Vanessa da Mata traz à capital homenagem a Tom Jobim e fala sobre primeiro livro

Show será neste sábado, às 22h, no Chevrolet Hall

por Sérgio Rodrigo Reis 18/10/2013 06:00

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Juliana Coutinho/Divulgação
'Tom Jobim exige técnica e concentração grandes. Com ele redescobri uma forma de cantar de que gosto muito, um timbre mais suave", diz Vanessa da Mata (foto: Juliana Coutinho/Divulgação)
Quando aceitou o convite para a homenagem ao maestro, compositor e arranjador Tom Jobim (1927-1994), a cantora Vanessa da Mata sabia que teria riscos pela frente. O primeiro era realizar mais do mesmo. Outro perigo era o de se aproximar de algo parecido ao cover. Como tinha liberdade total para propor qualquer coisa, preferiu ser mais comedida, tentando imprimir sua personalidade a arranjos consagrados, sem desvirtuá-los. Deu certo. O show que será apresentado neste sábado, no Chevrolet Hall, deveria ter breve turnê, mas ganhou sobrevida: um elogiado CD. E será lançado em breve também em DVD. A artista tem outras novidades.

Vanessa da Mata acaba de terminar seu primeiro livro, 'A filha das flores' (Companhia das Letras, 278 páginas). Depois de dois anos lapidando texto descritivo, poético e bem pessoal, teve coragem de revelar seu lado que mistura reminiscências da época de infância sofrida em Alto das Garças, interior do Mato Grosso, com uma história, segundo ela, “absurda”, de uma menina criada por duas tias. A fase atual é também de renovação do repertório. Ela está finalizando disco de inéditas, que deverá ser lançado no início de 2014. Até lá, a homenagem a Tom Jobim dividirá suas atenções.

O show que chega a BH, com direção de Monique Gardenberg, reúne 24 músicas do repertório consagrado do compositor, com arranjos e piano de Eumir Deodato e produção musical de Kassin. São canções que estão na memória da MPB como 'Estrada do sol', 'Por causa de você', compostas nos anos 1950, até a célebre parceria com Chico Buarque em 'Piano na Mangueira', que fizeram no início da década de 90, pouco antes da morte de Tom. Há ainda clássicos da bossa nova, como 'Chega de saudade', 'Desafinado', 'Garota de Ipanema' e 'Samba do avião'. O que a cantora quer com a sua homenagem é mostrar, ao lado dos músicos Stephane SanJuan (baterista), de Alberto Continentino (baixista), Dustan Galas (synth), Danilo Andrade (teclados), Guilherme Monteiro (guitarra e violão), e Gustavo Ruiz (guitarra), o que sua geração sente pelo Tom. “Eu o ouvi desde a primeira novela. Era assim que as coisas chegavam em minha cidade.”

"Tenho necessidade fisiológica de escrever"

Tom Jobim – “A homenagem ficou maior do que eu imaginava. Na verdade, já tínhamos a intenção de continuar. Mas não pensávamos que seria dessa forma. Depois do disco, teremos o DVD. Tudo isso é porque Tom Jobim é grande. Essa minha aproximação com a obra dele me aguçou na composição, na maneira de cantar suavemente, sem ter que forçar a voz. Esse projeto foi muito bom, porque consegui usar um pouco da técnica que tinha aprendido em aulas de canto e com fonoaudióloga. Tom Jobim exige do artista técnica e concentração grandes. Com ele redescobri uma forma de cantar de que gosto muito, um timbre mais suave.”

Show – “Este é um show elaborado. Eumir Deodato fez os arranjos e trabalhamos no estúdio antes de ir para o palco. As possibilidades eram grandes, pois tivemos autorização de fazer o que quiséssemos com as canções. Como havia grande respeito, os acordes são maravilhosos, quase uma aula, decidimos não propor qualquer tipo de experimentação, preferimos manter a melodia, os acordes e, claro, as letras. Havia preocupação em não transformar as músicas em eletro bossa nova, porque isso já foi feito. Então busquei dar a nossa personalidade para aquelas músicas.”
 
Disco – “Tenho necessidade fisiológica de escrever. É a maneira de me organizar e me refazer. É como se fosse uma terapia e uma restruturação mental. Quando escrevo, coloco o lixo para fora e me reorganizo por dentro, num processo de forte de identificação com meu mundo. Assim, componho. Para o novo disco ainda preciso de quatro músicas, para escolher duas. Mas já está bem pronto. Será um CD forte. Ainda não tem nome, mas sei que vou lançá-lo no início do próximo ano. Será bem pop.”

Livro – “Sempre escrevi. Tenho baús e baús cheios de cadernos. Minhas músicas são como crônicas. Bia Lessa dizia que eu era como ‘a cronista atual do Brasil na música’. Acho que tenho uma ideia descritiva do mundo que é imagética e fotográfica. É quando tento realizar a documentação da realidade. Já havia feito dois livros. Não gostei: um queimei e outro joguei fora. Só não queimei este por causa do escritor José Eduardo Agualusa. Estava com o primeiro capítulo pronto e mostrei para ele e para Luiz Schwarcz, dono da Cia. das Letras. Luiz me disse que, como era famosa, qualquer coisa que eu escrevesse venderia. Mas que ele só publicaria se fosse bom. Na hora gostei.”


A história – “É absurda e há coisas minhas. Desde cedo, na minha cidade, tinha vontade de descobrir naquele mundo sem graça da infância uma liberdade. Fui muito doente até os 12 anos. Tive toxoplasmose, febre reumática, perdi um rim, o que gerou cólica renal por dois anos. Mesmo assim, não deixava de ir para o mato brincar. Quando voltava, as dores eram terríveis e caía de cama. Por outro lado, vivia cercada por contadoras de histórias, minha avó era médium, benzedeira... Fui juntando tudo isso. Quando resolvi escrever, além da vivência, inventei muito. Fiz uma história de uma menina criada por duas tias, mas não tinha ideia de como terminaria. Porém, a história foi aparecendo e fechando. Quando acabei, mostrei ao escritor Agualusa. Ele disse coisas interessantíssimas: disse que tinha poesia, que não havia perdido o texto e que a minha literatura era forte.”

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