Marina Abramovic ofende aborígenes e se desculpa

A polêmica começou depois de vazamento de trecho de sua autobiografia, que motivou a hashtag #TheRacistIsPresent ("A racista está presente")

por Redação EM Cultura 26/08/2016 15:18

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Na última semana, um trecho da autobioografia da artista performática Marina Abramovic, Walk through walls ("Andar através de paredes"), vazou na internet e casou polêmica. O trecho descreve a  primeira vez que Abramovic se encontrou com aborígenes, o povo que ocupou originalmente a Austrália. "Eles parecem dinossauros (...). Quando você os encontra pela primeira vez, você precisa se esforçar. Porque, para os olhos ocidentais, eles parecem terríveis. Seus rostos são como nenhum outro na Terra; eles têm grandes torsos... e pernas como gravetos".

O trecho motivou a hashtag #TheRacistIsPresent ("A racista está presente"), referência ao documentário de 2012 The artist is present ("A artista está presente"), que acompanha uma apresentação da artista em Nova York. A acusação de racismo levou à retirada do trecho do livro. No mesmo dia, Abramovic se desculpou no Facebook, em que disse que o tempo que passou com tribos aborígenes "foi uma experiência transformadora".

 

Hick Duarte; Facebook/Reprodução
(foto: Hick Duarte; Facebook/Reprodução )
 

 

Hoje, na mesma rede social, Abramovic publicou um pedido de desculpas mais elaborado. Confira:

"Eu tenho tentado viver minha vida com coragem e tenho poucos arrependimentos. De qualquer forma, os acontecimentos da última semana têm me humilhado. Minha escolha de  incluir em minhas memórias inacabadas a passagem do meu diário de 1979, que usou palavras terríveis para descrever minhas primeiras impressões sobre os aborígenes da Austrália Ocidental, é um dos meus arrependimentos. Meu coração tem se apertado constantemente desde que isso veio à tona. Minhas palavras foram ofensivas e eu quero, de todo o coração, me desculpar àqueles que eu machuquei. A parte dolorosa disso tudo é que eu machuquei pessoas aborígenes que confiaram em mim, e eu perpetuei estereótipos dolorosos sobre um povo a quem eu devo tanto e que respeito muito. Eu considero as palavras que usei uma traição e me desculpo muito. Desvalorizar a integridade, a beleza e a luta dos indígenas australianos, com quem eu e Ulay [antigo parceiro de Abramovic] vivemos entre 1980 e 1981, deve ter sido um ataque às pessoas que são particularmente amadas por mim e me inspiram".

 

O lançamento do livro é previsto para outubro.      

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