Fãs mineiros fazem contagem regressiva para única apresentação do Black Sabbath e Megadeth

Show será na terça-feira. Cada um tem seu motivo para ir à Esplanada do Mineirão

por Mariana Peixoto 13/10/2013 00:13

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Ângelo Pettinati/Esp. EM/D.A Press
O músico Fran Lurex (de óculos), com fãs do Black Sabbath, na Galeria do Rock, na Praça Sete: à espera dos "Beatles do metal" (foto: Ângelo Pettinati/Esp. EM/D.A Press)

 

E tudo aconteceu por causa de um nome. Talvez, se Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria) tivessem fincado o pé e permanecido com a Earth Blues Company, não teriam deixado a Birmingham natal. Poderiam ter apodrecido nas fábricas da região industrial britânica. Mas Deus (ou o diabo?) deu uma mãozinha. Já havia uma banda na Inglaterra com o nome Earth naquele final dos anos 1960. Butler, desde sempre fã de histórias de terror, se dizia assombrado por uma aparição em seu quarto, à noite. Inspirado por isso (e também por um filme de Boris Karloff de 1963) foi criada a letra de Black Sabbath.


“Is it the end, my friend?/ Satan’s coming ‘round the bend” (É o fim, meu amigo?/ Satã está vindo lá na curva). A música Black Sabbath, do álbum Black Sabbath (1970), da banda Black Sabbath, não foi o fim, mas o início de tudo. Que o diga a massa de camisas pretas que vai se reunir nesta terça-feira para ver Ozzy, Iommi e Butler na turnê Reunion, que celebra ainda o lançamento do álbum 13. O sentimento dos milhares de fãs que vão à Esplanada do Mineirão é o mesmo, afinal, todos vão ver os “Beatles do metal”, como foi cunhado pela revista Rolling Stone (ainda que sem seu “Ringo Starr”, já que Ward está ausente do disco e dos shows).

“Eles iniciaram algo. O tipo de guitarra e o tipo de letra na época não existiam. Led Zeppelin, The Who eram mais leves. O Black Sabbath era bem mais enérgico. Foi um choque, ainda mais porque era o final do movimento hippie, com músicas que falavam de coisas boas”, afirma Gabriel Roscoe Penido, que a despeito de seus 25 anos fala do Sabbath como quem viveu aquilo tudo. Já Fernando Dimas Gomes da Costa, de 59 anos, pode dizer que ouviu o Sabbath na hora em que a banda despontou. Guarda hoje os velhos vinis da década de 1970, que toca em festas como DJ. Vai ao show com o filho, Júlio Xavier, de 29 anos. “Ouvia Deep Purple, até um vizinho me mostrar o Black Sabbath. Rock pesado como falavam, que continuo ouvindo até hoje.”

Fran Lurex, 44 anos, baixista do Lurex (banda cover de Queen), é outro que ouve Sabbath desde sempre. “A inovação veio com os riffs de guitarra que o Tony Iommi criou.” Também fã de Iommi, Ênio Flávio Santos Oliveira, de 25, destaca o peso da guitarra. “Inclusive, o novo álbum mantém as raízes, ficou acima das expectativas.” Paranoid, clássico absoluto do metal, é sua preferida. Já Robert Simoso, de 32, quando ouvir Iron man depois de amanhã, vai se lembrar de sua época de garoto, quando foi apresentado por um amigo à banda em uma gravação em cassete. Vai ao show com um grupo de pelo menos 12 pessoas. Entre elas estará sua namorada, Gigi Minardi, de 34, que vai ver Ozzy pela primeira vez.

Matheus Lopes, de 39 anos, integrante da banda 9’ora, já viu o vocalista em carreira solo em três ocasiões. “Quando ele abre a boca, fica impecável”, afirma Matheus, que acha que a importância maior da banda vem da sonoridade. “Eles pesaram o som desacelerando o andamento das músicas.” Iron man, de acordo com ele, traduz isso à perfeição. “Tenho reparado que, de uns anos para cá, as bandas de rock estão tocando as músicas com um andamento mais lento do que no disco. É uma coisa de que eles foram precursores.” O show desta terça-feira será o primeiro de uma banda internacional a que Pedro Vaz, de 18 anos, vai assistir. “Para mim, o que é fora do comum é a mudança das músicas. Uma mesma música tem diferentes climas, não é convencional.”

