Líder do Megadeth conta tudo em autobiografia que chega agora ao Brasil

Drogas, álcool, expulsão do Metallica e cristianismo marcam a vida do artista americano Dave Mustaine

por Daniel Seabra 01/09/2013 00:13

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Hugo Correia/Reuters
O vocalista Dave Mustaine diz que Deus sempre o acompanhou, mesmo antes de abraçar o cristianismo (foto: Hugo Correia/Reuters)
Uma obsessão. Essa foi a principal motivação para criar o Megadeth, revela Dave Mustaine, líder, guitarrista e vocalista da banda. Testemunha de Jeová na infância e traficante na adolescência, o astro do trash metal abre o verbo em sua autobiografia, que acaba de chegar ao Brasil.

Lançado em 2010, Mustaine – Memórias do heavy metal, escrito pelo músico em parceria com o jornalista Joe Layden, é uma catarse. O guitarrista revela episódios de sua vida e seus sentimentos mais profundos. O livro chegou a frequentar a lista dos títulos mais vendidos nos Estados Unidos. Mustaine, de 51 anos, repassa momentos decisivos de sua carreira, como a expulsão do Metallica e a vontade (ou algo maior que isso) de superar os ex-companheiros de palco.

Calma, vamos por partes. O livro traz praticamente toda a trajetória do artista – da infância ao lançamento de Endgame (2009), o antepenúltimo álbum de estúdio do Megadeth. No início de sua narrativa, Mustaine está em uma das várias clínicas de reabilitação onde se internou. Daquele quarto, volta no tempo. Garotinho, era levado pela família a reuniões das Testemunhas de Jeová. Adolescente, brigava constantemente com o pai e chegou a traficar para manter seus vícios. Saiu de casa em busca de liberdade.

Ao ler o anúncio do baterista Lars Ulrich à procura de guitarrista para uma banda de heavy metal, Mustaine respondeu. Começava ali sua trajetória no Metallica. A experiência pouco durou: ele foi expulso antes mesmo de o grupo decolar. Motivo: os companheiros se irritaram com o “bêbado indomável”.

No documentário Some kind of monster, sobre a história do Metallica, Mustaine deixa claro que a demissão significou uma ruína para ele. Não importa quantos discos de platina venha a ganhar, ele sempre viverá à sombra do antigo grupo. Em 1983, resolveu fundar a banda Megadeth com um único objetivo: bater de frente com os ex-companheiros.

Até certo ponto, Dave Mustaine conseguiu, pois criou um dos grupos de metal mais populares do planeta. Em entrevista à imprensa canadense, o “demitido” provocou: “Sem minhas canções, meus solos e minha energia, não sei se o Metallica se tornaria a banda que é”. Depois, chegou a garantir que não guarda ressentimentos, atribuindo a rixa aos jornalistas: “Foi a imprensa que manteve isso vivo”.

Em 2010, essa história parece ter ficado, realmente, em pratos limpos. A turnê The big four reuniu os quatro grandes do trash metal: Metallica, Megadeth, Anthrax e Slayer. Em 22 de junho, Mustaine e seu amigo James Hetfield, guitarrista e vocalista do Metallica, tocaram juntos pela primeira vez desde o racha de 1983.

Poço

Em Memórias do heavy metal, Mustaine reconhece os erros de sua vida. Detalha as (inúmeras) drogas que usou, além do consumo de álcool, presente em quase todos os momentos. Diz que chegou ao fundo do poço e se “curou” ao abraçar – para valer – o cristianismo, em 2003. Fãs chegaram a ficar apreensivos sobre o futuro do ídolo do metal, mas ele explicou: jamais deixou Deus de lado, mesmo antes de se converter.

“No início, muitas pessoas ficaram furiosas por ter perdido seu guitarrista, seu cantor, seu frontman, seu Dave Mustaine. Mas se você for reparar nas minhas letras do passado, tem muito de Deus nelas. Quando fui salvo, não pensava em me salvar”, confessou.

Benvirá/Reprodução
(foto: Benvirá/Reprodução)
Entre nós

Em outubro, Dave Mustaine vai desembarcar em Belo Horizonte. No dia 15, o Megadeth abrirá o show do Black Sabbath, na Esplanada do Mineirão. Ele subirá ao palco acompanhado de Chris Broderick (guitarra), Shawn Drover (bateria) e David Ellefson (baixo). A autobiografia do guitarrista, aliás, trata de um ponto polêmico na trajetória de sua banda: a sucessiva demissão de músicos. A formação mais clássica, de acordo com os fãs, reúne Mustaine, Marty Friedman (guitarra), Nick Menza (bateria) e David Ellefson. Esse último, aliás, aventurou-se também no ramo das autobiografias: escreveu My life with Deth, que será lançada em 29 de outubro.

Mustaine – Memórias do heavy metal

De Dave Mustaine e Joe Layden, tradução de Marcelo Barbão
Editora Benvirá, 368 páginas, R$ 39,90

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