Terceira temporada de 'House of cards' traz Frank Underwood às voltas com a sedução do poder

Vale tudo para dominar, de vez, a Casa Branca

por Mariana Peixoto 02/03/2015 09:14

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Netflix/Divulgação
Kevin Spacey interpreta Frank Underwood, o vilão que comanda os Estados Unidos (foto: Netflix/Divulgação)
“Nós estamos mentindo há muito tempo”, diz Claire. “Imagine o que os eleitores achariam se a gente começasse a dizer a verdade”, retruca Frank. Esse diálogo é travado pelos Underwoods no final do 12° dos 13 episódios da terceira temporada de 'House of cards'. A conversa, que só vai prosseguir no derradeiro episódio, diz muito sobre poder e política, de uma maneira geral, e sobre o casal que ocupa a Casa Branca, como o final da temporada vai determinar. Independentemente da leitura, uma questão é clara: quando se chega a determinado ponto, não há como voltar atrás – e isso também se refere ao texto abaixo, que traz spoilers do recém-estreado terceiro ano da série.

Lançada em 2013 como o mais audacioso projeto da Netflix – maior empresa de serviço de televisão por internet, presente em quase 50 países –, 'House of cards', assinada por Beau Willimon, tornou-se um marco da TV sem TV. A série apresenta a trajetória de Frank Underwood (Kevin Spacey), congressista democrata do Sul dos EUA, que, por meio de manobras políticas nada ortodoxas, torna-se vice-presidente de seu país. Depois de escantear o titular do posto, alcança a presidência. É nesse ponto que o terceiro ano tem início.

Parte da força da série está em sua relação com o mundo real. Mas o maior mérito, que a torna absolutamente viciante, é a maneira como a dramaturgia foi construída. Você assiste como se fosse uma novela, mas sem barrigas. Nenhuma ação é gratuita e sempre haverá uma reviravolta à frente. O elenco – Kevin Spacey e Robin Wright são apenas a cereja do bolo –, os diálogos e a riqueza dos personagens garantem momentos antológicos.

'House of cards' é sobre o poder. Se nas duas primeiras temporadas a série mostrava como consegui-lo, a terceira é sobre como mantê-lo. Sempre há um outro degrau a ser galgado pelo implacável anti-herói. O pragmático Underwood não quer ser “apenas” um intermediário. Quer ser um presidente eleito e prepara a campanha para as eleições de 2016.

Cabe ao telespectador fazer a analogia que quiser.

Cada passo do passado cobra seu preço agora. Underwood deixou um passivo imenso nas duas temporadas anteriores e tem que enfrentar, na terceira, o ônus, que se multiplica em três graves crises: de governabilidade (está sem apoio algum da base aliada), política externa (entra em conflito com a Rússia por enviar forças de paz ao Vale do Jordão, no Oriente Médio) e vida pessoal – sua mulher, Claire (Wright), cobra o apoio incondicional que sempre lhe deu, exigindo bem mais do que demanda uma figurativa primeira-dama.

Verba Em meio a tudo isso, Underwood ainda lança um programa eleitoreiro, America Works, para criação de empregos. Mote da campanha presidencial, que a liderança democrata já disse não apoiar, ele é realizado com verba indevidamente apropriada da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema). Além disso, furacão de grandes proporções se aproxima da Costa Leste americana. Mas, como a imprensa descreve, o “Furacão Frank” revela-se muito pior.

Se a China foi alvo de 'House of cards' na temporada passada, o foco desta vez é a Rússia. Viktor Petrov (Lars Mikkelsen) é o presidente russo, ex-membro da KGB, divorciado, esportista, que sancionou a lei que restringe os direitos dos homossexuais. Em sua primeira visita à Casa Branca, é recebido em jantar que tem como convidadas Nadya Tolokonnikova e Masha Alyokhina, integrantes do coletivo russo Pussy Riot, alvo (real) da mordaça russa, interpretando elas mesmas.

A Netflix ainda não chegou à Rússia – o serviço de streaming deve ser lançado em 2017 naquele país –, mas não deve ser difícil imaginar o que o outro VP, Vladimir Putin, está achando do personagem.

