Rafinha Bastos envia mensagem ao estilo #CartadoTemer para o 'CQC'

Humorista faz piada com o programa que lhe deu projeção, e que sairá do ar no ano que vem

09/12/2015 19:25

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Pegando carona na carta divulgada por Michel Temer, o humorista Rafinha Bastos comenta o fim do programa CQC através de uma carta. O conteúdo foi divulgado na tarde desta quarta-feira, 9, nas redes sociais do artista.

Com texto semelhante ao de Temer, Rafinha Bastos repete frases que ganharam repercussão, como "mera figura decorativa" e faz trocadilhos relacionados a política brasileira. Ele ainda comenta pontos de discordância entre os ex-colegas de bancada. "Tenho muito orgulho da minha história, mas sempre senti a desconfiança do CQC para comigo", escreve.
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(foto: Divulgação)
A "brincadeira" começou na terça-feira, no Twitter, quando Bastos comparou Marco Luque ao vice-presidente da República. "Foi parceiro no sucesso. Quando o bicho pegou, mandou uma carta de repúdio contra a aliada. Michel Temer, o Marco Luque da política", escreveu.

 

Rafinha se referiu à carta de repúdio escrita por Luque, após polêmica piada com o bebê de Wanessa Camargo e demissão do humorista, em 2011. Em resposta, Luque confrontou: "Hahahaha a 'aliada', assim como você, se enforcou com a própria língua". Rafinha continuou ironizando: "Pesquisas apontam que o número de suicídio por enforcamento é 32 vezes menor que o enforcamento por ataque de jiboia".

Leia a carta na íntegra:



São Paulo 9 de dezembro de 2015

Senhor CQC,
Ad finalis progamis est

Esta carta é pessoal. Só estou colocando no meu twitter, Facebook, Google+, Snapchat, Orkut e LinkedIn porque tenho preguiça de ir ao correio. Para falar a verdade nem sei se ainda aceitam cartas por lá.

Minha lealdade institucional é pautada pelo artigo 32 do código civil da brodagem.

Tenho muito orgulho da minha história, mas sempre senti a desconfiança do CQC para comigo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1- Estive do seu lado durante 4 anos e meio e sempre me senti como mera figura decorativa. Ficava do lado direito da bancada, um lado nitidamente inferior. Veja o passado recente do Brasil. O lado direito sempre foi marginalizado. Que grandes pontas-direita tivemos em nosso futebol? O maior nome foi o Cafu que nem ponta era.

2- Sempre quis ter uma atuação mais presente, mas você só precisou de mim para as piadas que os outros não tinham coragem de fazer. Quando a chapa esquentou para o seu lado, você olhou para mim e bradou aos quatro ventos: "Nem conheço este psicopata!".

3- Quando o programa teve problemas políticos com Ronaldo e sua bancada, eu me dispus a usar a minha habilidade humorística para caçoar da situação. Vocês pediram que eu ficasse quieto e não me metesse no assunto (eu fiz piada mesmo assim, mas isso não vem ao caso).

4- Eu me ofereci inúmeras vezes para ajudar o colega Marco Luque com suas dificuldades cotidianas que incluíam amarrar os sapatos, dicção de vocábulos simples e desafios básicos de coordenação motora. Você simplesmente me ignorou.

5- Ano passado, fui chamado pra reintegrar o programa. Levemente contrariado, aceitei o convite, afinal, senti o desespero nos olhos da emissora (a situação parecia desesperadora). Você mudou de ideia na última hora e eu fiquei com aquela cara de imbecil sozinho no altar num filme B da Sessão da tarde (no fim confesso que dei graças a Deus).

Finalmente o programa caiu.
Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que a Band terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais. Finalmente, sei que o senhor não tem confiança em mim e no PMDB, digo, no humor, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.
Respeitosamente,
R BASTOS

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