Percussionista e compositora baiana Lan Lan fala sobre seus novos projetos

Elétrica e a mil por hora, no dia 23 ela estará em Belo Horizonte, em show com a banda Moinho

por Sérgio Rodrigo Reis 11/08/2013 00:13

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Ilva Yamasaki/Divulgação
Lan Lan diz que sua paixão por tecnologia lhe deu oportunidade de ampliar horizontes (foto: Ilva Yamasaki/Divulgação)
Não é difícil entender por que a percussionista e compositora baiana Lan Lan se define como alguém bi volt. Primeiro, porque ela não para, é elétrica, toca inúmeros projetos simultâneos e, segundo, porque não consegue realizar nada sem se dedicar inteiramente. Os próximos meses serão a prova da teoria. O segundo disco autoral, Mi, que acaba de ficar pronto, será lançado em shows em várias partes do país.

O novo CD da banda Moinho, projeto paralelo com a cantora Emanuelle Araújo e o guitarrista Toni Costa, sairá até o fim do ano com 10 de suas composições. Além disso, anda cada vez mais envolvida com a Lanloud, ação que desenvolve em parceria com o DJ Deeplick e com a engenheira de som Carol Monte, usando tecnologia para amplificar e misturar a própria voz em performances eletrônicas.

O lado versátil poderá ser conferido aqui no dia 23, às 23h, no Na Mata Café. Ela chega à cidade com a Banda Moinho, antecipando parte do repertório do disco que o grupo prepara. “O título provisório do CD é o mesmo de uma das faixas (Éolo), que fiz junto com Carlinhos Brown”, adianta. Já o nome do disco (Mi) surgiu por acaso.

Toda vez que inicia um projeto, ela busca dentro dele algo que inspire o título. A situação se repetiu. “Ao folhear um livro sobre a cultura africana encontrei na língua iorubá a palavra mi. De sentido amplo, ela muda de acordo com a acentuação. Mi significa mim; mí (com acento agudo) é respirar; e mì é balançar. A palavra resume como sou e o sentido do disco”, explica ela – o nome também batiza uma das faixas, com participação do ator João Miguel. “É um disco quente, de ritmo, de eletrônica. A minha paixão por tecnologia me deu oportunidade de ampliar meus sons”, diz.

A versatilidade lhe trouxe outras vantagens. Como poucos, Lan Lan consegue misturar com tranquilidade e equilíbrio sonoridades aparentemente distantes, de uma batida de frevo a uma levada flamenca. “Sou múlti. Sempre me envolvi em várias coisas. E tudo é por inteiro, são coisas que me tomam muito da vida. Sou assim há 20 anos.”

A cantora, ainda que não pareça, já entrou nos 40. “Estou vivendo um momento maduro. Mesmo com apenas dois discos, desde o início, sempre compus. Depois é que fui tocar bateria e percussão, e não parei mais.” O fato de ter ficado tantos anos como apoio de grandes artistas não tirou o brilho dela. Certa vez, durante as gravações do Acústico MTV Cássia Eller, cujos artistas ficavam no centro do público, ao final, a cantora a chamou. “Disse que ficou observando a reação das pessoas. Muitas vezes olhavam para mim. Ela falava isso com orgulho.” Lan Lan nunca se esqueceu da observação daquela que foi sua maior incentivadora para a carreira solo. O tempo veio comprovar que Cássia tinha razão.

Carreira múltipla


Elaine Moreira, a Lan Lan, é baiana e, desde cedo, os sons dos tambores da terra natal a influenciaram. Olhava, observava e aprendia. A música estava dentro de casa: seu pai tinha um pequeno estúdio de gravação e ensaio. Ali montou a primeira banda, Rabo de Saia, como baterista, ainda em Salvador. Virou espécie de cult local. Em 1990, já no Rio, iniciou a carreira ao lado de grandes nomes da MPB, como Marisa Monte, Elba Ramalho, Carlinhos Brown, Moraes Moreira, Titãs, Nando Reis e Tim Maia. Mas foi com Cássia Eller que consolidou a carreira e começou a ter espaço e maior reconhecimento.

Com a morte da cantora, em 2001, Lan Lan se reinventou e se lançou em carreira solo. O primeiro disco, Com ela, recebeu o prêmio de artista revelação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). O novo trabalho, Mi, acaba de ser lançado com fortes influências eletrônicas. Além do trabalho autoral, ela toca, com a cantora Emanuelle Araújo e o guitarrista Toni Costa, o projeto da banda Moinho. Lan Lan acabou se aproximando recentemente da cantora  Cyndi Lauper. Acompanhou a americana na turnê brasileira do disco Memphis blue e a seguiu em turnês pelo Canadá e pela Riviera Francesa.

Lan Lan
Apresentação com a banda Moinho, dia 23, às 23h. Na Mata Café, Rua Marília de Dirceu, 56, Lourdes. Ingressos: R$ 50 (masculino) e R$ 30 (feminino). Informações: (31) 3654-1733 e www.namatabh.com.br.

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