Realities de sobrevivência e desafio ganham espaço TV paga brasileira

Público se interessa em ver a dura realidade tratada como diversão, avaliam programadoras

por Ana Clara Brant 08/05/2016 10:00

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DISCOVERY/DIVULGAÇÃO
(foto: DISCOVERY/DIVULGAÇÃO)
 

A TV paga no Brasil se rendeu a um gênero de programas que é sinônimo de sucesso há décadas lá fora. Mesclando aventura, sobrevivência e superação dos próprios limites, atrações como Desafio em dose dupla, À deriva e Menu selvagem, no Discovery Channel, ou Fugidos do caos e Perdidos na tribo, no Nat Geo vêm conquistando os brasileiros. “Superar os próprios limites é um desejo inerente ao ser humano, e o sucesso dos programas de sobrevivência é o reflexo dessa busca cada vez maior da humanidade. É possível dizer que essa tendência é mundial, vista a quantidade de produções que contam histórias de sobrevivência e superação humana em formato reality que são lançadas em diversos países”, afirma Livia Ghelli, diretora de programação da Discovery Networks Brasil.


O Discovery começou a investir nesse filão em 2007, com À prova de tudo, estrelado por Bear Grylls, especialista em técnicas de sobrevivência. De lá para cá, são tantas as atrações que seguem esse modelo que o canal tem duas faixas dedicadas somente à temática: os Domingos extremos e as Terças de aventura.

Entre as maiores audiências da emissora no primeiro trimestre de 2016 estão justamente essas produções. Quem impulsionou esse mercado foi Largados e pelados, em que um casal é deixado em locais de natureza selvagem sem roupas, sem mantimentos e sem abrigo durante 21 dias. O êxito foi tamanho que criou-se o Largados e pelados - A tribo que reúne 12 pessoas durante 40 dias nas mesmas condições.

Há rumores em relação ao programa, como o de que os participantes não recebem cachê e topam a empreitada pelo simples desejo de superação ou que nem tudo ali é real. “Trata-se de uma produção realizada pela Discovery norte-americana e não temos acesso a esse tipo de informação”, limitou-se a dizer Livia Ghelli com relação ao cachê.


No próximo domingo, mais uma dessas atrações entra na programação. A série Free ride capta aventura de forasteiros que viajam pela América Latina sem dinheiro algum. A jornada se inicia no Brasil, onde os participantes Rob Greenfield e James Levelle contam com a generosidade de estranhos para seguir adiante. “No caso do Discovery, o Brasil é o país da América Latina com o maior número de séries de aventura/sobrevivência no ranking das dez mais assistidas em 2015. Toda tendência tem sua curva de evolução até ser descoberta pelo grande público. A audiência que temos hoje é resultado de alguns anos de construção de grade e aposta nesse filão”, afirma a executiva.

MERCADO Outro canal que investiu nesse mercado foi o Nat Geo, com realities como Sobrevivente primitivo, em que Hazen Audel, instrutor de sobrevivência e guia de ambientes selvagens, viaja por alguns dos locais mais extremos do planeta em desafios solitários, e Fugidos do caos, que acompanha seis membros de uma remota subcultura americana de autoproclamados primitivos que vivem em sertões, desertos, montanhas e pântanos, sem conveniência com a sociedade moderna.

Para a gerente de programação da emissora, Daniele Frederico, o segredo desses programas é que no fundo todos nós gostaríamos de fugir da rotina e testar nossa resistência. “A narrativa do programa, a desconstrução dos personagens, a resistência, as decisões de cada ação, a relação entre eles, o desafio de cada etapa e, por fim, até onde cada um pode chegar. Tudo isso cria uma expectativa muito grande”, avalia.

Já a diretora de programação da Discovery Networks Brasil afirma que, ao longo do tempo, a empresa realizou diversas pesquisas com o público, para entender esse sucesso. A principal observação, segundo ela, é que nesse tipo de série a realidade deixa de ser tragédia e vira entretenimento. “O conteúdo de não ficção, incluindo o gênero aventura/sobrevivência, hoje tem uma importância maior na vida das pessoas, pois gera identificação e permite que o público tenha maior interação, torcendo e se sentindo na pele dos protagonistas. Outro ponto importante é que também gera curiosidade, pois as pessoas não sabem qual será o final. Além do fator entretenimento, o público também assiste como uma maneira de aprender técnicas de sobrevivência. E para quem está lá dentro o que motiva é a vontade de enfrentar um desafio, vencer os próprios medos, se superar. Em situações extremas como as enfrentadas pelos participantes desse tipo de atração é que descobrimos nossos verdadeiros limites”, diz.

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