BH tem leque variado de lugares charmosos com diversas formas de servir cafés

Um café pode se transformar num ótimo programa a qualquer hora e dia, ainda mais quando acompanhado de saborosos pães de queijo, bolos e sanduíches

por Eduardo Tristão Girão 01/05/2015 11:00

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS
Para manter vivas as receitas afetivas, Iara Rodrigues, da Quitandarte, caprichou no cardápio: pão de queijo da tia e biscoitos da avó e da mãe (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PRESS)
Um café não é um café. É um local de encontro, desculpa para dar uma relaxada, ver a vida passar ou mesmo oportunidade de descompressão no meio de um dia pesado de trabalho. Se o café (agora, a bebida) for de origem especificada, melhor ainda, mas precisa ser bem tirado, de maneira que fica a quitanda também obrigada a fazer bonito à mesa. A ampliação desse momento de puro prazer é tanto melhor quanto mais agradável for o ambiente, e algumas casas da cidade já perceberam isso. De algumas delas, aliás, não dá vontade nem de ir embora.


Bom exemplo é o Duo, em Lourdes, que foi ampliado no fim do ano passado e não perdeu o charme. Manteve flores do campo sobre as mesas de madeira, o quadro-negro com sugestões e a parede de tijolos aparentes, acrescentando mais mesas e algumas banquetas ao redor do balcão. “As pessoas falam muito do cheiro daqui, de café moído, brioche esquentando”, conta Isabela Tibo, que comanda a casa ao lado de Bel Bandeira.

As duas se desdobram entre o atendimento e a produção de pão de queijo, quiches, bolos, biscoitos, brownies e o xodó da casa, o brioche. Feito diariamente, ele passa por três fermentações (que aprimoram a massa e dão sabor) e é pincelado com gema e creme de leite antes de ir ao forno. Inteiro, sai por R$ 20 (300g) e duas fatias servidas com geleia e manteiga saem por R$ 9 – há também um sanduíche com ele, recheado com presunto cru, muçarela de búfala e tomate fresco (R$ 15).

Entre as novidades, há brownie (R$ 5) e um cookie de inspiração nova-iorquina (mais úmido por dentro), feito com cacau, nozes e chocolate branco (R$ 8; só às sextas e sábados). Para beber, café moído na hora e coado pelos métodos Hario ou french press (a partir de R$ 4), composto por grãos mineiros das regiões do Cerrado e Matas de Minas. Aqueles de paladar mais aventureiro podem optar pelo café gelado, servido com cubinhos de gelo com raspas de limão siciliano (R$ 6). “O cliente gosta de sentar no balcão, gosta de me contar da vida dele. Temos clientes fiéis e que têm ligação comigo e com a Isabela”, conta Bel. Apesar do wi-fi liberado.

Paula Huven/Esp. EM. Brasil
A Academia do Café, nascida em 2011, é especializada nos grãos e oferece, atualmente, 13 tipos (foto: Paula Huven/Esp. EM. Brasil)
Família
O desavisado que passa pelo Quitandarte, na Savassi, provavelmente não desconfia que esse café teve início para lá de tímido, funcionando escondido dentro de um salão de beleza, no Luxemburgo. Desde essa época, no entanto, a proprietária Iara Rodrigues, faz questão de preparar seus próprios bolos. Com a mudança, ano passado, foi possível ampliar o leque de produtos, que passou a ter também biscoitos, pão de queijo, geleias (atualmente de araçá e goiaba), doce de leite cremoso e compotas de frutas do sítio da família.

Por falar nisso, a receita do pão de queijo é da tia Elisa, a do biscoito frito é receita da avó Ção e a do biscoito amanteigado com raspas de limão e de laranja – carro-chefe local – é da mãe, Eliana. Os bolos são vendidos inteiros (a partir de R$ 16, cada) ou em pedaço (entre R$ 4 e R$ 7), com os sabores variando de forma imprevisível. Podem ser de paçoca, maçã, cenoura com chocolate, limão, laranja ou coco cremoso (campeão de vendas), por exemplo. E são sempre feitos no mesmo dia.

