Na terceira temporada de House of Cards, Underwood se passa por 'santo'

Novos episódios da série tem o político sem escrúpulos que agora está no comando da Casa Branca disfarçando lado cruel para parecer "mais humano"

por Mariana Peixoto 28/02/2015 00:13

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Netflix/Divulgação
(foto: Netflix/Divulgação)
Frank Underwood nunca escondeu suas intenções do público. Ao longo dos 26 episódios das duas temporadas iniciais de House of cards, o telespectador sempre atuou como cúmplice do personagem, interpretado por Kevin Spacey, sem dúvida um dos melhores anti-heróis da produção dramatúrgica recente – divide o posto com Walter White de Bryan Cranston e o Tony Soprano de James Gandolfini.

No episódio de estreia da série, há dois anos, Underwood, então um congressista de Washington, se irrita com o cachorro do vizinho que não para de latir. Sem pensar duas vezes e vendo que ninguém o via, torceu o pescoço do animal. Sempre de olho no telespectador, como que dizendo “eu sei que vocês estão me vendo, mas este sou eu”.

Pois na estreia da terceira temporada da produção criada por Beau Willimon, que o Netflix lançou ontem, Underwood não fez diferente.

No prólogo do novo ano, cujos 13 episódios já estão disponíveis, vemos Underwood já como presidente dos Estados Unidos – cargo que ele alcançou depois de maracutaias, mentiras e assassinatos. (Atenção: há spoilers no texto abaixo. Se você quiser evitá-los, pare de ler aqui.)

A comitiva presidencial, com meia dúzia de carrões, se aproxima de um cemitério. Underwood desce do carro e caminha, sozinho, até uma lápide. “Conversa” com o pai morto, dizendo que nunca gostou dele, que há muitos anos não voltava ali, que só ele apareceu no funeral. Depois olha para a câmera, para os milhões de pessoas que o estão assistindo, e diz: “Agora que sou presidente, esperam que eu seja mais humano”.

URINA

Corta para um jornalista da equipe presidencial, que pergunta para outra pessoa por que o presidente não autorizou que ninguém subisse até o cemitério com ele e registrasse o tal momento pessoal de encontro com o pai. A câmera volta para o cemitério e assistimos a Underwood urinando na lápide do próprio pai.

Quem o conhece, sabe. Isso é Frank Underwood, um político capaz de tudo para chegar ao poder.

O episódio só começa mesmo depois desta cena. E, nesta estreia, o foco não está apenas em Underwood e Claire, os protagonistas, mas em Doug Stamper (Michael Kelly). Todo mundo acreditou que o antigo chefe de Gabinete, o homem que fazia boa parte do trabalho sujo do político democrata, estaria morto.

Pois eis que Doug está vivo e, ao que parece, não faz mais parte dos planos de Underwood. Depois de ter sido massacrado pela prostituta Rachel Posner (Rachel Brosnahan), testemunha-chave do primeiro assassinato de Underwood, numa mata, o vemos em plena recuperação. Nada está fácil para Doug, que tem que reaprender a andar e tem problemas de memória.

Seis meses mais tarde ele está quase recuperado. Encontra-se com Underwood, já na Casa Branca, e ouve daquele que se diz quase um parente que tem que focar em sua recuperação. Que está fora, por ora, do poder. O que fica claro é que Doug terá um papel crucial na série. Ainda mais porque, além de Claire, ele conhece Underwood como ninguém.

Além disso, vemos o primeiro embate de Underwood com Claire. Ela não se contenta em ser “apenas” a primeira-dama dos EUA. Quer se tornar embaixadora das Nações Unidas, para que tenha experiência pública comprovada e possa, num futuro próximo, se candidatar a algum cargo. Pois nem a maior parceira de Underwood acredita que ele vai conseguir se candidatar à Presidência em 2016. Ou seja, os problemas do presidente estão apenas no começo.

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