Lars von Trier diz ter parado de beber e usar drogas e teme perda de criatividade

Cineasta de 'Ninfomaníaca' deu sua primeira entrevista desde que foi banido do Festival de Cannes por declaração sobre Hitler

por Fernanda Machado 01/12/2014 12:27

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Miriam Dalsgaard/Politiken
Trier apareceu sem camisa, de barba feita e cabelo raspado na entrevista para jornal dinamarquês (foto: Miriam Dalsgaard/Politiken)
Lá se foram três anos desde a entrevista constrangedora de Lars von Trier no Festival de Cannes. Na ocasião, o cineasta dinamarquês respondeu a uma pergunta sobre suas origens alemãs com a já icônica frase "eu entendo Hitler", gerando trocas de olhares embaraçosas entre seus colegas. Na ocasião, Trier foi considerado persona non grata no festival.

Dessa vez o diretor causou mais uma grande polêmica com suas declarações. Em entrevista ao site dinamarquês Politiken, Trier revelou que completou 90 dias completamente sóbrio nesse domingo e que tem participado a reuniões diárias dos Alcoólicos Anônimos. O número, porém, parece ter deixado apreensivo o homem por trás de sucessos como 'Anticristo' e 'Ninfomaníaca', que teme perder sua capacidade criativa para a sobriedade. "Não sei se poderei fazer mais filmes, e isso me atormenta", disse Lars, que completou: "nenhuma expressão criativa de valor artístico foi jamais realizada por ex-alcoólatras ou ex-viciados em drogas".

Casado e pai de quatro filhos, o cineasta confessou que sua dependência de álcool começou com as gravações de 'Ondas do destino', de 1996. Desde então desenvolveu o hábito de tomar uma garrafa de vodca e uma "droga euforizante" por dia.

'Ninfomaníaca', de 2013, foi o primeiro filme que o cineastra escreveu sóbrio. A produção levou 1 ano e meio para ficar pronta. Já 'Dogville', por exemplo, foi escrito em apesas 12 dias, sob efeito de drogas. Apesar de temer perda de criatividade, Lars von Trier planeja rodar uma série para a TV.

Hitler

A polêmica entrevista no Festival de Cannes de 2011, onde Lars von Trier declarou admirar Hitler também foi pauta da reportagem de sete páginas da Politiken. Na ocasião, ao responder uma pergunta sobre suas raízes na Alemanha e sua declarada admiração pela estética nazista, Trier declarou que "entende Hitler". "Ele fez coisas erradas, claro, mas eu o entendo", disse o diretor na ocasião.

A declaração, além de gerar um momento constrangedor para os presentes na coletiva, também foi o convite para Trier se retirar de Cannes. O cineasta foi considerado persona non grata pela organização do evento, e só foi aceito novamente na cerimônia no ano passado.
 
Para a Politiken, o diretor afirmou que a entrevista foi a sua primeira em estado de sobriedade, o que culminou na desastrosa declaração.

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