Conheça algumas residências em BH que se transformaram em charmosos restaurantes e bares

Comida caseira, ambiente intimista e a tradicional hospitalidade mineira fazem parte do 'cardápio'

por Shirley Pacelli 30/10/2015 08:00

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Bares em casa oferecem aconchego e a oportunidade de curtir um quintal. O Incanto , na Sagrada Família, nasceu da paixão dos donos por gastronomia (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
No Bairro Sagrada Família, corre o boato de que a casa da Rua Cabrobó, 357-A, é sede de uma sociedade secreta, onde só se entra com senha. Na verdade, a tal misteriosa congregação é o Incanto, aconchegante bar e bistrô que ocupa o quintal de uma tranquila residência. Quem conta essa história é um casal apaixonado por gastronomia, o dentista Cassiano Peluso e a médica veterinária Renata De Paoli Santos. Os dois criaram o espaço.


Quando se mudou, Cassiano costumava reunir os amigos no quintal e se arriscar na cozinha. Com o sucesso desses encontros e de festas privadas realizadas lá, não teve jeito: há dois anos e meio, o local virou bar e bistrô. Funciona de quarta-feira a domingo e tem oito funcionários.

Com inspiração retrô, a decoração vai da máquina de escrever e do quadro de São Jorge à caricatura de Milton Nascimento. Grande parte dos apetrechos veio das casas do pai de Cassiano, em Três Corações, e da avó de Renata, no tradicional Bairro Bonfim, em BH. Rico em detalhes e história, somado ao clima de quintal sob pés de manga, amora e manacá-da-serra, o ambiente conquista à primeira vista.

A caçarola à borgonhesa, um dos pratos mais populares da casa, é criação de Cassiano: carnes de boi e porco cozidas ao molho de vinho, com bacon, legumes, alcaparras e cogumelo. Servido com cesta de pães, ele tem tomilho, chimichurri e alecrim no tempero.

Outra pedida é a costelinha de porco marinada em molho especial, cozida e laqueada no mel. Há opções de massas e risotos, como o de funghi com tornedor de filé mignon (R$ 47, individual). Chutneys (condimento com base agridoce ou picante) são feitos com mangas e amoras colhidas no próprio quintal.

A casa oferece música ao vivo e a coleção de vinis fica à disposição da clientela. Sexta-feira é dia de rock clássico, com Eduardo Sangy e Vladimir Magalhães. Sábado tem MPB com Rodrigo Borges, sobrinho de Lô e Márcio, sócios-fundadores do Clube da Esquina. Domingo, apresenta-se Cordel e Prosa, banda que mescla poesia, MPB e samba.

O Incanto recebe também eventos fechados, com opção de parceria com o chef Fernando Teixeira, que atua em São Paulo e em Trancoso, na Bahia. Nesse caso, o cardápio mais simples sai a partir de R$ 65 por pessoa.

 

Leandro Couri/EM/D.A Press
Israel Júnior e Ione Silva abriram o Cantim Noir, no Bairro Novo São Lucas (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
O cantinho da Ione e do Israel

 

Não há quem não se encante com a combinação de sabor, calorosa recepção e aconchego. Assim funciona o Cantim Noir, gastrobar instalado em um casarão dos anos 1950, no Bairro Novo São Lucas. De lá se tem uma vista linda da capital.


Casados há 31 anos, Ione Silva e Israel Júnior comandam a casa. Ione recepciona cada cliente e o apresenta ao espaço intimista, com direito a luz de velas. “Diariamente, as pessoas ficam correndo pra lá e pra cá. Tenho muito cuidado com a energia daqui. Parece lugar do interior, o Cantim foge do urbano”, diz ela.


Com várias receitas familiares, o cardápio faz homenagem aos antepassados do casal. A carninha de soiza (carne cozida curtida no vinho com molho sugo) leva esse nome em homenagem à maneira carinhosa como Israel chamava a sogra. Mandioquinha de Jac traz mandioca na manteiga de garrafa com carne de sol desfiada e muçarela assada ao forno. Já o bolim du véio (feito com arroz, três queijos e alho poró) é um dos tira-gostos mais pedidos.


Porém, a estrela do Cantim Noir é o nhoque, feito artesanalmente por Israel. O rigor na seleção de ingredientes, como a sêmola de grano duro, aliado ao preparo especial (a massa leva batata assada), faz toda a diferença. “Não podemos mudar ingredientes para reduzir custos, pois sabemos que eles estão relacionados ao rigor do sabor. Jamais vou oferecer uma coisa em que não acredito. Estou abrindo a minha casa para alguém vir comer aqui. Ofereço o melhor”, diz Ione.

SUCO O refrescante suco verde surpresa é, realmente, surpreendente. Tente adivinhar os ingredientes! Uma dica: ele não leva couve. O cardápio oferece também opções vegetarianas, como massas feitas com abobrinha.
O espaço é ideal tanto para quem quiser curtir uma noite romântica quanto para quem pretende comemorar o aniversário com os amigos, por exemplo. O bolo é presente da casa. A música ao vivo de hoje fica por conta de Kélber Pontes, com MPB e composições de italianos como Ennio Morricone, autor da trilha sonora do filme Cinema Paradiso.

