Picolé do Amado abre filial em Belo Horizonte

Criada em São João del-Rei em 1965, gelateria mantém método artesanal de produção

por Ana Clara Brant 31/03/2017 07:00
Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Fernanda Vieira, Luciano Vieira e Mayra Zanetti são a terceira geração a manter a tradição familiar (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )
No final dos anos 1950, o comerciante Amado José Vieira tinha um bar na Estação Ferroviária de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, que vendia de tudo um pouco. Balas, doces e muitos quitutes preparados por ele. Com a desativação de boa parte das estradas de ferro no Brasil, o movimento em seu estabelecimento caiu e seu Amado se viu obrigado a diversificar as atividades. Foi então que abriu uma oficina de consertos que também alugava bicicletas. “Meu avô sempre foi muito habilidoso e consertava tudo que aparecia. Liquidificador, ventilador, vitrola. Até que um dia apareceu um objeto bem curioso: uma máquina de fazer picolés”, conta o neto Luciano Vieira.

Depois de consertá-la, para conferir se ela realmente estava funcionando o comerciante decidiu testar sua conhecida receita de cocada como picolé. Como deu certo, saiu distribuindo pela cidade. “Fez tanto sucesso que toda hora tinha gente pedindo pra ele fazer mais. E assim foi sendo. Enquanto o dono da máquina não buscava, vovô continuava produzindo os picolés. Até que um dia o proprietário se lembrou de buscar, mas quis se desfazer do objeto. Eles entraram em negociação e assim começou a história do famoso Picolé do Amado”, destaca a outra neta, Fernanda Vieira.

Com receitas tradicionais, sem conservantes e artesanais, ao longo de 52 anos os picolés conquistaram pelo sabor e pela história. Com duas lojas em São João del-Rei, administradas por dois dos filhos de seu Amado, e uma em Tiradentes, comandada por Fernanda, agora os gelados no palito chegaram a Belo Horizonte. “Como vim fazer doutorado na UFMG e um dos meus tios tinha um terreno no Anchieta, decidimos abrir uma filial em BH”, revela Luciano.

Mantendo o espírito da matriz, o Picolé do Amado oferece os mesmos sabores que o tornaram tão conhecido. Além do de coco, carro-chefe, o cliente pode se refrescar com picolés de abacate, coalhada, laranja pura, kiwi, morango, manga, doce de leite, acerola com laranja, moranga com coco, mousse de limão e de maracujá e chocolate, entre outros. E todos a R$ 3. Em ocasiões especiais, picolés inusitados são criados. É o caso do de caipirinha e piña colada, que custam R$ 4. “A gente não usa polpa. É a fruta mesmo. É bem mais trabalhoso porque é um processo artesanal. Mas o sabor é outro, bem natural”, ressalta Fernanda.

A casa também oferece os produtos para festas e aluga os carrinhos do Picolé do Amado.  “A gente faz cerca de cinco eventos por fim de semana. Para quantidades acima de 50 picolés, o cliente só paga R$ 2,50 em cada e fazemos promoções especiais para acima de 400 unidades”, avisa Luciano, que atende a casamentos, batizados, aniversários e outras comemorações.

Dos sete filhos do casal Amado e Conceição (Darli, Dalvina, Dalton, Dalmo, Doraci, Dalmir e Delcy), seis entraram para o ramo. Hoje, o negócio está na quarta geração, já que Raphael trabalha com a mãe, Fernanda, na loja de Tiradentes. “O segredo foi o fato de ser artesanal e de ter mantido uma tradição. As receitas que o seu Amado criou são mantidas até hoje. O sabor remete à infância e isso cativa as pessoas”, frisa a esposa de Luciano, Mayra Zanetti.


PICOLÉ DO AMADO

Rua Albita, 664, Anchieta. Aberto de terça-feira a domingo, das 13h às 20h. Informações: (31) 98519-1337

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