Considerado uma das sete maravilhas portuguesas, o queijo da Serra da Estrela merece a fama

Confira receita de arroz de queijo da Serra da Estrela

por Anna Marina 29/06/2014 14:23

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QUEIJO DA SERRA/DIVULGAÇÃO
(foto: QUEIJO DA SERRA/DIVULGAÇÃO)
A primeira vez em que fui descobrir Portugal, lá pelos anos 1960, fui apresentada a duas iguarias inigualáveis: o queijo da Serra da Estrela e o pêssego. Aprendi a apreciar as duas maravilhas, que não eram conhecidas por aqui. O queijo podia ser desfrutado em qualquer estação do ano, em qualquer restaurante de cidade portuguesa. O pêssego só era encontrado no fim da primavera e o cerimonial de tirar sua casca era apaixonante: o maitre trazia a fruta à mesa, num prato de sobremesa, cortava uma fatia no ponto de junção com o galho, enrolava para lá e para cá e puxava a casca inteira, deixando o pêssego aparecer cheiroso e suculento. O profissional do Hotel Ritz era o maior craque no truque – que tentei várias vezes imitar e não consegui.

O queijo aparecia nos fins das refeições e ninguém podia se furtar de apreciar a delícia, que não era conhecida por aqui. Segui seu sabor do norte a sul de Portugal e constatei um cuidado: era sempre servido bem amanteigado, para comer de colher. Aprendi que as melhores marcas eram as que cercavam a peça do queijo com uma faixa de algodão, para que ele não perdesse a forma por causa do amanteigado da massa.

Sucumbi totalmente à novidade e, na volta, consegui trazer na bagagem várias peças para apresentar a amigos. Naquele tempo era possível fazer essa graça, até que, nos últimos tempos, a alfândega resolveu proibir sua entrada no país, dentro de bagagens pessoais – e a razão não consigo entender. Minha paixão não foi a única. O rei inglês Eduardo VII, em visita a Portugal, levou de volta, em sua bagagem, apenas alguns queijos da serra, que adorou. Só sei que muitos apreciadores, como eu, tentam furar essa barreira. Quando não conseguem, preferem inutilizar o produto na frente dos sisudos fiscais. Nos últimos tempos, o queijo da serra pode ser encontrado em alguns endereços na capital - não são os de qualidade máxima, mas não envergonham ninguém. E até o preço, que era pouco abordável (quando ele só aparecia em São Paulo), está mais palatável.

Localização A história da iguaria não é nova, existe desde o século 12 e, em 2011, foi considerado uma das sete maravilhas gastronômicas de Portugal. Mas, anos atrás, sofreu as mesmas restrições do nosso queijo mineiro, por não ser certificado, que é onde a alfândega se apoia, para proibir sua entrada particular no país. Sua produção se limita a uma região demarcada na Serra da Estrela, que envolve cidades como Covilhã, Guarda, Cerorico da Beira e outras. Para quem gosta de viagens diferenciadas, vale a pena dar uma chegada à Covilhã, uma pequena cidade antiga na entrada da serra. Na sua praça central estão alguns cafés que servem também o presunto cru da região, uma loja de variado estoque (comprei lá um anel antigo de turmalina verde, muito bonito). A população local não passa de 35 mil habitantes. E, para quem viaja de carro, pode ser um desvio para Guarda, de onde se alcança a Espanha. De qualquer forma, a Serra da Estrela vale um desvio, principalmente quando sua topografia de altos e baixos está coberta pela neve, mas mantendo um pouco do campo verde onde as ovelhas são criadas.

Produção Duas espécies de ovelhas produzem o queijo: Serra da Estrela e Churra Mondegueira. Os rebanhos não recebem qualquer tipo de ração a não ser a natural, dos campos, por isso a produção do leite é baixa, compensada entretanto pelo alto teor de gordura. Os criadores levam os animais para pastar de manhã bem cedo e eles são recolhidos à noite. A produção é regulada pelo inverno e as ordenhas não devem ser misturadas. As mulheres da família produzem o queijo manualmente, e seu coalho é feito com flores de cardo. Depois que o leite coagula, é colocado sobre uma bancada, sobre um lenço de pano, para ser trabalhado manualmente. Depois, é colocado em bolsas de tecido, onde o excesso de soro é retirado. Sofre, mais uma drenagem, antes de ser enformado para a cura, que dura em média 60 dias, em barracões feitos de pedra, que mantêm a temperatura baixa. Por causa disso, o produto resiste algum tempo no freezer, de onde deve ser retirado na véspera de ser servido.

Tradição O queijo da Serra da Estrela é tão respeitado e tem produção tão pequena que raramente é usado em qualquer preparação, como ocorre com outras variedades. O ideal é levar a peça à mesa, com a casca cortada no centro, para caber uma colher, usada sempre para servi-lo. Torradinhas muito finas acompanham. Mas consegui, pesquisando, uma receita portuguesa onde ele entra como ingrediente principal.


Arroz de queijo da Serra da Estrela

Ingredientes


1 queijo da Serra da Estrela (com a casca fina inteira), arroz q.b, 1 cebola picada, 2 dentes de alho picado, fio de azeite, água quente no dobro do volume do arroz, 1 pitada de sal,
1 cabeça de alho poró, 1/2 chouriço.

Modo de fazer


Lavar o arroz e escorrer. Numa panela, aquecer o azeite e acrescentar a cebola e o alho. Fritar em fogo baixo. Acrescentar o arroz e fritar um pouco, mexendo sempre com a colher de pau. Acrescentar a água quente e o sal e mexer. Esperar que a água ferva, aí reduzir o fogo para o mínimo possível. Acrescentar por cima o alho poró cortado em rodelas finas e o chouriço em tiras pequenas. Tapar e deixar cozinhar por 10 minutos. Desligar e deixar cozinhar no vapor mais alguns minutos antes de usar. Colocar o queijo num pirex ou assadeira, rechear de imediato, calcando o arroz para preencher todos os espaços. Cobrir com a tampa do queijo. Se houver necessidade, levar ao forno bem quente por 1 ou 2 minutos. apenas.

*O arroz deve estar bem quente antes de ser colocado no queijo, assim irá derretê-lo. Depois, é só levar ao forno por 1 ou 2 minutos, não mais, para que o queijo não se desmanche, preenchendo todo o pirex.

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