Osteria se renova para 2016

Para comemorar aniversário do restaurante italiano, proprietários propõe cardápio mais enxuto

por Izabella Figueiredo 31/01/2016 12:28

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Juarez Rodrigues/EM/DA Ppress
Tortelle de beterraba recheado com brazeado de bochecha de boi e creme de parmezão e aliche (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Ppress)


Prestes a completar 17 anos da sua Osteria Matiazzi, Mássimo Bataglini comemora em março o sucesso do restaurante, que começou modesto, como um barzinho para bebericar bons vinhos, e aos poucos evoluiu para um dos estabelecimentos de mais refinada gastronomia italiana da cidade. Situada na rua Soledade, fora do eixo dos demais badalados restaurantes da capital, Battaglini não se espanta que casais e famílias saiam de suas zonas de conforto para ir ao Bairro Santa Efigênia degustar suas massas. “Ficamos a apenas 400 metros da Contorno, mas o cliente sente como se estivesse saindo da cidade, uma fuga mesmo”, justifica.

O chef italiano, residente em Belo Horizonte desde meados dos anos 1990, aposta que a solidez de seu restaurante em meio a casas que abrem e fecham em um piscar de olhos ocorreu devido a inúmeros fatores. “Trouxemos ingredientes até então nunca vistos na cidade, como trufas e temperos. No começo, até nossas taças eram desconhecidas, então imagina quando quebravam o aperto que eu passava. Tudo isso fez com que as pessoas criassem um carinho pela casa”, confirma. Outros elementos afetivos também engrossam a lista de bons resultados da casa, de acordo com o italiano. “Fomos o local da primeira saída de vários casais e sediamos encontros de jornalistas e médicos que bebiam vinho em nosso balcão”. Para o italiano, o mineiro custa a assumir um gosto, mas quando isso ocorre assume de verdade.

Apesar do balanço positivo, a Osteria também teve seus momentos de destempero, com transições que desafiaram o proprietário ao longo dos 17 anos. De mudanças no cardápio a alteração no corpo de sócios (foram cinco no total), a casa entra 2016 com novidades modestas, porém significativas. “Estamos finalmente caminhando para fazer algo que queríamos há tempos, mas que era necessário ter a supervisão de alguém que estivesse por conta 100% do tempo”, celebra, referindo-se ao chef Raffaele Autorino, com quem divide a sociedade da casa, juntamente com o videoartista André Hallak. “É bom porque pela primeira vez cada um pode focar em sua área específica, seja ela administrativa, cozinha ou design”, destaca.

Menu Repaginado aos poucos

Nascido em uma ilha na baía de Nápoli e acostumado a vir a Belo Horizonte esporadicamente somente para visitar a família da esposa belo-horizontina, foi por meio da internet que Raffaele conheceu Mássimo Bataglini e se apresentou. “Liguei no restaurante, marcamos um encontro e em cinco minutos já estava querendo mudar de vez para cá. Infelizmente, não dava para largar tudo de uma vez”, relembra. Depois de um longo flerte com o restaurante e anos de colaborações, Raffaele se mudou de vez para a capital mineira e hoje se encarrega de comandar a cozinha e “enxugar” o cardápio da Osteria Mattiazi. “São modificações que têm que ser feitas aos poucos porque os clientes sentem se tiramos um item muito pedido”, afirma. Apesar da cautela, Raffaele disse que o menu está cada dia mais autoral e próximo do conceito real italiano.


Um grande passo foi a introdução do menu “Cem por cento Itália”, realizado às quintas-feiras. Com cardápio fixo mensal e entrada de vinhos sem taxa de rolha, o escopo da programação é oferecer ingredientes altamente tradicionais e pouco usuais, como o queijo do Piemonte e peito de codorna. “Esse menu sazonal está funcionando como um ensaio para verificarmos como vai funcionar a casa efetivamente daqui a algum tempo”, comenta Mássimo. Para o proprietário, entretanto, essa mudança vem apenas para engrossar as transições que a casa passou e ainda vai passar. “Está longe de ser a última”, fala com propriedade de quem colhe, destemido, o sabor do sucesso.



Raviolli de beterraba recheado de bochecha e vellutate de parmesão com aliche

Ingredientes

250g de farinha de trigo, 5 gemas, 1 beterraba pequena, 300g de bochecha, 1 cenoura, 1 cebola, 1 aipo, 1 dente de alho, tomilho, 1 copo de vinho tinto, 30ml de concentrado de tomate, 100g de parmesão, 200ml de creme de leite fresco, 3 filés de aliche, sal e pimenta-do-reino a gosto.

Modo de preparo


Coloque a farinha numa mesa. Abra um pequeno buraco no meio, jogue as gemas e a beterraba já processada e misture até dar o ponto. Numa panela, coloque o azeite e a bochecha cortada em pedaços pequenos e temperada com sal e pimenta-do-reino. Refogue a carne até dourar. Na panela de pressão, refogue os legumes com um dente de alho. Após dourar, acrescente a carne. Deglace o preparo com vinho tinto e deixe evaporar. Acrescente o concentrado de pomodoro e dois copos de água e feche a panela. Retire quando a carne estiver desmanchando. Processe levemente e reserve. Quando esfriar, abra a massa. Acrescente o recheio. Corte os pedaços com um aro e feche primeiro a massa em meia-lua. Una as outras duas pontas. Numa frigideira, acrescente o parmesão ralado e o creme de leite. Tempere com sal e pimenta-do-reino e use as ervas para decorar.

Montagem: Decore o prato com molho em cima e disponha a massa colorida e recheada.

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