O dia D para o divórcio de Joelma e Chimbinha e o futuro da Calypso

Músicos assinam papelada no Recife, cidade com a qual mantém uma intensa relação profissional

por Marina Simões 09/11/2015 10:06

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Calypso/divulgação
Joelma e Chimbinha: parceria dos dois músicos vira história (foto: Calypso/divulgação)
Após de 18 anos de parceria na vida e nos palcos, Joelma e Chimbinha desembarcam no Recife, cidade berço do sucesso nacional da banda Calypso, para colocar um ponto final na relação a dois. O "quartel-general" de outrora do grupo de tecnobrega - ritmo com o qual eles atraíram o olhar do país para a música do Pará e abriram caminho a outros nomes como Companhia do Calypso e Gaby Amarantos - se tornou palco para assinatura de um divórcio, às 9h30 desta segunda-feira, no Fórum Rodolfo Aureliano, na Ilha de Joana Bezerra. A ruptura conjugal regada, há quatro meses, a acusações de traição e lavagem de roupa suja via mídia, shows e fãs extrapola o campo do privado quando põe em evidência o reino milionário e fonográfico erguido pelo grupo da cantora e do guitarrista. O desmanche dá início a uma disputa até mesmo pelos direitos do uso da marca “Calypso” em meio à perplexidade de milhões de admiradores espalhados pelo Brasil e ao ensaio de novos passos na carreira de ambos.

Há pendências financeiras e profissionais em jogo, e a separação dos bens será resolvida na Justiça. Existem duas empresas registradas pela Calypso. Uma se chama JC Show, detentora do nome da banda. No contrato, 60% é da sócia majoritária Joelma e 40% de Chimbinha - e ela teria poder sobre o nome da banda. Já a JC Locações, responsável pelos contratos de shows e funcionários, tem ações divididas - 50% para cada um. O processo inclui ainda imóveis no Recife e no Pará, o escritório e o ônibus da banda. Joelma tem três filhos, Natália, 25,  Yago, 17, e Yasmin, 11. Chimbinha é pai biológico da mais nova.

E o Recife tem um papel central na vida da Calypso. A relação dos músicos com a capital pernambucana se deu no início da carreira. A cidade foi escolhida como centro de operações por ser um ponto estratégico no fluxo de viagens di grupo pelo Nordeste. Eles foram bem acolhidos pelos fãs - e a projeção da música executada inspirou bandas como a Musa (ex-Musa do Calypso), com quem Joelma gravou uma música, no mês passado, e outras de brega melody - e conseguiram fazer pontes para o país a partir da capital. Fixaram o escritório da banda em um imóvel na Ilha do Retiro - onde trabalham atualmente cerca de 60 funcionários -, com uma residência simples e um estúdio. A relação com a cidade guarda um episódio trágico: em 2008, o avião da banda caiu em San Martin e matou duas pessoas. Em 2009, Joelma e Chimbinha receberam cidadania pernambucana pela contribuição artística e a presença constante nas programações de festividades do estado, como carnaval e São João.

A banda também foi agenciada por mais de dez anos pela Luan Promoções, até 2012. A produtora hoje está no comando da carreira de Wesley Safadão, Musa e Geraldinho Lins. "A gente lamenta o fim. Eles são grandes artistas, cada um na sua área. E, se continuassem juntos, seria melhor para todos", comenta o empresário Rogério Paes. No auge do sucesso, nos anos 2000, a Calypso arrecadava cerca de R$ 500 mil por apresentação. Hoje, o cachê não ultrapassa R$ 100 mil, a depender do contratante. A despedida dos dois fundadores e principais estrelas da banda será oficialmente no revéillon no Amapá. É o último ato profissional de uma trajetória com mais de 22 milhões de discos vendidos. A partir de hoje, como ex-marido e mulher.

Os personagens

Joelma
Aos 41 anos, ela trilha um recomeço. Com o nome artístico Joelma Calypso, gravou o primeiro clipe da carreira solo no Recife - do single em espanhol Pa'lante, com lançamento em janeiro. Nos próximos dias, registra imagens para a canção Te quiero, no mesmo idioma. A paraense já escolhe composições para um disco solo, que deve sair em 2016. Em outubro, fez dueto Amor de fã, com a Musa, o primeiro registro oficial como Joelma Calypso, na gravação do DVD do grupo recifense de brega, em Olinda, onde cantou com Priscila Senna. Caracterizada por criar um estilo de dançar próprio e figurinos extravagantes, Joelma afirma que vai seguir na mesma linha da banda.

Chimbinha
Reconhecido como guitarrista e produtor, Chimbinha, 41, está no Recife preparando material inédito para o primeiro disco do novo projeto. Ele apresentou a cantora Thábata Mendes como nova parceira de palco. Neste mês, será lançado um single indicando o rumo musical adotado pela banda. “Vamos manter em sigilo por enquanto. O nome depende do processo de divórcio. Enquanto não finalizar, não poderemos usar esse nome (Calypso)”, explica o produtor pessoal de Chimbinha Diogo Leite. No estúdio, os músicos receberam o reforço de um time de compositores responsáveis por sucessos da Calypso como Beto Caju, Marquinhos Maraial, Isac Marial, Edu Luppa e Diego Rodrigues.  

 

 Montagem/DP
Thábata e Ian: novos parceiros musicais de Chimbinha e Joelma (foto: Montagem/DP)
Os substitutos

Thábata Mendes

A vocalista de 28 anos, nascida no Rio Grande do Norte e formada musicalmente no axé e no sertanejo, é a nova parceira de Chimbinha. A loira tem sido apontada como “substituta de Joelma na Calypso”, embora a atual vocalista tenha manifestado interesse em proibir o uso do nome. A novata evita comparações. “Eu sou uma artista bem diferente. Isso não quer dizer se sou melhor ou pior que ela (Joelma). Quero mostrar meu trabalho”, disse. 

Ian Marinho

O pernambucano Ian Marinho, de 25 anos, substituiu Chimbinha em alguns compromissos da Calypso neste ano. A partir de janeiro, irá acompanhar Joelma nos palcos na guitarra. Ian teve passagem por grupos como Companhia do Calypso, Banda da loirinha, Vício Louco e Anjo Azul. 

Calypso em números:
12
shows por mês (média)
60 funcionários na empresa Calypso
21 CDs lançados
8 DVDs
500 fã-clubes no Brasil

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