Amapaense Emília Monteiro faz a ponte entre ritmos e estilos em disco

Em 'Cheia de graça', cantora investe nos sons de sua região e promove fusões do batuque com o jazz e o carimbó

por Kiko Ferreira 02/10/2013 08:19

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Tratore/Divulgação
(foto: Tratore/Divulgação)
A elevação da música mais comercial do Pará como moda nacional faz parecer que os sons da Amazônia se resumem a tecnobrega, tecnomelody e outras variantes do som mais dançante e, digamos, exótico. Mas o Norte do país tem um histórico de artistas que sempre compuseram um rico painel de sonoridades variadas. Uma lista rápida pode incluir Nilson Chaves, Josias Sobrinho, Genésio Tocantins, Eliakin Rufino, Ruy Barata, Paulo André, Marco André, Lucinha Bastos, Ceiça Faria e, claro, Fafá de Belém e Leila Pinheiro. Da safra mais recente, o Trio Manari também merece citação.

Radicada em Brasília, a cantora amapaense Emília Monteiro, que acaba de lançar seu disco 'Cheia de graça', pode ser uma boa artista para provar que estes dois mundos, o da MPB tradicional e o do pop cult de eletrizar radiolas, têm mais pontos em que comum do que se imagina. Primeira intérprete a gravar, em 1998, o clássico marabaixo 'Mal de amor' (de Val Milhomem e Joãozinho Gomes), ela investe nos ritmos de sua região, chega às Antilhas com o zouk love e promove fusões do batuque com o jazz e o carimbó.

Emília, que ficou quase 10 anos se dedicando à família, voltou à ativa em 2008 e começou a trabalhar nesse disco. Ganhou da dupla Joãozinho Gomes e Val Milhomem a música Mão de couro, que no disco conta com o mestre da guitarrada Aldo Sena. Da hoje festejada Dona Odete paraense veio Veneno de cobra e Eu quero esse moreno para mim, com direito a participação especial nas duas faixas. A brasiliense Ellen Oléria, nova aposta da indústria e vencedora do The Voice Brasil 2012, cedeu Córrego rico. E o paulista Nanon compareceu com Descalço e Mandacaru, que abre o disco com dois minutos e meio de síntese e frescor.

O mais paulista dos maranhenses, Zeca Baleiro, ofereceu Coisinha, com letra da carioca Suely Mesquita, que aproveitou para fazer a supervisão vocal do disco. E as campeãs de festivais Simone Guimarães e Márcia Tauil inauguram parceria com Meus ventos. O produtor e arranjador João Ferreira conseguiu dar unidade a esta diversidade e fazer o disco soar coeso.

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