Restaurante El Toro muda foco para cozinha 'latina'

Para proprietário, 'belo-horizontino quer novidade, mas não vai ao lugar se não for indicado por 100 pessoas de sua confiança. É um paradoxo'

por Eduardo Tristão Girão 04/03/2015 07:30

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Paula Huven/EM/D. A. Press
Fachada do El Toro (em novembro de 2014), que abriu como espanhol tradicional e agora serve petiscos 'latinos' (foto: Paula Huven/EM/D. A. Press)
A “maldição espanhola” volta a atacar em Belo Horizonte. Por motivo ainda desconhecido, casas especializadas na cozinha da Espanha dificilmente sobrevivem por aqui. A mais nova vítima é o recém-inaugurado El Toro, em Lourdes. Focado em tapas e pratos típicos, foi aberto em outubro passado. Apenas três meses depois, foi completamente reformulado. Sem deixar a paella fora do cardápio, a aposta agora é em petiscos “latinos”.

“Tinha planejado uma casa mais tradicional. Percebi que o belo-horizontino quer novidade, mas, se não for indicada por 100 pessoas da confiança dele, não vai ao lugar. É um paradoxo. Muitas pessoas entravam e perguntavam se era um restaurante mexicano, peruano. Além disso, não davam tanta importância a pratos tradicionais, queriam porções com ingredientes mais conhecidos. Daí, pensei nessa fusão latina”, conta o proprietário Matrud Bechara.

As mudanças foram definidas com o novo chef da casa, Kiki Ferrari, que passou pelos bares MeetMe e Mambo, ambos com influências latino-americanas na cozinha. “Trabalhamos com várias culinárias, é muito curioso. Não abandonamos a comida espanhola e colocamos mais carne vermelha no menu. É triste, pois esperávamos que os frutos do mar fossem bombar”, lamenta Bechara. Fora isso, deixou a fachada da casa mais colorida, incrementou a seção de bebidas e trouxe DJ, reforçando que ali existe um bar, não mais um restaurante. A mira está nos jovens.

CEVICHE Outro empresário do setor que lamenta não ter acertado o alvo é o experiente Gilson Júdice. À frente da pizzaria Marília e do japonês Kei, ele investiu alto no peruano Wari, que durou apenas dois anos (fechou as portas em 2014). Era um projeto ousado, baseado em três chefs trazidos do Peru, um deles vindo do renomado Astrid & Gastón, do chef Gastón Acurio. O empresário fez quatro viagens ao país vizinho para ter referências e selecionar os cozinheiros. Localizado no caro Bairro de Lourdes, o imóvel que o abrigou possui 600 metros quadrados.

“A cozinha de lá era a melhor entre os restaurantes que já tive. As pessoas sabiam o que encontrar no Vecchio Sogno e no Taste-Vin, mas não no Wari. Só conheciam ceviche, e isso contribuiu para não alavancar a casa. Chegamos a considerar incluir comida japonesa, mas achamos arriscado misturar. Além do que, era meu objetivo ter uma cozinha peruana autêntica. Teria dado certo, mas perturbaria meu restaurante japonês”, avalia Júdice.

Ele não revela valores, mas afirma que o investimento foi muito alto. No momento, diz não ter interesse em se arriscar em nenhuma outra tendência gastronômica. “É daqui para menos. Vou ficar quietinho, fazendo o meu dever de casa. O momento do Brasil não estimula muito. A gente não sabe o que vai acontecer. É pegar os restaurantes que tenho, trabalhá-los bem e fazer com que deem dinheiro, sem aumentar o preço”, resume.

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