Chico Buarque e outros mil intelectuais assinam abaixo-assinado pela democracia

''Não podemos imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática'', diz o manifesto

por Diário de Pernambuco 21/03/2016 17:19

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Zeca Guimarães/Divulgação
Chico Buarque proibiu uso de suas canções em musical de Claudio Botelho, diretor que fez críticas a Dilma e Lula durante apresentação polêmica em BH (foto: Zeca Guimarães/Divulgação )

Com assinaturas de nomes como o cartunista Laerte, um manifesto em prol da democracia teve o texto final divulgado nesta segunda-feira, 21. "Não podemos imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação", diz o material.

 

O manifesto reúne mais de mil assinaturas de profissionais do mercado editorial, entre escritores e editores. A "campanha", liderada por Alberto Schprejer, Haroldo Ceravolo, Daniel Louzada, entre outros autores, começou no sábado, 19, em um grupo no Facebook.

Um dos nomes mais fortes no abaixo-assinado, Chico Buarque frequentemente se manifesta acerca da política brasileira. Após os comentários de Cláudio Botelho sobre Lula e a presidente Dilma durante apresentação de musical sobre sua obra em Belo Horizonte, o compositor e escritor decidiu que não dará mais autorização para que o diretor use suas canções neste ou em qualquer outro espetáculo.

Confira o manifesto na íntegra

Escritores e profissionais do livro pela democracia

Nós, abaixo assinados, que escrevemos, produzimos, publicamos e fazemos circular o livro no Brasil, vimos nos manifestar pela defesa dos valores democráticos e pelo exercício pleno da democracia em nosso país, de acordo com as normas constitucionais vigentes, no momento ameaçadas.

Não podemos imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação.

Ainda podemos nos recordar facilmente dos tempos obscuros da censura às ideias e aos livros nos 21 anos do regime ditatorial iniciado em 1964.

A necessária investigação de toda denúncia de corrupção, envolvendo a quem quer que seja, deve obedecer às premissas da legalidade e do Estado democrático de direito.

O retrocesso e a perda dos valores democráticos não interessam à maioria do povo brasileiro, no qual nos incluímos como profissionais dedicados aos livros e à leitura.

Ao percebermos as conquistas democráticas ameaçadas pelo abuso de poder e pela violação dos direitos à privacidade, à livre manifestação e à defesa, combinadas à agressividade e intolerância de alguns, e à indesejada tomada de partido por setores do Poder Judiciário, convocamos os profissionais do livro a se manifestarem em todos os espaços públicos pela resistência ao desrespeito sistemático das regras básicas que garantem a existência de um Estado de direito.

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