Disco de pianista paulistano une temas do Brasil e do Marrocos

por Eduardo Tristão Girão 19/10/2013 06:00

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Lula Alencar/Divulgação
Encontro musical: Benjamin Taubkin entre músicos brasileiros e marroquinos na cidade de Taroudant (foto: Lula Alencar/Divulgação )

Al qantara
- Caminhos de ida e volta (Nucleo Contemporâneo), novo disco do pianista paulistano Benjamim Taubkin, une instrumentistas brasileiros e marroquinos em torno de temas escritos nos dois países. Encontro feito com talento e sensibilidade, foi realizado sem muitos ensaios ou premeditação, a exemplo de projetos semelhantes dos quais ele costuma participar em suas frequentes viagens musicais pelo exterior. Composições que fundem as duas tradições são os pontos altos do trabalho.

“As composições já existiam. As nossa e as deles. Os arranjos nasceram organicamente nos ensaios. É sempre assim, há uma escuta, uma busca por compreensão, por sentir a música do outro e, daí, propor climas, frases. A maior parte das músicas veio do Marrocos. Então, eles já tocavam dessa maneira e fomos acrescentando ritmos, acordes. Além disso, sempre há a busca por uma situação de alegria, de contentamento com o que estamos criando. A ideia é todos se sentirem bem. Isso é fundamental em um projeto dessa natureza”, conta Taubkin.

Os músicos se conheceram em 2009, quando o pianista foi convidado para tocar num festival em Agadir, no Marrocos. Taubkin já conhecia e apreciava a música do país e sugeriu que sua apresentação reunisse músicos locais num concerto em conjunto. Ensaiaram uma semana, tempo suficiente para que ficasse o desejo de registrar o encontro num disco. Assim foi feito: no ano seguinte, os marroquinos viajaram até São Paulo, onde registraram com o anfitrião as sete faixas que compõem o repertório Al qantara (a ponte, em árabe).

Além do pianista, participaram da gravação Ari Colares (percussão), João Taubkin (baixo; ele é filho de Benjamim), Lulinha Alencar (acordeom) e os marroquinos Mehdi Nassouli (gimbri, instrumento de cordas graves, com tampo de pele), Farid Foulahi (alaúde) e Lahoucini Bagir (percussão), que representam as etnias gnawa, árabe e berber, respectivamente. O disco é aberto com O deserto é aqui, peça do pianista, marcadamente ocidental, ainda que temperada aqui e ali com solos e percussão marroquinos.

Já Hamdouchia, tema tradicional do país africano adaptado por Nassouli, é notadamente marroquino, mas esconde o interessante trabalho de acompanhamento feito pelo percussionista brasileiro Ari Colares com seu triângulo. Uma das faixas mais interessantes do disco une Berma Sosanbi (de Nassouli) e Adeus meu lírio verde (domínio público recolhido em terreiro paulista por Colares) sobre a mesma base rítmica, cantadas em seus idiomas tradicionais. Um momento realmente especial.

Norte Para Taubkin, o disco ajuda a jogar luz sobre possíveis relações entre as cultura marroquina e brasileira. “O Norte do nosso país tem grande influência do Marrocos. Encontramos muitos elementos do bumba meu boi. No Amapá, há uma canção tradicional chamada Do Marrocos nós viemos. O nome Marzagão, que é uma cidade no Amapá, vem de Amazig, que é como eles chamam o Marrocos em árabe. Alcântara, no Maranhão, deve vir de Al qantara, que significa ‘ponte’, nome deste CD”, enumera o pianista.

O artista pretende levar a parceria com os marroquinos adiante, mas vê dificuldade nos altos custos (passagens, hospedagem etc.) a cada encontro. “Mas vamos atrás”, garante. O grupo chegou a tocar o repertório desse projeto no Museu de Arte da Pampulha (MAP), em Belo Horizonte, em 2010, e realizou outras apresentações em São Paulo e Olinda (PE). “Esse disco representa a paixão pela vida, diversidade, histórias. Na música, o encontro sempre ocorre se estamos abertos. E, quanto mais diverso, mais interessante pode ser.”

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