Tulio Santos/EM/D.A Press
Tanganica, no Bairro Coração Eucarístico, virou o ''recreio'' de alunos da PUC Minas (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Direto
da horta

Certo dia, Ângelo Rafael Telles sonhou que sua casa virou bar. O jornalista tomou aquilo como um conselho: em 2000, resolveu abrir o Tanganica Art Bar, no Bairro Coração Eucarístico. A primeira criação para o cardápio foi o bolinho de frango, que leva carne branca na massa e é recheado com muçarela. “Ele nunca pode faltar. Já teve gente que saiu de longe para comê-lo e brigou comigo porque o bolinho havia acabado”, conta.


A iguaria sempre vem com a opção de um molho especial. O mais recente é de hortelã com creme de leite. O cliente pode pedir molho de abacaxi com pimenta ou o popular ranch (creme de leite, sal, alho, cebola e ervas). Além do petisco nesse formato, ideal para acompanhar uma cervejinha, Ângelo serve a versão chamada bolão. Individual, ela é bastante procurada pelos fiéis clientes universitários, estudantes da PUC Minas que dão um pulinho lá no intervalo das aulas.
Característica do Tanganica é o preparo de pratos com ervas da hortinha da casa. “Faço um charme. Corro lá na hora, pego o raminho de manjericão para enfeitar o prato”, brinca Ângelo. As bananas chips também vêm do quintal.


Lições de Caratinga

Javali, jacaré, coelho, rã. Falou em carne exótica, o Quintal Pampulha é endereço certo. Desde 2000, o restaurante funciona na casa de 1 mil metros quadrados de Nivaldo Pio e Urlenise Miranda, com direito a fogão a lenha, bananeira, pé de acerola e araçá.


“Sempre fui de receber os amigos em casa e ir para a cozinha fazer tira-gostos. Um dia, eles me sugeriram criar o espaço”, lembra Nivaldo, natural de Caratinga, na Zona da Mata mineira. Segundo ele, isso explica a opção pelo cardápio de carnes exóticas. “No interior, você come de tudo: cabrito, queixada... Há 15 anos, não havia nada em BH direcionado a esse segmento”, afirma.


Os pratos vêm à la carte. Porções generosas servem ou quatro a seis pessoas ou de seis a oito. “O Quintal sai fora dessa onda de restaurante gourmet. É comida bem-feita e farta”, resume Nivaldo. Exemplo disso é a leitoinha, que sai por R$ 285 e pode ser degustada por sete pessoas. Ela chega à mesa acompanhada de arroz, feijão-tropeiro ou batata rústica (assada com ervas).

Onde ir

 

>>  Barracão Butiquim
Rua Antônio Justino, 438, Pompeia, (31) 3481-0624. Abre de quarta a sexta-feira, das 19h à meia-noite, e sábado, das 14h à meia-noite.  Serve batata rosti em nove sabores, entre eles, carne seca com catupiry e cebolinha, a R$ 34,20 (para duas pessoas).

>>  Cantim Noir

Rua Nísio Batista de Oliveira, 266, Novo São Lucas, (31) 3789-8756 e 99647-0853. Abre sexta-feira e sábado das 20h à 1h. É cobrado couvert artístico.  Serve nhoque (para duas pessoas), a R$ 47, e bolinho de arroz com três queijos (porção com 12), a R$ 28.

>>  Incanto Bar e Bistrô

Rua Cabrobó, 357-A, Sagrada Família, (31) 99355-3989 e 99991-4431. Abre de quarta a sexta-feira, das 18h à 1h; sábado, das 12h à 1h; e domingo, das 12h às 20h. Recomenda-se fazer reserva sexta-feira e sábado, quando é cobrado couvert artístico (R$ 20).  Serve caçarola à borgonhesa, a R$ 29 (individual), e risoto ao funghi com tornedor de filé mignon (individual), a R$ 47.

>>  Jardim di Casa
Avenida Contagem, 2.099, Santa Inês, (31) 3461-2514. Abre de segunda a sexta-feira, das 11h à meia-noite.  Serve costelinha de porco ao molho de mel e hortelã, a R$ 29,90 (duas pessoas).

>>  Quintal do Prado

Rua Turfa, 821, Prado, (31) 3332-0982 e 98876-0982. Abre de quarta a sexta-feira, das 18h à meia-noite.  Serve joelho de porco à pururuca, com batata portuguesa no azeite e alho e salada de repolho, a R$ 85 (cinco pessoas).

>>  Quintal Pampulha

Rua Sebastião Antônio Carlos, 350, Bandeirantes, (31) 3443-5559 e 3491-2707. Abre sexta-feira, a partir das 18h; sábado, domingo e feriado, a partir das 12h.  Serve carne de coelho com risoto de arroz negro, a R$ 115 (quatro pessoas)

>>   Tanganica Art Bar
Rua Padre Dermeval Gomes, 380, Coração Eucarístico, (31) 3376-7047. Abre de segunda-feira a sábado, das 18h à meia-noite.  Serve bolinho de frango com muçarela, a R$ 20 (16 unidades)

 

 

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