Ozzy Osbourne comemora o retorno do Black Sabbath aos palcos

Grupo fecha turnê nacional com show na Esplanada do Mineirão, em 15 de outubro

por Mariana Peixoto 29/09/2013 00:13

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Hector Mata/AFP
(foto: Hector Mata/AFP)
“Deus te abençoe.” Este é Ozzy Osbourne em 2013. Ao mesmo tempo em que abençoa a repórter ao final da entrevista, ele é capaz de cantar “E as vozes na minha cabeça/ Estão me dizendo que Deus está morto”, versos de God is dead?, primeiro single de 13, novo álbum do Black Sabbath. Surpreender, por sinal, tem sido a missão da mítica banda britânica neste ano. Seja com a realização de Reunion, a primeira grande turnê em oito anos; seja com o lançamento de um álbum de estúdio com Ozzy nos vocais, o primeiro desde 1978; seja com o topo das paradas: lançado em junho, o disco, com quase uma hora de duração e faixas que chegam a oito minutos, alcançou o primeiro lugar na Inglaterra, em feito que não ocorria desde 1970, e nos EUA, fato até então inédito. Mas surpresa mesmo é ver o Sabbath na ativa com três de seus integrantes da formação original – Ozzy, o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler – 44 anos depois de sua criação, em Birmingham.

Pois eles sobreviveram a brigas e disputas internas, excessos de álcool e drogas, trocas constantes de integrantes, à fama desmedida de Ozzy. Continuam lutando. Atualmente a briga maior é de Iommi, em tratamento contra um linfoma diagnosticado ano passado. Depois do braço norte-americano, encerrado em Los Angeles em 3 de setembro, o trio desembarca na América Latina para iniciar, sexta-feira, em Santiago, Chile, nova fase da turnê. Até 26 de outubro, serão nove apresentações, quatro delas no Brasil: dia 9 em Porto Alegre, 11 em São Paulo (o único dos shows brasileiros com ingressos esgotados), 13 no Rio de Janeiro e 15 em Belo Horizonte. Na Esplanada do Mineirão, o Sabbath faz o último show anunciado no país, que só se confirmou quando a data de Lima, Peru, foi cancelada. A abertura ficará a cargo do Megadeth, que lançou em junho álbum, Super collider.

A ausência de Bill Ward no álbum e na turnê e girou uma série de suposições (de dinheiro à incapacidade de tocar por estar doente) que Ozzy faz questão de não esclarecer . Em 13, produzido por Rick Rubin, um dos grandes da indústria fonográfica americana (já produziu Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Beastie Boys, Neil Young, AC/DC), o baterista foi substituído por Brad Wilk, do Rage Against the Machine. Na turnê, quem assume as baquetas é Tommy Clufetos, baterista da banda de Ozzy.

A voz cavernosa, com a característica fala pausada e embolada, não impede Ozzy de executar os clássicos War pigs, Paranoid e Iron man – quem o viu há dois anos, no Mineirinho, sabe bem disso. “Mas com o Black Sabbath é completamente diferente”, afirma. “No estúdio, durante a gravação do álbum, escolhi gravar verso por verso, coisa que nunca tinha feito.” De 13, devem entrar poucas faixas. Age of reason, End of the beginning, God is dead? e Zeitgeist são as mais cotadas. Aos 64 anos, livre do álcool e das drogas, que lhe deixaram profundas marcas, Ozzy admite: “Fui louco por muitos anos. É um milagre estar aqui, porque deveria ter morrido há tempos”. Então, Ozzy, Deus deve continuar vivo, de olho em você.

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Entrevista

Ozzy Osbourne
músico


‘‘Ninguém entende o Black Sabbath’’

Falou-se muito sobre a ausência de Bill Ward no álbum e na turnê. Qual a razão da substituição dele?
Para ser honesto, realmente não sei. Acho que as negociações não foram para a frente.

Mas gostaria de tê-lo nas baquetas do Sabbath?

A questão é a seguinte: todos esperamos muito para que o Black Sabbath se reunisse de novo. Nunca encontrávamos tempo, sempre era a mesma história, talvez ano que vem... Tínhamos que fazer esse álbum agora. Tentamos 10 anos atrás, não deu certo. Já estamos com mais de 60, não poderíamos esperar ninguém mais. Ou seria agora, ou poderia nunca acontecer.

Ficou surpreso quando 13 alcançou o topo das paradas?
Absolutamente chocado. Foi incrível alcançar o primeiro lugar.

Por falar no álbum, como foi gravar sob a produção de Rick Rubin?
Conheço Rick Rubin há muito tempo. Toda vez que o encontrava, me dizia: ‘Não se esqueça de que vocês (os Sabbath) são os caras que quero produzir’. Para produzir esse disco, ele teve muito tempo para pesquisar o nosso som, principalmente ver o que usamos logo no início da carreira. Fez um bom trabalho.

Voltar ao Sabbath depois de tantos anos significa o que para você?

Desde que saí, incluí algumas músicas da banda no meu repertório. Minha banda sempre teve grandes músicos, mas nenhum deles, quando estávamos no palco, tocava Black Sabbath como esses caras. Nascemos a 10 milhas de distância uns dos outros, nos conhecemos muito bem. O Black Sabbath é diferente de tudo, entende? Mas até hoje não sei exatamente o que é, acho que ninguém consegue entender o Black Sabbath. Talvez seja a combinação de tudo.

Como está o tratamento de Tony Iommi?

Ele está de volta à Inglaterra. Ontem (segunda-feira) mandei uma mensagem para ele, que me respondeu dizendo que vem se sentindo muito mal desde que voltou para casa. Minha mulher teve câncer há alguns anos e o tratamento também a fez se sentir mal. Estamos parados por quase seis semanas, o maior período sem show desde que começamos a turnê. Mas Tony tem estado muito bem durante a turnê.

BLACK SABBATH E MEGADETH

Show em 15 de outubro, a partir das 19h, na Esplanada do Mineirão, Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.001, Pampulha. Ingressos: pista premium: R$ 600 e R$ 300 (meia); pista: R$ 300 e R$ 150 (meia). À venda na bilheteria do Chevrolet Hall, site www.ticketsforfun.com.br e telefone 4003-5588. Classificação: 12 a 15 anos (somente acompanhados de pais ou responsáveis); a partir dos 16 anos, desacompanhados; proibida a entrada de menores de 12 anos.

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