Evelyn Glennie, aclamada percussionista com deficiência auditiva, chega a BH

Artista já dividiu o palco com Elton John, Sting e o maestro Seiji Ozawa, e usa o próprio corpo para criar música

por Sérgio Rodrigo Reis 10/08/2013 06:00

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Cambridge Newspapers/divulgação
Evelyn Glennie transita com desenvoltura nos universos erudito e popular (foto: Cambridge Newspapers/divulgação)
A instrumentista escocesa Evelyn Glennie tocou com estrelas como Björk. Já participou de shows de astros como Elton John e Sting. Em palco diametralmente oposto ao universo pop, é aclamada por alguns dos principais maestros da atualidade e acompanha consagradas orquestras.

Evelyn, de 48 anos, é mesmo especial: ela não ouve. Desde criança, desenvolveu talento para captar corporalmente as vibrações sonoras e transformá-las em música. “Vejo o meu corpo como um grande ouvido”, resume. A deficiência auditiva não representa empecilho para ela.

Dia 20, a percussionista vai tocar pela primeira vez em Belo Horizonte. Ela fará concerto solo no Teatro Bradesco, depois de se apresentar com a Orquestra da USP, em São Paulo. A escocesa chega ao país cercada de expectativas. O repertório contará com peça escrita especialmente para Glennie pelo compositor americano Christopher Rouse, inspirada em 'Wagner’s ring cycle – a Ópera do mamute'.

“Represento o duende, o anão insolente Alberich. O recital terá apenas percussão e apresentará trabalhos escritos para mim e por mim”, adianta Evelyn. Marimba, fonevibrador, halo, tambor de corda e brinquedos infantis são alguns de seus instrumentos.

Evelyn Glennie representa a geração de artistas que vai do erudito ao popular com desenvoltura, sem o menor preconceito. “Música é música, som é som. Não me preocupo com estilos. Simplesmente me envolvo na criação, não gasto meu tempo tentando reconhecê-los. Meus projetos são completamente ecléticos, e isso me obriga a estar sempre com a mente aberta”, diz ela.

 Tamanho entusiasmo vale também para o Brasil. “Adoro a música tradicional de vocês. Ela é alma, energia, ritmo, traduz cada momento. E é sexy! Traz emoção e, por isso, cativa tantas pessoas no mundo inteiro”, afirma.

Aos 19 anos, a escocesa se formou na Royal Academy of Music, em Londres. Anualmente, faz cerca de 100 apresentações em diversos países. Ela trabalhou com os regentes Seiji Ozawa, Valery Gergiev, Yan Pascal Tortelier, Vladmir Ashkenazy e Thomas Sanderling. Tocou com cerca de 244 orquestras e gravou 28 discos solo. Ganhou o prêmio Grammy pelo disco em que interpreta a 'Sonata para dois pianos e percussão', de Béla Bartok.

MIKE BLAKE/REUTERS - 27/7/2012
Evelyn Glennie na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres (foto: MIKE BLAKE/REUTERS - 27/7/2012)
Três perguntas para...


Evelyn Glennie
percussionista


Sua turnê é aguardada por dois tipos de público: aqueles que admiram suas performances e os curiosos em saber como superou a falta de audição para se tornar uma das principais percussionistas em atividade. O que você tem a dizer aos brasileiros?

Sou simplesmente uma cantora que criou carreira de percussionista solo em tempo integral. Isso, por sua vez, tem permitido a muitos outros tentar carreiras similares à minha. A chave é acreditar. Como deficiente auditiva, permito-me experimentar sons de maneiras diferentes. Todos somos capazes disso, mas o que conta é o que escolhemos. Basicamente, mostro que o corpo pode se reprogramar de maneiras que ainda não entendemos completamente.

Você viaja o mundo como instrumentista, mas também chama a atenção pelo método que desenvolveu para sentir vibrações. Como ele funciona?

É uma necessidade para mim. Você pode também fazer isso, se assim decidir. Vejo o meu corpo como se fosse um grande ouvido. Ele permite que sons sejam distribuídos por todo o corpo, em vez de sobrecarregar os ouvidos. A concepção é muito simples, mas uso totalmente a concentração e o foco – ambos são formas de audição.

Como você conseguiu se tornar um fenômeno da percussão?

Na verdade, não tenho ideia. Sou curiosa em relação ao que faço como artista. É uma necessidade ouvir por outros meios e, assim, criar o meu sexto sentido. Uso todo o meu tempo para praticar, ensaiar e me apresentar da melhor maneira. Sempre traço metas claras para a minha vida.

Saiba mais

How to listen

Em 2007, Evelyn Glennie foi condecorada pelo Reino Unido. Ano passado, na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, a escocesa se apresentou com o grupo de música eletrônica Underworld.

A percussionista conquistou nada menos de 86 prêmios internacionais. Colecionadora, seu acervo particular ultrapassa 1,8 mil instrumentos. Ela explora materiais como pedras e rochas para expandir suas experiências musicais.

Deficiente auditiva, Glennie também se dedica a palestras motivacionais. “How to listen” é o seu lema.

PROGRAMA

» Nebojsa Jovan Zivkovic – Ilijas
» Evelyn Glennie – Waterphone improvisation
» Evelyn Glennie e Philip Sheppard – Orologeria aureola
» Javier Alvarez – Temazcal
» Jacob Ter Veldhuis – Barracuda solo
» Astor Piazzolla – Libertango
» Askell Masson – Prim
» Steve Reich – Clapping music
» Leigh Howard Stevens – Rhythmic Caprice


EVELYN GLENNIE
Dia 20, às 20h. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Centro. Ingressos: R$ 50 (inteira). Informações: (31) 3516-1360.

Assista a um vídeo de performance de Evelyn Glennie:


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