Queridinha das passarelas internacionais, Cara Delevingn tenta fugir de rótulos

Comparada à conterrânea Kate Moss, top é cheia de atitude e tem uma legião de fãs dentro e fora do mundo da moda

por Carolina Samorano 21/10/2013 11:30

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Suzanne Plunkett/Reuters
Filha de família rica, Cara diz que quer mesmo é ser atriz (foto: Suzanne Plunkett/Reuters )
Se você não está familiarizado com o nome Cara Delevingne, deve, pelo menos, já ter visto alguma vez suas sobrancelhas de taturana estampadas em alguma campanha ou página de revista. Cara tem 21 anos, é britânica, passa longe do estereótipo da menina pobre que venceu na vida caminhando em passarelas, coleciona 2,8 milhões de seguidores no Instagram fazendo caretas ao lado de figurões do mundo da moda e, de uns tempos para cá, tem acumulado as funções de queridinha tanto de estilistas quanto dos tabloides.

Jovem, dona de um senso de humor ímpar nos quase sempre sisudos e tensos backstages das semanas de moda, jet setter da sociedade britânica e tida por alguns como a Kate Moss dos tempos de hoje, a menina viu, em 2013, sua carreira decolar. No fim do ano passado, esteve em 39 passarelas pela temporada verão 2013. Este ano, trabalhou para Burberry, Fendi, Mulberry, DKNY, Blumarine e Saint Laurent Paris. Na semana passada, esteve no Rio a convite de uma marca brasileira para a qual fotografou a campanha de verão. Participou do baile beneficente da Amfar, fez tatuagens em amigos e sambou na quadra do Salgueiro, de pandeiro na mão.

Ao contrário de meninas longilíneas, com quase 1,90m de altura e que parecem terem sido esculpidas para andar em cima de uma passarela, há quem diga que Cara tenha caído um pouco por acidente no mundo da moda — seu 1,76m, estatura considerada baixa para os desfiles internacionais, não justificaria o 5º lugar no ranking das 50 modelos mais importantes do mundo, de acordo com o site Models.com. Mas não são suas medidas que a colocaram no topo. Segundo destacou o site de moda Style.com, é mais a atitude e o que ela representa quando pisa numa passarela do que sua beleza que chamam a atenção.

De fato, é difícil dizer se é a personalidade ou a sobrancelha o seu traço mais marcante. Cara tinha tudo para ser mais uma menina rica da sociedade de Londres. Mora em uma casa em Belgravia, região da capital onde nasceu, avaliada em 10 milhões de libras, onde abriga, no closet, de grifes estreladas a fantasias de animais, como uma de panda. “Gosto de usar pela casa”, brincou, em entrevista ao Style.com. Seu avô materno, Sir Jocelyn Stevens, foi diretor de publicações importantes na Inglaterra nos anos 1960. A mãe, Pandora, já carregava a bandeira de it-girl nos anos 1980 — a mesma que hoje a filha rejeita, revirando os olhos —, andando com a família real, posando para capas de revista e, até pouco tempo atrás, trabalhando como personal shopper na Selfridges, uma loja de departamentos de luxo em Londres.

Cara, no entanto, abraçou as páginas de revistas de outro jeito. Começou a carreira posando para a loja virtual britânica Asos a fim de bancar os estudos de teatro, já que, ela diz, os pais pararam de sustentá-la quando tinha 16 anos. Formou-se pela Bedales School. Logo depois, foi arrancada do e-commerce pela Burberry para desfilar pela marca e, passados menos de dois anos, Cara foi de riquinha aspirante a atriz para modelo sensação do circuito fashion internacional. A carreira de atriz, no entanto, ainda é o alvo principal — recentemente, ela fez uma ponta no longa Anna Karenina e chegou a fazer testes para interpretar Alice, na versão para o cinema de Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton. Quase conseguiu. Agora, está às voltas com as filmagens de London Fields, versão para o cinema do livro de mesmo nome.

“Eu nunca me importei com a minha aparência. Honestamente, nunca. E eu nunca quis interpretar papéis de ‘garotas bonitas’. Eu queria perder o controle, ou ser engraçada, ou ser uma menina rebelde. Na escola, eu fui Martha em Quem tem medo de Virginia Woolf?. Mas modelar…”, ela disse em entrevista ao Style.com. Talvez por considerar que andar sobre uma passarela não seja uma profissão para ser levada assim tão a sério Cara coleciona desde fãs fashionistas — suas sobrancelhas estampam não apenas revistas, como páginas e mais páginas de blogs profissionais e amadores de moda — até meninas normais, que gostariam de fazer parte de seu grupo de amigas, como já fazem as cantoras Rihanna e Rita Ora. “O que me incomoda, eu acho, é quando eu recebo essas mensagens de meninas no Twitter dizendo ‘Deus, você é minha ídola, eu admiro muito você’. E, tipo, me admirar pelo quê? O que eu fiz? Não é que estar numa campanha da Burberry ou desfilar para a Chanel não seja nada. É só que… Eu sei que posso mais”, diz.

Fora das passarelas, é a veia festeira de Cara que atrai os flashes para ela. A comparação com Kate Moss, top model britânica nos anos 1990 e com quem ela nega ter qualquer semelhança além do país onde nasceram, vai além da profissão e da cor do cabelo. Recentemente, Cara foi fotografada por um tabloide inglês deixando cair de sua bolsa um saquinho contendo um pó branco suspeito. O episódio causou o encerramento do seu contrato com a H&M, rede fast fashion que tem uma política bastante restrita sobre a imagem das modelos. Na mesma época, a imprensa publicou que alguns de seus amigos estariam preocupados de que o excesso de festas pudesse prejudicar a carreira da jovem. E até a sua sexualidade chegou a ser assunto de fofoca: alguns jornais especularam que Cara poderia estar de romance com Rita Ora, uma de suas melhores amigas e figura frequente nas fotos que posta no Instagram.

Enquanto as polêmicas não destroem sua carreira — pelo contrário, ajudam a bombar —, Cara continua conquistando passarelas e capas de revistas mundo afora. Pelo menos até que sua semelhança com Kate Moss se prove verdadeira ou que o cinema acabe por vez se apaixonando por ela tanto quando o mundo da moda. “Pé esquerdo, pé direito, pé esquerdo, pé direito… Isso é tudo o que passa pela minha cabeça quando desfilo, só andar. É uma loucura. Essa coisa de ser modelo é muito fácil, mas, na verdade, é bem difícil. Eu digo, tem sido muito difícil. O que é a coisa mais vergonhosa disso tudo. Dizer tipo, ‘essa coisa de andar é uma loucura! (risos)’”, disse em entrevista recente à revista norte-americana Interview.

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