Shows de Alice in Chains e Metallica marcam dia metal do Rock in Rio

Maratona de shows continua neste fim de semana no Rio de Janeiro

por Agência Estado 20/09/2013 10:31

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AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA
(foto: AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA )
Se existiam dúvidas quanto à recuperação do Alice in Chains, elas foram respondidas prontamente, às 22h de quinta-feira, 19, com os primeiros grunhidos da guitarra de Jerry Cantrell na Cidade do Rock.

Sob a liderança do herói do grunge, os veteranos de Seattle desferiram uma hora de peso torpe sobre a multidão do festival. De forma lenta, confiante e viscosa, ressuscitaram e ao mesmo tempo enterraram Layne Staley, o cantor cuja morte, por overdose é um fantasma para os músicos do grupo desde 2002.

O show pertence à turnê do disco 'The Devil Put Dinossaurs Here', e de fato este abraço à condição de espécie extinta (velhos são os tempos em que bandas deste quilate protagonizaram uma narrativa tão influente), faz do Alice in Chains um peça rara.

Tocam com a mesma intensidade, recriando o instinto destrutivo que envolve os riffs de discos como 'Facelift', mas por não tentarem reviver os tempos de Seattle, se desprendem da nostalgia geralmente associada a turnês de bandas com mais de vinte anos de estrada. Chegam assim, a um patamar de show ao vivo no nível de Pearl Jam, seus colegas mais famosos, e menos amaldiçoados, do grunge.

É curioso notar que, mesmo no tempo de Layne Staley, o maestro da banda sempre foi Cantrell. Assim, a presença do substituto William Duvall não é uma aberração, e resulta na fiel reconstrução dos trejeitos da banda. Entre eles, estão as etéreas harmonias vocais dividas por Cantrell e Duvall. Pairam hipnóticas sobre o peso da banda, adicionando um toque de religiosidade ao som.

A dupla entre o baixista Mike Inez e o baterista Sean Kinney, juntos há 20 anos, também merece respeito pela sincronia telepática com que forma a cama para Cantrell. Este, aparentemente ainda em seu auge, acabou por roubar a cena com uma feroz execução de riffs que deixam claro, em um festival deste tamanho, o quanto o metal ainda é a arma mais eficaz para fazer o público tremer em suas bases.

Sem extravagâncias, Metallica faz um dos melhores shows

Não houve fogos nem figurinos extravagantes. Só o baterista Lars Ulrich de pé diante de sua bateria, como se estivesse ali para anunciar a hora da vingança. Sentou-se então ao mesmo tempo em que explodiu a baqueta em sua caixa para iniciar uma entrada instrumental que deve ter chegado em Copacabana. James Hetfield tomou o centro do palco E tornou-se, a partir dali, o centro de uma celebração que o mundo do metal faz com honras de estado. O Metallica atrasou mais de 30 minutos para entrar ao palco do Rock in Rio como se quisesse entrar erguido pelos gritos do público. Eles não vieram, mas o grupo flutuou assim mesmo.

Antes de tudo, as caixas de som começaram a tocar mais alto que o normal a música 'Long Way to the Top', do AC/DC. Uma semiabertura que o grupo tem usado para seus shows. Cenas de 'Três Homens e um Conflito', de Sergio Leone, são exibidas ao som uma música de Enio Morricone, o que a banda tem usado na abertura de seu shows.

Já havia sido o melhor show da edição do festival de 2011, eleito por várias publicações. Agora, o Metallica volta conhecendo seu território, tem o público mais uma vez nas mãos. Mostra que quer tudo lá em cima logo no começo do show, com 'Hit the Lights', leva a plateia junto com 'Master of Puppets' e, mais uma vez, pede para “fazerem isso juntos com ele” antes de iniciar 'Holier than Thou'. É um jogo ganho desde o começo.

Hetfield diz que se sente em família, bate as mãos no peito, mira o mar de cabeças com ar de incredulidade, apesar da expressão sempre sisuda, e deixa a plateia cantar o quanto quer. “Espero que vocês estejam se sentindo tão bem quanto eu estou me sentindo. Estamos vivendo nosso sonho aqui”, repete.

Kirk Hammet exibe sua guitarra com adesivos da banda White Zombie e faz um solo monumental para 'Harvester of Sorrow'. “Está bom para vocês? Estamos tocando alto o bastante?”, pergunta. A banda vem à frente do palco para ver a plateia cantar sozinha até que eles voltem a seus postos para iniciarem 'Wherever I May Roam'. Mais uma vez, um dos indicados a melhor show do Rock in Rio.

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