De que lado você samba? Carreta Furacão e Furacão 2000 tomam partido no impeachment

Atrações artísticas de manifestações neste domingo terão 'choque de Furacões'

por Cecília Emiliana 13/04/2016 10:12

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Em tempos em que a paixão característica dos estádios de futebol toma conta das conversas sobre política no Brasil - e o próprio Planalto se assemelha ao Maracanã fervendo em final de Copa do Mundo - a pergunta que talvez mais se faça (e responda) nas redes sociais é "de que lado você samba?". A indagação, naturalmente, refere-se a a polarização entre os que apoiam e os que se posicionam contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A quatro dias da votação do processo na Câmara dos Deputados, contudo, talvez seja pertinente reformular o questionamento: em qual ritmo, afinal, você dança? A divisão, nesse caso, diz respeito a dois furacões que, desde segunda-feira, arrastam torcidas pela internet e prometem levá-las para rodopiar nas ruas do país neste domingo.

De um lado, está o grupo Carreta Furacão, conjunto de dançarinos vestidos com fantasias toscas, atualmente sensação nas redes sociais, que vão abaixo com os vídeos da turma dançando pagode ou funk em passos sincronizados - e que o Movimento Brasil Livre (MBL) quer levar à Avenida Paulista, em São Paulo, para animar o que chamam "dancinha da vitória" contra Dilma. 

No outro extremo, o Furacão 2000, gravadora e produtora carioca pioneira na divulgação do funk no Brasil que, no mesmo dia, almeja levar 100 mil funkeiros à Avenida Atlântica, orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Os institutos de Metereologia possivelmente recusariam tais tempestades como objeto de análise ou previsão - sob pena de serem enquadrados como "coxinhas" ou "petralhas". Basta, contudo, observar o burburinho internet a fora constatar que elas serão, no mínimo, turbulentas. 

No Facebook, por exemplo, o evento "Carreta Furacão pelo Impeachment na Paulista", criada pelo MBL, já tem 3,6 mil presenças confirmadas. O comparecimento das versões tupiniquins de Fofão, Capitão América, Mickey e sua turma, entretanto, embora seja o chamariz do encontro, ainda não é 100% confirmada, pois a trupe mora no Rio Grande do Sul e só o custo dos bilhetes aéreos dos dez integrantes fica em R$ 11 mil.

Se depender da mobilização do MBL, porém, é questão de tempo para que o obstáculo seja superado. O movimento de apoio ao impedimento da presidente criou, paralelamente ao evento na rede de Zuckerberg, uma "vaquinha virtual" com o objetivo de arrecadar R$ 15 mil reais para bancar a viagem. Em 2 dias, as doações à iniciativa já ultrapassam R$ 5 mil. Para quem enfia a mão no bolso, os organizadores oferecem recompensas - que ali, afinal, o sistema é meritocrata e ninguém tem pudor de assumir. Os brindes anunciados na página do crowdfunding vão de uma coxinha, para os que doarem R$ 10 reais; até uma espécie de indulgência aos que injetam R$ 1 mil ou mais no rolê, especialmente indicada (em tom de humor) a "ex-petralhas". "Amigo do Lula arrependido pelo que fez com o Brasil? Contribua aqui e pague seus pecados!", diz a descrição do prêmio.

O Furacão 2000, por sua vez, por enquanto, aposta na força do morro. Na página "Furação 2000 e os 100 mil funkeiros contra o golpe" (até o momento, com mais de 1,3 mil presenças confirmadas) a chamada é um acróstico, formado com as letras da palavra "furacão". Na prática, contudo, o "bonde contra o golpe" já acionou líderes de comunidades cariocas como Rocinha, Vidigal e Cantagalo para formar o Baile dos 100 mil.

Quem optar por acompanha-los certamente vai ouvir muito funk das antigas, mas os artistas que puxarão o baile ainda não estão definidos. A organização quer negociar ainda com o poder público a liberação temporária das catracas da Supervia e metrô do Rio, a fim de atrair quem mora em regiões mais afastadas da orla de Copacabana.

VENTANIA QUE TOMOU CORPO A ideia de trazer o grupo Carreta Furacão para os protestos, por incrível que pareça, foi motivada por um famoso que se posiciona contra o impeachment - o youtuber PC Siqueira. Em 28 de março, a celebridade disparou em tom de humor, em sua conta no twitter que gostaria de poder contratar a turma de bailarinos amadores para "roubar o protagonismo de uma manifestação política". Diante da repercussão do post, o Movimento Brasil Livre se "apropriou da propsta", a fim de fazer o contrário: chamar mais atenção para seus atos.

A manifestação da Furacão 2000, por sua vez, foi idealizado por Rômulo Costa, fundador da produtora e admirador do ex-presidente Lula.

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