Melhor chef mulher da Ásia, Vicky Lau conta histórias com seus pratos

Apaixonada pela roteirização de sabores, jovem de Hong Kong comanda um dos restaurantes mais premiados da China

por Laura Valente 22/02/2015 08:53

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Tate Dinning Room/Divulgação
(foto: Tate Dinning Room/Divulgação)
Esqueça a culinária chinesa tradicional: Vicky Lau elege temas diversos para convidar o comensal a viajar por meio de um menu degustação sazonal, composto por vários pratos que nem de longe lembram o yakisoba ou frango xadrez. Jovem de 34 anos, designer gráfico e cozinheira formada pela Le Cordon Bleu de Bancoc (Tailândia), ela se tornou conhecida e premiada criando receitas que funcionam como histórias, cujo enredo leva à descoberta de novas sensações. Por isso, o comensal torna-se protagonista.
EM/D.A Press
(foto: EM/D.A Press)

“Pensamos sobre sons, cheiros, cores que nos rodeiam em uma cena qualquer. Será que já estivemos lá antes? O que estávamos fazendo? Quais são as sensações que ancoram nossa representação da cena?”, descreve ela. Vencedora do Prêmio Veuve Clicquot Best Female Chef Asia 2015, estrelada no Michelin em 2013, 2014 e este ano, a chef, proprietária e responsável pela cozinha do Restaurante Tate Dining Room, localizado em Hong Kong (China), destaca como característica do seu trabalho o desejo de criar.

 

“Meu estilo é feminino, e criativo, com foco em contar histórias. Gosto de considerar meus pratos ‘histórias comestíveis’. Uso minha experiência em design gráfico para desenvolver um tema, uma narrativa ou um conceito, e, a partir daí, crio as receitas.” No site do Tate (www.tate.com.hk), é possível perceber outra característica de Vicky Lau, o esmero na apresentação dos pratos, que sempre trazem ingredientes comestíveis e decorativos como brotos e flores estrategicamente posicionados.


Com apenas 26 lugares, o restaurante sintetiza o estilo da chef, servindo uma mistura eclética de cozinha francesa e asiática em receitas de nomes sugestivos como cinco elementos (canapés), bonito (katsuo marinado, geléia de dashi e tomate confitado), inverno do mar (vieira, espuma de caranguejo, ostra e caviar, além de trufa preta), escultura de gelo (consomê de alcaçuz, kimchi em conserva, milho doce e fatia de língua de boi), ou o tofu de amêndoa com purê de pimentão vermelho (veja receita), entre outras. “Na minha concepção, cozinhar é uma mistura de arte, artesanato e ciência. O que me guia é a paixão de contar uma história. Portanto, o prato que melhor me define é aquele que incorpora todos esses fatores.”

Incomum

Segundo a Restaurant, publicação britânica especializada no universo gourmet, logo após a inauguração, em 2012, o Tate causou frisson em Hong Kong apresentando dois menus-degustação. Um de seis pratos, nomeado sensualista, e um de nove, chamado Gastronomia. “A habilidade e o talento artístico de Lau brilham nos pratos lindamente apresentados. Sua paixão criativa é evidente”, divulgou a organização do prêmio Best Femalle Ásia.

 

Também no site do Tate, um texto assinado por Lau e equipe procura definir o serviço do restaurante. “Chame de expressionismo culinário, de comida artística, do que quiser. Simplesmente, queremos expressar nossas paixões, emoções, pensamentos, imaginação e memórias por meio da alimentação e ver que tipo de resposta obtemos.”

 

Difícil imaginar que Vicky Lau descobriu a vocação para a gastronomia durante uma excursão de lazer ao Le Cordon Bleu, mas foi esse approach inusitado que despertou na jovem formada em comunicação gráfica na Universidade de Nova York, a paixão pela culinária. Já formada, a chef trabalhou no Cépage, restaurante em que ficou conhecida como um novo talento de Hong Kong.

 

Pouco depois, investiu no próprio negócio. “Sempre tento prestar atenção às estações do ano e usar os melhores ingredientes disponíveis. O que você coloca em um prato é tão importante quanto o que você deixar de fora”, diz. Entre as escolhas contumazes de lau, está a manteiga francesa. “ Trata-se de um produto de qualidade excepcional”, afirma.
Sobre ser eleita a melhor chef da Ásia, Lau demonstra o quanto gosta do que faz e a constante busca por perfeccionismo.

 

“Espero que a maioria dos clientes no Tate possa realmente sentir a paixão que tenho pelo meu trabalho. Do planejamento à execução, nos esforçamos para supervisionar cada detalhe e é isso que espero que seja destacado. Nunca tive a intenção de ser a melhor, só queria fazer o que eu amo”, declara. E também cita a disciplina oriental como degrau para o sucesso. “A cultura de trabalho em Hong Kong e na Ásia em geral é muito competitiva, o que nos inspira a buscar mais e mais, a produzir com a máxima qualidade.”

Tate Dinning Room/Divulgação
Tofu de amêndoa com purê de pimentão vermelho, receita de Vicky Lau (foto: Tate Dinning Room/Divulgação)
 

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