“Não trabalhamos com cardápio, mas com amor. Se está quente ou frio, a gente sabe qual bolo vai vender melhor. A gente não sabe que bolos teremos semana que vem, muito menos amanhã”, esclarece o irmão de Iara, Rafael, que comanda com ela o café. Para acompanhar qualquer uma das quitandas locais, o café, que é mistura de grãos do Cerrado e Sul de Minas, pode ser coado (pano ou Hario) ou expresso, a partir de R$ 3,30. Objetos antigos (balança, baleiro etc.) compõem o ambiente da casa, que tem 12 lugares na calçada.

Referência com fartura em grãos

É impressionante como a Academia do Café tornou-se, logo nos primeiros anos de sua história (que é recente, iniciada em 2011), referência central em café na cidade. A variedade de grãos é nada menos que estonteante aos olhos do público leigo. Atualmente, são 13, oriundos de Minas (regiões do Cerrado, Matas de Minas e Sul de Minas – essas denominações são usadas no mercado cafeeiro e, nem sempre, correspondem às regiões geográficas usadas oficialmente), Bahia e Espírito Santo; ocasionalmente, há importados, como o da Etiópia que acabou recentemente.

Entre eles, está o atual café campeão mineiro de concurso promovido pela Emater, o catuaí vermelho do Sítio Forquilha do Rio (Matas de Minas), além dos três primeiros colocados em outra competição, entre produtores do Cerrado. Os preços variam conforme os grãos escolhidos, começando em R$ 4,80 (expresso) e R$ 5 (coado). Entre os métodos de extração da bebida, estão Hario, Chemex, Clever, Aeropress, french press e Gino. Escolher, de fato, pode ser um dilema, mas há um quadro explicativo que facilita muito essa tarefa.

Isso para não falar das demais opções, o que inclui o clássico cappuccino (R$ 10) e o inusitado milkshake de café (R$ 15), passando pelo café coado com concentrado de limão capeta (R$ 6) e pelo cold brew (R$ 5), novidade gelada que vem ganhando adeptos pelo país: trata-se de café extraído sem água quente (é deixado em água fria por 12h), filtrado e servido num copo com gelo. Há quem goste de acrescentar limão a ele. Para comer, bolinho de banana com gotas de chocolate (R$ 6), pão de queijo (R$ 3) e queijo quente na chapa (R$ 8).

Além de lugares próximos ao balcão, há uma mesa coletiva na entrada, ao ar livre. “Muitos clientes gostam de ficar em pé, conversando com a gente. Ficam curiosos, querendo saber mais sobre café. Uns vêm para sentar, conversar. Outros, ficam trabalhando no computador. Até 19h30, chega bastante gente”, conta Júlia Fortini Souza, filha do proprietário, Bruno. Além de cafés moídos na hora para levar para casa (entre R$ 18 e R$ 42, pacote de 250g), há cursos sobre a bebida voltados para leigos e aspirantes a profissionais.


ONDE IR

A Pão de Queijaria

Rua Antônio de Albuquerque, 856, Savassi, (31) 3244-2738. Segunda a sábado e feriados, das 11h30 às 23h30.

Academia do Café
Rua Grão Pará, 1.024, Funcionários, (31) 3223-8565. Aberto de segunda a sexta, das 10h às 20h; sábado, das 10h às 16h.

Chá Comigo

Rua Leopoldina, 634, Santo Antônio, (31) 2555-7730. Aberto de segunda a sexta, das 15h às 22h.

Duo
Rua Felipe dos Santos, 451, loja 2, Lourdes, (31) 3275-0527. Aberto de segunda a quarta, das 10h às 19h30; quinta e sexta, das 10h às 20h; sáb., das 10h às 14h.

Kahlúa

Rua Guajajaras, 416, Centro. (31) 3222-5887. Aberto de segunda a sexta, das 8h às 21h30; sábado e feriado, das 10h às 21h.

Quitandarte

Rua Antônio de Albuquerque, 369, Savassi. (31) 9210-8452. Aberto de segunda a sexta, das 9h às 19h; sábado, das 10h às 15h.

 

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