Britânica Laura Marling lança o disco 'Once I was a eagle'

Artista surpreende com um discurso tão articulado para uma jovem de apenas 23 anos

por Arthur G. Couto Duarte 09/09/2013 06:00

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Virgin Records-EMI/Divulgação
(foto: Virgin Records-EMI/Divulgação)
Mesmo ocorrendo em um cenário musical tão fértil de cantoras e compositoras, o desabrochar por completo da britânica Laura Marling em 'Once I was a eagle' realmente merece ser contemplado à parte. Até então considerada pela crítica especializada uma prodigiosa adolescente, Laura chegou à idade adulta oferecendo uma obra absurdamente plena, na qual baladas espectrais se mostram assoladas por uma quase impenetrável e desconcertante forma de melancolia.

Se em algum momento de sua evolução sônica P. J. Harvey, Joni Mitchell e a finada Sandy Denny certamente a ajudaram a modelar a identidade artística, hoje Laura Marling se singulariza como artista precocemente madura. Vide a profundidade intelectual que, sabe-se lá a que preço, ela conquistou em tão pouco tempo de vida e agora vem desnudar naquele que é seu quarto CD. Nele, esparsa instrumentação (tabla, violão de 12 cordas, violoncelo, harmônio, mandolim) encharcada em misticismo oriental e angariada no folk celta, no swamp-blues e no primitivo jazz de New Orleans, Laura encontrou o arcabouço ideal para chacoalhar arquétipos femininos como os da femme fatale, da inata parideira ou da nossa velha conhecida Amélia.

Em 16 faixas interligadas ao modo dos álbuns conceituais dos anos 1970, Laura se lança em arrojados mergulhos naquilo que a própria artista chama de “áreas mais ignotas e sombrias da dualidade feminina”. Nas sinistras melodias e nos evocativos arranjos divididos entre ela e o produtor, multi-instrumentista e engenheiro de som Ethan Johns, é impossível deixar de notar a assimilação da telúrica e não menos intrigante sonoridade folk-rock obtida décadas atrás pelo Led Zep- pelin em seu álbum III.

Algo especialmente perceptível nas quatro primeiras músicas do disco – que não só são o ponto alto de Once I  was an eagle como também sumarizam toda a vulcânica inquietude poética de Laura, uma mulher de apenas 23 anos cuja raivosa e extremamente articulada recusa a compactuar com os estereótipos atrelados aos relacionamentos amorosos e à vida em geral mais parece obra de alguma matriarca que, mesmo tendo comido o pão que o diabo amassou, ainda assim soube conduzir com sabedoria e mãos de ferro seu clã em tempos imemoriais.

Cotação: Ótimo

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