Como nos dois anos anteriores, a deliciosa trajetória de Underwood é repleta de subtramas. Seu ex-chefe de Gabinete Doug Stamper (Michael Kelly), dado como morto na temporada passada, tem uma longa recuperação física e psíquica e continua atrás da garota de programa, testemunha-chave do primeiro crime de Underwood. O lobista Remy Danton (Mahershala Ali) torna-se chefe de Gabinete do presidente, e acaba tendo sua própria crise de consciência. Por fim, um escritor, Thomas Yates (Paul Sparks), é convidado por Underwood para escrever um livro sobre o America Works. Acaba descobrindo mais sobre o presidente do que ele próprio deseja.

Mas não deixe que essas histórias o distraiam. Tudo em House of cards é sobre a caminhada (ou derrocada, dependendo do ponto de vista) de Frank e Claire Underwood. As maquinações impensáveis, o sorriso enigmático e a conversa com o telespectador que derruba a quarta-parede são os mesmos artifícios que seduzem o telespectador a ponto de torcer pela vilania do casal. Que, aliás, chega a uma encruzilhada que só será resolvida na quarta (ainda não anunciada) temporada.

Os episódios

1 - America Works

Presidente dos EUA há seis meses, Frank Underwood anuncia o America Works, programa de geração de empregos. Seu ex-chefe de Gabinete Doug Stamper inicia longa recuperação depois de quase ter sido morto pela garota de programa Rachel.

2 - Sem os democratas

Liderança do Partido Democrata avisa a Underwood que não vai apoiá-lo numa possível eleição. Ele troca a candidatura pelo pacote que corta benefícios sociais em prol do America Works. Claire é vetada pelo Senado para se tornar embaixadora das Nações Unidas.

3 - VP e Pussy Riot

A despeito da oposição, Underwood faz da mulher embaixadora. O presidente russo Viktor Petrov é recebido pela Casa Branca em visita que se torna uma “guerra fria”. No jantar, ele é confrontado pelas Pussy Riot.

4 - O sacrilégio

Claire ignora a Rússia na ONU. O presidente tenta, sem sucesso, jogar uma oponente para escanteio. Em crise de consciência, Underwood enfrenta um poder maior. Na igreja, cospe na imagem de Jesus Cristo.

5 - Tropas em marcha

A despeito de o Congresso ser contrário a seu programa de empregos, Underwood consegue viabilizá-lo por meio de um aliado no distrito de Columbia. Claire briga com o embaixador russo e os EUA enviam tropas ao Vale do Jordão.

6 - No Kremlin

Com um ativista americano dos direitos dos homossexuais preso na Rússia, Frank e Claire fazem uma visita ao Kremlin para tentar libertá-lo. A viagem se revela um fracasso devido à posição adotada por Claire.

7 - Coisas de casal...

Depois dos acontecimentos na Rússia, a relação de Frank e Claire entra em colapso. Vivendo separadamente na Casa Branca, o casal tenta, de todas as maneiras, reverter a situação.

8 - Furacão Frank

Um furacão de grandes proporções se aproxima da Costa Leste dos EUA. Com parte da verba destinada a catástrofes dirigida ao programa America Works, Frank tem que tomar uma decisão de vida ou morte – para ele e os outros.

9 - O candidato

Frank anuncia a sua candidatura. Quando a campanha está começando a decolar, o Vale do Jordão entra em crise. O primeiro episódio desta temporada é dirigido por Robin Wright.

10 - Hora do sacrifício

Com a situação dramática no Oriente Médio, Frank viaja ao Vale do Jordão para tentar negociar com Petrov. Enquanto Claire tenta manter a missão de preservação da paz, Frank é obrigado a fazer seu maior sacrifício.

11 - O primeiro debate

A despeito das perdas, Frank sai vencedor do primeiro debate eleitoral para as eleições primárias do Partido Democrata. O debate televisivo é comandado por John King, da CNN.

12 - De volta ao passado

Frank se vê confrontado com o passado de Claire ao ressurgir uma história que todos julgavam esquecida. Doug reaparece na Casa Branca. Claire se torna mais popular durante a campanha.

13 - A conta chegou

Primária do Partido Democrata em Iowa. Doug reencontra Rachel. Frank finalmente começa a prestar contas sobre a rede de mentiras que criou no passado. Isso traz consequências que ele nunca imaginou.

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