Festival Mozart apresenta concertos e palestras no Teatro Bradesco

Programação terá peças do compositor austríaco e de músicos influenciados por ele

por Carolina Braga 18/10/2013 07:48

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(foto: divulgação)

Foi uma vida curta, apenas 35 anos. Mas experimente observar o que Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) fez em tão pouco tempo. É impressionante. “Fizemos um cálculo e para reunir toda a obra dele são precisos 250 CDs com 72 minutos cada”, informa a produtora Carminha Guerra. Foi dela a ideia de realizar em Belo Horizonte um festival dedicado ao compositor austríaco. Mas nem se quisesse conseguiria abarcar tudo. Foram mais de 600 obras, entre sinfonias, concertos, missas e óperas. Isso sem contar o quanto influenciou as gerações que se seguiram.











E é exatamente nisso que o Festival Mozart aposta. Entre os dias 21 e 24 deste mês, o evento promove no palco do Teatro Bradesco um passeio por momentos distintos, mas marcantes, da produção do homenageado. Seus seguidores também terão espaço. Beethoven, Schumann, Tchaikovsky, Liszt, Bizet, Chopin e Busoni são alguns dos que se dedicaram a transcrever para outras formações ou em estilo próprio o que Mozart criou originalmente. A promoção é da Rádio Guarani e do Estado de Minas.

Entre as obras surgidas da inspiração mozartiana, o festival incluiu em seu programa reminiscências da ópera 'Don Giovanni', de Liszt; a 'Sinfonia clássica op. 25', de Prokofiev; e, de Beethoven, as variações para violoncelo e piano sobre árias da ópera 'A flauta mágica'. “A seleção é abrangente, foram escolhidos trechos de estilos variados para fazer uma coisa bem ampla”, explica a pianista Berenice Menegale.

Curiosamente, um evento que tem a música como protagonista, começará com poesia. A mineira Adélia Prado foi convidada para falar sobre o tema da inspiração, na segunda-feira, na abertura do festival. Para ela, trata-se do primeiro requisito para se criar uma obra de arte. “Esta não é feita de esforço, no sentido de que devo inventar algo. Ela resulta de uma obediência do autor a algo maior, que se insinua pedindo corpo. E por falar em inspiração, deixo falar Mozart e sua indiscutível e maravilhosa inspiração. Ele fez, sim, o que esta ordenou”, diz.

Os concertos começam a ser apresentados na terça-feira, com o duo de pianistas Luiz Gustavo Carvalho e Melani Mestre Rebull. No programa, entre outras peças, está abertura de 'A flauta mágica' e também transcrições de Liszt e Prokofiev para criações de Mozart. A composição sacra será destacada no concerto de quarta-feira. Os convidados são os pianistas Eduardo Hazan e Patrícia Valadão, e o violoncelista Lucas Barros.

O último dia do Festival Mozart será dedicado a movimentos e árias, com a orquestra Família Barros e convidados. Ao lado do grupo, Berenice Menegale subirá ao palco para executar o andante do 'Concerto para piano nº 21 em dó maior K 467'. Curiosamente, foi também esta a primeira peça para piano e orquestra que ela executou publicamente, aos 11 anos. “Tenho uma relação especial com este concerto. O andante é muito conhecido do público leigo, porque tem uma melodia bonita, fácil de ouvir e gravar. É muito tocado em vários meios”, conta Berenice.

Uma vida e muitas biografias

Como lembra Berenice Menegale, Mozart é um dos compositores mais biografados da história da música. “Já escarafuncharam a vida dele de todas as maneiras. Há muitos enfoques: psicológico, histórico e estritamente musical. De todo tipo”, comenta. “Acho que como todo gênio, ele também foi às vezes exageradamente considerado de uma maneira ou de outra”, analisa. Como forma de contribuir para a disseminação da história real do compositor e, principalmente, aproximá-lo de audiências mais jovens, antes das apresentações do festival o compositor Guilherme Nascimento subirá ao palco para comentar algum fato curioso da vida de Mozart.

Segundo Guilherme, os primeiros livros dedicados à vida de Mozart foram baseados em escritos ainda do século 18. “Tomaram como base relatos de pessoas que conviveram com ele. Aí fica aquela coisa meio misturada. Situações sobre como era a vida dele com a esposa foram fantasiadas demais”, ressalta. Como destaca Guilherme, somente os trabalhos lançados nos últimos 10 anos se baseiam em pesquisa com fontes históricas mais confiáveis.

“É possível entender por que ele sofreu tanto. Era o maior músico de sua época e, no entanto, era muito mal pago.” Mozart viveu um período de transição. Ao mesmo tempo em que a burguesia ascendia ao poder, a aristocracia ainda comandava os destinos da política. Era um tempo em que reis e nobres davam a cartas e tratavam o músico como se fosse um criado da casa. “Mozart não era nobre, tem outra visão sobre o papel dele na sociedade. Dá para entender o conflito que ele vivia: fazer uma música aceita pela nobreza e, ao mesmo tempo, algo pessoal”.

Berenice Menegale considera Mozart um mestre do classicismo. Compôs muito no chamado estilo galante, comum na época, mas soube sair do lugar-comum. “A produção mais importante aparece quando ele estava inteiramente livre das influências do ambiente. Aí a gente vê o lado dramático, chegando ao trágico”, explica. Mesmo contrariando as convenções da época, o tempo cuidou de destacar o que havia de invenção na obra mozartiana. Como destaca Guilherme Nascimento, outros artistas até se equipararam em quantidade. Em qualidade não. “Ele tinha muita facilidade em compor. Mozart é o mais aceito por todos. Se observarmos a história da música, alguns compositores não gostam de Beethoven ou Chopin. Isso não ocorre com ele”, conclui.

Artista plural

A obra de Mozart se distribui em pelo menos 22 estilos. O mestre em piano e professor de música da UFMG, Marcelo Corrêa, comenta algumas das vertentes presentes na programação do Festival Mozart.

. Mozart operístico
Fruto do Renascimento italiano, a ópera encontrou em Mozart o primeiro grande gênio a dar-lhe devido tratamento artístico-musical. Na ópera, Mozart foi italiano, no estilo melódico; e alemão, ao abrir os caminhos da ópera nacional daquele país com obras cantadas em alemão. Mozart agradou os alemães substituindo os recitativos cantados por diálogos falados – o que era insuportável para os italianos.

. Mozart sacro
Na música erudita, a composição sacra é essencialmente vocal e cantada em latim. A parte mais importante da obra sacra mozartiana são as missas para coro, solistas e orquestra – ele compôs 17 missas e uma missa dos mortos, também conhecida como Requiem. Nelas, Mozart apresenta um rico mosaico estilístico, unindo elementos corais gregorianos, contraponto bachiano e elementos operísticos.

. Mozart sinfônico
Na época de Mozart, a ascensão da burguesia resultou na formação de novo público, na criação de salas de concerto e no desenvolvimento das obras orquestrais, como a sinfonia – a mais complexa forma de composição orquestral. Mozart começou a compor sinfonias aos 8 anos e escreveu mais de 50 obras do gênero. Nelas ele deixou as marcas de sua evolução como compositor.

MOZART E SUAS INFLUÊNCIAS
De 21 a 24 deste mês, às 20h. Teatro Bradesco. Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. (31) 3516-1360. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), informações: www.karmim.com

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