'House of cards' narra a solidão do poder

O fenômeno de audiência da Netflix sobre os bastidores de Washington terá sua terceira temporada, em que o protagonista chega à Presidência, divulgada nesta sexta-feira

por Mariana Peixoto 25/02/2015 09:29

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

NETFLIX/DIVULGACÃO
Robin Wright como Claire Underwood e Kevin Spacey como Frank Underwood em cena da terceira temporada de 'House of cards' (foto: NETFLIX/DIVULGACÃO)
O índice de aprovação da Presidência nunca esteve tão baixo. O Congresso, antes aliado, se revela seu maior algoz. Segundo mandato de Dilma Rousseff? Que nada. O mandatário é outro: Francis Underwood, o maior estrategista político da história recente dos Estados Unidos. Só que na ficção.

Nesta sexta-feira, quando estrearem no Netflix os 13 episódios da terceira temporada de 'House of cards', milhões de pessoas ao redor do globo vão estar de olho nos desmandos de Underwood à frente do país mais poderoso do planeta. Inclusive os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, fãs confessos da série do dramaturgo e roteirista Beau Willimon.

Superprodução que se tornou um divisor de águas na dramaturgia da TV sem TV – o Netflix, para quem está chegando agora, é uma empresa que oferece serviço de televisão por internet – House of cards chega ao terceiro ano tentando provar que tem fôlego.

Isso porque agora que alcançou o ponto que queria, o que resta a Underwood? Lançada em 2013 para inicialmente apenas duas temporadas, 'House of cards', inspirada em produção britânica homônima (de 1990, uma minissérie de quatro capítulos), mostra os bastidores de Washington a partir do ponto de vista de um congressista.

Francis Underwood (Kevin Spacey, que levou o Globo de Ouro pelo personagem) no início da trama era um congressista sulista que, de líder da Câmara, torna-se vice-presidente. Ao alcançar esse posto, logo olha para o próximo degrau.

Não foi uma eleição regular que levou Underwood à Presidência, o que ocorre no fim da segunda temporada. Ele chega ao cargo graças a muita armação, mentira e até assassinato. “Os fins justificam os meios” é uma das máximas que definem o maquiavélico Underwood. Mas o que define 'House of cards' é outro bordão desafiador: a democracia é superestimada.

Underwood não faz nada sozinho. Tem uma aliança de vida e morte com a mulher, Claire (Robin Wright, vencedora do Globo de Ouro do ano passado pelo papel). Sabe-se que, agora que os dois chegaram à Casa Branca, o laço entre eles ficará fragilizado. Claire não tem o perfil de uma primeira-dama convencional. Sua sede de poder é tão grande quanto a do marido (algum paralelo com uma primeira-dama recente?). Haverá um cabo de guerra entre eles, com cada um puxando mais para o seu lado.

Com a solidão do poder marcando a trajetória de Underwood, a nova temporada deve ser mais introspectiva do que as anteriores. Espera-se, no entanto, que haja tantas reviravoltas quanto nos primeiros 26 episódios, uma das marcas de 'House of cards, assim como o artifício de fazer o personagem de Underwood parar a cena, olhar para a câmera e falar diretamente com o telespectador.

Como cria da era da internet, 'House of cards' sabe muito bem como se beneficiar dela. O Twitter da série (@HouseofCards) costuma fazer a ponte da ficção com a vida real. “In brazilian portuguese, they don’t say ‘impeachment’, they say ‘se inspirar no Francis Underwood’ and I think that’s beautiful” (No português brasileiro, não se fala ‘impeachment’, e sim ‘se inspirar no Francis Underwood’ e eu acho isso lindo) foi postado no dia 19. Viralizou rapidamente, ganhando vários memes.

Poucos dias antes, no entanto, um erro do Netflix teria disponibilizado, por não mais do que 20 minutos, os 10 primeiros episódios da nova temporada. Houve muito disse me disse virtual, gente apostando que, na verdade, teria sido uma jogada de marketing. Fato é que, enquanto muitos aguardam a chegada da sexta-feira, alguns já assistiram a parte da nova temporada por causa do vazamento.

Para terminar, um aviso àqueles que ainda não entraram no mundo de Underwood: é um caminho sem volta. Como diz o próprio, “se você quer ganhar a minha lealdade legalmente, então me ofereça a sua em troca”.

Um anti-herói para chamar de seu

“Nunca tinha assistido a uma série, resolvi (ver House of cards) por sugestão de um amigo. Comecei numa noite de sexta-feira e só terminei no domingo. Ela mostra tudo o que a gente sabe, mas os olhos não veem. As articulações dos bastidores, tudo é uma grande mentira, nada é por acaso. E não consigo sentir raiva de Francis Underwood. A sacada do autor da série de colocar o personagem olhando para a gente, ‘conversando’ com o telespectador, isso cria uma cumplicidade, pois te põe na trama.”

. Adriana da Fonseca, 47 anos, contadora

“Sempre assisti às séries. Quando meus colegas de trabalho começaram a comentar sobre House of cards, resolvi assistir. A ideia era ver um ou dois, mas, quando me dei conta, tinha me viciado. O que me chamou mais a atenção é o protagonista. O Francis Underwood é um cara do mal, muito vaidoso e com uma sede de poder enorme. Mas ele é tão interessante que me pegava torcendo por ele. Agora, como ele atingiu o ápice da cadeia do poder, ocupando o cargo mais importante do mundo, quero ver o que ele vai fazer.”
. Flávio Castro, 33 anos, servidor público

HOUSE OF CARDS

Os 13 episódios da terceira temporada serão disponibilizados nesta sexta-feira, no Netflix. Em DVD, as duas primeiras já foram lançadas no Brasil. A terceira será vendida a partir de 3 de junho.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MEXERICO