Arquivo X recebe tratamento de superprodução pelo canal Fox

Canal volta a produzir a cultuada série após um intervalo de 14 anos. Estreia é neste domingo nos EUA e na segunda-feira no Brasil

por Mariana Peixoto 24/01/2016 11:12

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Frank Ockenfels/Fox
Nesta nova fornada, os efeitos especiais também ganham um upgrade. Além de David Duchovny e Gillian Anderson, o elenco conta com os coadjuvantes Mitch Pileggi (Skinner) e William B. Davis (o Canceroso) (foto: Frank Ockenfels/Fox)

Na primeira quinzena de setembro de 1993, houve um aperto de mãos que surpreendeu o mundo. Nos jardins da Casa Branca, sob as bênçãos do novo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, assinaram o Acordo de Oslo, documento que buscava selar décadas de conflitos entre israelenses e palestinos. Bem longe do imbróglio no Oriente Médio, naqueles mesmos dias, teve início uma pequena revolução na televisão: dois agentes do FBI começaram a trabalhar nos chamados Arquivos X, casos não solucionados envolvendo fenômenos paranormais.

Dana Scully (Gillian Anderson), também médica legista, era pura razão. Com formação em psicologia, o impulsivo Fox Mulder (David Duchovny), por seu lado, acreditava firmemente em conspirações criadas para encobrir a existência de extraterrestres. Como água e vinho, Scully e Mulder se estranharam no momento inicial. Mas, cada um a seu modo, acabaram se entendendo. Catorze anos após o fim de Arquivo X, seis novos episódios da série de Chris Carter vão se somar aos 201 produzidos ao longo de nove temporadas. Hoje será a estreia na Fox norte-americana; amanhã, no Brasil, com a exibição em sequência dos dois primeiros episódios.

Mitologia O retorno de Arquivo X, que o próprio Chris Carter prefere chamar de minissérie, vem se somar a outras “novas velhas” histórias da TV. Houve, no ano passado, a volta de 24 horas; estão em produção os de Twin Peaks e Prison break. Ao lado da pioneira Twin Peaks, Arquivo X é considerada marco de transição da evolução televisiva. Carter criou uma narrativa ambientada na vida real, só que com elementos absolutamente fora do normal. Cada episódio tinha uma história fechada. Havia, no entanto, um arco dramático (a chamada mitologia) ao longo de toda a série.

Os EUA colecionavam, naquele fim de século, teorias da conspiração sobre o assassinato de John F. Kennedy, a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria. Em Arquivo X, tais  questões, quando não eram mencionadas, estavam no subtexto. Hoje, o mundo não é o mesmo, tampouco a televisão. Mas as paranoias continuam. Em entrevista recente, Carter afirmou que o seriado se passa na “era da paranoia”, gerada pela espionagem feita pelo governo norte-americano. “É um bom período para retomarmos. O governo admitiu que te espia. Vamos ficar no presente”, disse ele, que, além de comandar a série, dirige três dos seis episódios.

Nascido na era pré-internet, o seriado agora faz dela sua principal ferramenta de promoção. As redes sociais reúnem todo o trabalho de divulgação. Quando faltavam 201 dias para a estreia, foi lançada a campanha #TheXFiles201Days, fazendo um convite aos fãs para assistir a um episódio por dia. Foi criado ainda o site Do you still believe? (Você ainda acredita?), que traz um clipe com o minuto inicial do retorno.

Passado e presente também estão no primeiro episódio, “My struggle” (Minha luta), que mistura fotografias em papel com mensagens de texto. “Meu nome é Fox Mulder. Sou obcecado por um controverso fenômeno global desde a infância, desde que minha irmã desapareceu quando eu tinha 12 anos”, explica o personagem de Duchovny no minuto inicial do primeiro episódio, divulgado na internet.

O ator foi o primeiro a aceitar participar deste revival. “Foi a transformação da TV nos últimos cinco, seis anos que me convenceu”, disse. Gillian Anderson, por seu lado, precisou ser convencida. “Eu achava que estava fazendo TV o suficiente, já estava comprometida com um par de outras produções (atualmente, filma a britânica The fall).” Serem apenas seis episódios foi fator determinante para que ela aceitasse participar da empreitada.

Resta saber se, uma década e meia mais tarde, Arquivo X ainda é relevante para o espectador que passou a assistir a séries em sequência pela internet e que não quer mais saber de horários impostos pelas redes de televisão. Encontrar o equilíbrio entre o ontem e o hoje será o principal desafio desta retomada.


Fox/Divulgação
Imagem da dupla de protagonistas nos primeiros anos da série (foto: Fox/Divulgação )
Receita de sucesso

O que explica um fenômeno como Arquivo X? É coisa rara um seriado de TV ser retomado com o mesmo elenco e equipe de produção 14 anos depois da exibição do último episódio de suas nove temporadas regulares. Não é remake, mas o resgate puro e simples de uma história interrompida na telinha e que gerou ainda duas sequências no cinema, em 1998 e 2008. Os fãs ficaram animados com a notícia, embora muitos deles admitam que temem se decepcionar com esses seis novos episódios.

Ah, os fãs. Assumidamente nerds, como os três malucos autoproclamados Os Cavaleiros Solitários, que tiveram importante papel em vários momentos da trama, eles se assemelham aos que lotaram os cinemas para aplaudir Star wars – O despertar da força. Seguidores fanáticos, por vezes patrocinadores de convenções onde desfilam os cosplayers, à época da exibição da série, entre 1997 e 2002, eles empreenderam uma grande cruzada na internet, com dezenas e dezenas de páginas transformadas em santuários que serviam para idolatrar o criador Chris Carter e seus representantes na tela, Fox Mulder e Dana Scully.

E foram chamados de “excers”. Assim batizados numa alusão aos trekkers de Jornada nas estrelas, eles disseminaram uma religião que garantiu altos índices de audiência ao programa, até mesmo em suas fases menos inspiradas, que incluíram uma troca de protagonistas. Essa “resistência” se deve ao domínio messiânico de Chris Carter, com seus roteiros tão mirabolantes quanto originais, lidando com todos os elementos dramáticos à sua disposição. O evangelho de Carter se sustentava no que ele próprio chamou de mitologia, partindo de uma conspiração internacional para acobertar uma invasão alienígena, em meio a casos de paranormalidade e outras bizarrices.

Arquivo X tem muito disto tudo: ação, suspense e ficção científica, e também humor e até romance. Sim, romance. Basta lembrar o tão esperado beijo de Mulder e Scully, que só se daria no quarto episódio da sétima temporada, quando muitos torciam para que terminassem juntos – será que agora vai? Jogando com esses elementos e a empatia de um público sedento por novas missões da dupla é que Arquivo X tem condições de continuar fazendo sucesso por mais um tempinho. Afinal, a verdade continua lá fora e ainda não foi de todo revelada.

ARQUIVO X
A partir da meia-noite de hoje até as 23h59 de amanhã, a Fox promove uma maratona com 22 episódios da série. Amanhã, à meia-noite, o canal exibe os dois primeiros novos episódios da nova fase (os quatro seguintes serão apresentados sempre às segundas, no mesmo horário). Na terça,-feira às 22h, será exibido episódio de Os Simpsons dedicado a Arquivo X. (Mário Sérgio)

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