Cantora lírica, Aline Breder, 29 anos, afirma que cada um dos vocalistas do Sabbath tem um timbre marcante. “O de Ozzy é muito específico, difícil de imitar.” Leonardo Drumond, de 37, havia comprado ingresso para o show no Rio, esta noite, quando a data em BH foi confirmada. Vendeu o primeiro e resolveu ir em casa, com os amigos. Já são mais de 20 anos dedicados ao Sabbath. “Tenho de tudo: vinil, CD, DVD e até VHS”, afirma ele, que gosta de tudo o que se refere ao Sabbath. “Dos contemporâneos a ele, como Led Zeppelin e Deep Purple, até os que foram influenciados, como Metallica e Sepultura.”

 

Mustaine abre a noite

 

Neste ano completam-se três décadas desde que Dave Mustaine criou o Megadeth. A banda de thrash metal surgiu como uma vingança pelo cartão vermelho que James Hetfield deu ao guitarrista pouco tempo depois da formação do Metallica pelos excessos de álcool e drogas. Mesmo que tenha se firmado no cenário do metal (mesmo que nunca alcançando a fama e o prestígio de sua primeira banda), Mustaine sempre teve a expulsão do Metallica como uma pedra no seu sapato. “Sim, tudo está ok” é a única coisa que o vocalista e guitarrista de 51 anos, que abraçou o cristianismo há 10, fala sobre o grupo de Lars Ulrich e Hetfield.

Depois de amanhã, ele terá 50 minutos para dar seu recado. Não é muito, o próprio admite, mas o bastante para se reencontrar com um público que sempre o tratou bem. “Os latinos têm uma reação muito apaixonada com a música e sei muito bem a diferença entre os brasileiros e o público dos países vizinhos. Muita gente, quando fala do Brasil, fala do Rio, carnaval e grandes festas. Honestamente, para mim é a mais pura verdade. Vocês amam a vida e sabem apreciar o bom metal”, afirma ele, que retorna ao país pouco depois do lançamento de sua autobiografia, Mustaine – Memórias do heavy metal (Editora Benvirá).

“Se você pensar que boa parte da minha carreira já tinha sido apresentada pela imprensa, não foi muito difícil fazer o livro. Agora, houve passagens mais difíceis, principalmente aquelas que falam das dificuldades, como os anos em que estávamos com fome e não tínhamos onde morar. David Ellefson poderia ter ido embora, o pai dele era um fazendeiro, então poderia esquecer o rock and roll e ir para casa. Mas ele ficou”, continua Mustaine, referindo-se ao baixista, cofundador do Megadeth, que retornou à banda em 2010, depois de uma grande disputa judicial.

Aliás, o quarteto que vem a BH se completa com Chris Broderick e Shawn Drover, que entraram para o grupo somente na última década. Mustaine ainda nem deixou o Brasil e já fala em voltar. Agora com um show completo. “Depois desta turnê com o Sabbath, estamos pensando em fazer shows comemorativos. So far, so good... so what! é uma possibilidade (o álbum está completando 25 anos). Acho que o fato de estarmos juntos por tanto tempo e bem-sucedidos é boa razão para fazer aniversário”, conclui Mustaine.

 

 

BLACK SABBATH E MEGADETH
Show terça-feira, a partir das 19h, na Esplanada do Mineirão, Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.001, Pampulha. Ingressos: Pista premium: R$ 600 e R$ 300 (meia); pista: R$ 300 e R$ 150 (meia).
À venda na bilheteria do Chevrolet Hall, site www.ticketsforfun.com.br e telefone 4003-5588. Classificação: 12 a 15 anos (somente
acompanhados de pais ou responsáveis); a partir dos 16 anos, desacompanhados; proibida a entrada de menores de 12 anos.

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