Tábua de frios e comida japonesa estão entre as preferidas dos artistas

Pedidos surpreendentes ainda tem seu lugar, como o de Maria Bethânia - frango assado de padaria

por Eduardo Tristão Girão 12/08/2015 10:47

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MARCOS VIEIRA/EM/D.A.PRESS
Comidinhas no camarim do Sesc Palladium, onde se apresentaram Martinho da Vila e Mart'nália, que pediram tambémcerveja, conhaque e Campari (foto: MARCOS VIEIRA/EM/D.A.PRESS)
Os fãs fervorosos de Maria Bethânia sabem de muitas coisas a respeito da cantora, mas talvez não desconfiem de que ela fez questão de cerveja e frango assado – daqueles de padaria mesmo – quando se apresentou em Belo Horizonte pela última vez, em maio passado. A turma da produção teve de se virar de última hora.


É um universo à parte esse dos comes e bebes nos camarins da capital mineira. Cada artista tem sua própria lista de exigências, enviada previamente às equipes técnicas dos espetáculos que farão em cada cidade. As listas apontam restrições alimentares, simpatia por produtos locais, preferências de marcas, vaivém de tendências (a comida japonesa está em alta). Nesse universo, há uma única certeza: a tábua de frios não perde seu reinado nos camarins.


Ela não sai de moda. “Talvez por ser algo prático, rápido e confiável de que está fresquinho. A pessoa já faz o sanduichinho do jeito que quer”, diz o produtor cultural Cláudio Costa. Ele já trabalhou nos bastidores de shows de Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa e Vanessa da Mata. No caso dessa última, seguiu orientações de uma lista light, com pães sem glúten, barra de cereal, frutas, sopa e pão de queijo (que também não tem glúten). A tábua era só de queijos, sem presunto ou salaminho.


“A tábua de frios está sempre presente, pela facilidade de comer e de encomendar. A gente encontra frios em qualquer lugar do país, então, os caras que viajam muito pedem itens que qualquer produção consegue encontrar”, afirma Tina Vasconcelos, produtora cultural da Plural. “Para camarins muito exigentes, a gente contrata bufê. Nos mais tranquilos, compramos tudo numa delicatessen e nós mesmos montamos”, diz ela. Foi Tina quem cuidou das tábuas de frios dos cantores Lenine e Martinho da Vila, que passaram pelo Sesc Palladium, em BH, recentemente.


Ângela Martins, produtora cultural da Art BHZ (que já atendeu Roberto Carlos, Ney Matogrosso e Ana Carolina, entre outros), vê a questão de maneira um pouco diferente. “Como muita gente pede vinho, pede também queijo”, argumenta. Mais do que tábuas de frios, ela tem visto muito artista fazer questão de comida japonesa e de sanduicheira para fazer misto quente. “E todo camarim que faço tem pão de queijo. Os artistas daqui pedem e, para os de fora, a gente põe para poder mostrar”, diz ela.

PÃO DE QUEIJO Aluizer Malab, que já trouxe para BH nomes como Morrisey, Black Eyed Peas e Jorge Ben Jor, também defende o pão de queijo, presente em todo camarim que monta, ao lado de outros produtos da terra, como queijo minas, café e rapadura. Um dos artistas que aprovaram os sabores mineiros foi o cantor e pianista inglês Elton John. “Ele gosta muito de comida local. Por onde passa, pede isso. Colocamos não só pão de queijo, mas frangos com quiabo e ao molho pardo, bolo de fubá e pão de queijo. Na Bahia, teve acarajé e bobó.”


A banda norte-americana Black Eyed Peas veio com a própria nutricionista. A produção local a levou ao Mercado Central. “Ela pirou lá. Montou o cardápio com aquilo que os artistas gostavam e com coisas que ela criou, aproveitando os nossos produtos. Fez uma bela de uma compra”, lembra Malab. O mesmo não pode ser dito de Moby: vegano, ele não se adaptou à oferta de produtos locais.


Se o hit entre os comes é a tábua de frios, no caso dos bebes é a água de coco – e sempre natural. Entretanto, avançando pela lista de bebidas, não há consenso entre os artistas. Bethânia só quer água mineral de uma determinada marca, enquanto Vanessa da Mata não define um rótulo preferido, mas veta uma das marcas do mercado. Martinho da Vila pede cerveja em lata de qualquer marca e frisa precisar também de Campari; paralelamente, sua filha Mart’nália faz questão não apenas de cerveja, mas também de “duas doses de conhaque”.


O mesmo vale para o café. Não são poucos os que carregam suas próprias máquinas para lá e para cá, garantindo os sabores das mesmas cápsulas em qualquer lugar. Nesse caso, Vanessa faz questão de uma determinada marca. “O Wilson das Neves sempre me fala que não faz shows sem uma garrafa de café. Todos os artistas pedem café”, relata o produtor Alexandre Segundo, que já trabalhou com nomes como Mundo Livre S/A, Monarco da Portela e Tianastácia.

TAREFAS Cuidar da lista de exigências alimentares de um artista pode significar ter múltiplas tarefas, como explica Fernando Zarife, sócio do bufê Café do Pedro, contratado para abastecer camarins diversos em BH. “As listas normalmente são diferentes para o artista e para a banda. Às vezes, o artista vai receber um convidado e precisa de uma outra coisa”, diz.


Em geral, diz ele, os artistas preferem coisas mais leves, como frutas, água e comida japonesa. “Bebidas alcoólicas e coisas mais gordurosas são pedidos feitos mais para as bandas que acompanham os artistas”, conta Zarife. Sua família possui uma padaria da qual o bufê compra muitos itens, mas outro tanto é produzido por salgadeiras e confeiteiras exclusivas. No caso de sushis e sashimis, não tem jeito: “Não temos chef de comida japonesa. Sai mais barato comprar no melhor restaurante do que contratar um chef”.


A empresa de Zarife foi  responsável pelos 45 camarins montados durante o Fifa Fan Fest, programação de shows paralela à Copa do Mundo, no ano passado. Todos os artistas comeram o mesmo: sanduíche de metro, salgados folhados, tábua de frios, cestas de frutas, amendoim e castanha de caju. Mas como esse ofício envolve lidar com imprevistos e caprichos, é preciso saber improvisar. Foi assim quando o cantor Diogo Nogueira veio à cidade animar a torcida.


“Ele tinha chegado atrasado, sem ter conseguido almoçar. Extremamente simpático, me chamou e disse que estava com uma fome que eu não poderia imaginar. Disse que tudo no camarim estava com cara boa, mas que veio pensando em um feijão-tropeiro.”

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