o guitarrista teve a habilidade de unir universos distintos e apontar um novo caminho para a música. “É uma criação intuitiva, ousada, transgressora. É um alimento fundamental a partir dos anos 1960 e 1970 para qualquer um que está pretendendo fazer essa distorção.”

Luiz Gabriel Lopes, guitarrista do Graveola e o Lixo Polifônico e outras bandas, disse que passou a acompanhar a carreira de Lou influenciado pelo pai. “Curto muito algumas fases dele. 'Walk on the wild side' é um clássico eterno da músic a pop mundial. Não conheço o trabalho inteiro. 'Transformer' e 'Berlim', são discos muito legais e que eu ouvi bastante. Lou Reed é um cara que de certa forma encarnou o espírito beatnick na música. Estava conectado na atmosfera da contracultura e mesmo assim se tornou um astro nos Estados Unidos”, destacou. Para Luiz Gabriel Lopes, além das qualidades artísticas, Lou Reed também deixa seu estilo pessoal marcado. “Sempre gostei daquele estilo meio resmungão”. (Carolina Braga)


Repercussão nas redes


O anúncio da morte do cantor, guitarrista e compositor Lou Reed provocou uma comoção nas redes sociais mundo afora. Fãs famosos de várias gerações e tendências demonstraram a admiração pelo ídolo em suas páginas oficiais no Twitter e no Facebook. A banda americana Weezer postou que o The Velvet Underground foi sua grande influência, quando da formação do grupo. Já os britânicos do The Who deixaram registrada a mensagem: “Descanse em paz, Lou Reed. Walk on the peaceful side (Ande pelo lado da paz, referência à música 'Walk on the wild side').”

A jovem cantora, atriz e compositora americana Miley Cyrus foi mais intensa em sua página. “Nãããããããããão, nããããão Lou Reed”. A também cantora americana Amanda Palmer declarou: “Eu vi isso no telefone em um táxi e só queria que fosse mentira. Lou Reed não pode morrer”. Outro jovem cantor americano que se entristeceu com a notícia foi Josh Groban. Para ele, hoje é um dia triste para a música. “Descanse em paz, Lou.” O músico britânico Billy Idol postou no Twitter a mensagem. “R.I.P. Lou Reed e obrigado pelo The Velvet. Você foi minha inspiração na década de 1970, sem você lá não haveria o punk rock”, escreveu o cantor de Dancing with myself.

O ator e roteirista americano John Cusack, deixou sua mensagem. “Lou Reed, descanse em paz – sempre me inspirei nele – péssima notícia – só o conhecia por meio de sua arte – era um poeta único.” Outro ator que sentiu a morte do guitarrista foi Elijah Wood, em sua página no Twitter. “Que você caminhe sempre pelo lado selvagem, Lou Reed. Terrivelmente triste de ouvir que você se foi”, escreveu.


 

Discografia

Com o The Velvet Underground

The velvet underground and Nico (1967)
White light/White heat (1968)
The velvet underground (1969)
Loaded (1970)
Live at Max's Kansas city (1972, gravado em 1970)
1969: The velvet underground live (1974, gravado em 1969)
VU (1985, gravado entre 1968-1969)
Another view (1986, gravado entre 1967-1969)
Live MCMXCIII (1993)
Peel slowly and see (boxset de 1995, gravado entre 1965-1970)
Bootleg Series volume 1: The Quine Tapes (2001, gravado ao vivo em 1969)
The very best of the velvet underground (2003, gravado entre 1966-1970)

Carreira Solo

Álbuns de estúdio

Lou Reed (1972)
Transformer (1972)
Berlin (1973)
Sally can't dance (1974)
Metal machine music (1975)
Coney island baby (1976)
Rock 'n' roll heart (1976)
Street hassle (1978)
The bells (1979)
Growing up in public (1980)
The blue mask (1982)
Legendary hearts (1983)
New sensations (1984)
Mistrial (1986)
New York (1989)
Magic and loss (1992)
Set the twilight reeling (1996)
Ecstacy (2000)
The raven (2003)


Álbuns ao vivo

Rock 'n' roll animal (1974)
Lou Reed live (1975)
Live: Take no prisoners (1978)
Live in Italy (1984)
Live in concert (1997)
Perfect night: Live in London (1998)
American poet (2001)
Animal serenade (2004)

Colaborações

Songs for Drella, com John Cale (1990)
Le Bataclan '72, com John Cale e Nico (2004)
Tranquilize, com The Killers (2007)
Some kind of nature, com Gorillaz (2010)
Lulu, com Metallica (2011)
The wanderlust, com Metric (2012)

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