Blueseiro paulistano André Christovam defende estilo brasileiro para o tradicional gênero norte-americano

No disco 'Live in POA', ele toca canções de Howlin' Wolf e de Hubert Sumlin

por Eduardo Tristão Girão 08/08/2013 06:00

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Morgade/Divulgação
(foto: Morgade/Divulgação)
Um dos principais blueseiros do Brasil, o guitarrista e cantor paulistano André Christovam comemora os 25 anos de seu primeiro disco, Mandinga, lançando outro, Live in POA (Substancial Music), gravado ao vivo em Porto Alegre, há 11 anos, com nome importante do blues norte-americano, o também guitarrista Hubert Sumlin. Nada é por acaso: o talento do estrangeiro, que tocou com Howlin’ Wolf durante muitos anos, incentivou o brasileiro a decidir trilhar o caminho da música, nos anos 1970.

O registro também é precioso pelo fato de Sumlin, então com a saúde já debilitada, ter morrido em 2011. “Ele estava se recuperando da extração de um pulmão e, em função de sua fragilidade, só se apresentava nos Estados Unidos. Achei que seria pertinente fazer uma homenagem e lançar o disco em tributo à influência dele na minha música. Nos conhecemos na véspera do show e a sensação é de que convivemos uma vida inteira”, lembra André.

Por esse motivo, o repertório do novo álbum é dominado por composições de Sumlin e Wolf – no encarte, este último é citado pelo nome verdadeiro, Chester Burnett. Do primeiro, foram pinçadas as músicas Healing and feeling, Another mule e Fit me; do segundo, Worried about my baby, Killing floor, Who’s been talking, Evil e Sitting on the top of the world. Uma única peça de Willie Dixon, peso-pesado do gênero, foi incluída: Red rooster.

Acompanhado por Fabio Zaganin (baixo) e Mario Fabri (bateria), André recebeu no palco, além de Sumlin, outros dois norte-americamos: o guitarrista Coco Montoya e a cantora Big Time Sarah. O disco é resultado de apresentação no Teatro Opinião durante a segunda edição do Natu Blues Festival, evento do qual André era diretor artístico.

Sangue
Sobre Mandinga, seu disco de estreia, o guitarrista brasileiro acredita que o trabalho ajudou a abrir as portas para outros músicos que apostam no gênero no país. O álbum chamou a atenção, na época (1988), não apenas pela qualidade musical, mas também por ter letras em português. “Foi a primeira oportunidade que recebi para contar uma história com 100% de controle. Sou o autor de todas as músicas e arranjos, exceto em uma canção de Ruriá Duprat”, observa.

André tocou guitarra, cantou e produziu seu primeiro trabalho. “Esse trabalho foi extremamente bem recebido, o que possibilitou que excursionássemos por vários lugares do país. Ainda hoje, é um dos discos de blues mais vendidos do segmento no país”, orgulha-se. E com sangue brasileiro, ressalta: “A verdadeira música brasileira, o samba brasileiro, tem os dois pés na África. A música norte-americana também. Talvez não com a mesma sofisticação rítmica, mas a escolha das notas, as melodias e escalas são as mesmas”.

A principal discussão, continua, ainda é sobre a possibilidade de escrever letras em português para o blues – “música africana na essência, mas americanizada”, arremata. “Quando surgi no cenário, o país vivia o boom do rock com letristas da minha geração, como Marcelo Nova, Cazuza e Renato Russo. Senti-me adequado, apesar de ser fluente em inglês desde criança, em contar as minhas histórias em português. Quero um público maior e também desmistificar que o blues é música triste, trilha sonora para chorar com cerveja”, finaliza.

BLOG BLUES TUESDAY/REPRODUÇÃO
(foto: BLOG BLUES TUESDAY/REPRODUÇÃO)
VEM AÍ

André Christovam revela que, simultaneamente ao relançamento de seus discos A touch of glass e Catharsis, programado para este ano, está previsto outro disco ao vivo inédito, este com a participação do lendário guitarrista norte-amerciano Taj Mahal, gravado em São Paulo, em 2000.

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