Chá para beber e também para cozinhar

Casas especializadas provam que a bebida pode ser consumida sem moderação e usada como ingrediente em receitas

por Laura Valente 04/05/2014 15:15

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Em uma xícara de chá há mais do que imagina nossa vã filosofia: hábito literalmente milenar, o consumo da bebida versa sobre história, traz benefícios à saúde, representa a manutenção de costumes arraigados em diversas culturas e por aí vai.. Segundo uma lenda antiga, o chá tradicional (infusão de folhas das plantas camelliasinensis ou camelliaassamica) foi descoberto por acaso pelo imperador chinês ShenNung, conhecido com divino Agricultor, em meados de 2750 a.C. A partir dali, a fama da infusão que deu origem aos chá branco, verde e preto, espalhou-se pelo mundo, assim como seu consumo. Atualmente, no entanto, não só o original, mas inúmeras versões de chá (infusões de ervas, frutas e ou flores) são servidas quentes ou frias, puras ou misturadas em blends, e até mesmo como ingrediente de receitas culinárias. Tanto que casas especializadas têm contratado um profissional específico para cuidar da carta de chás: o teasommelier.

Patrícia Lion/Divulgação
(foto: Patrícia Lion/Divulgação)
Muito comuns na Europa e no Brasil de séculos passados, as casas de chá voltaram a aparecer por aqui. Uma delas é a Moncloa Tea Boutique, em São Paulo. Um dos sócios do empreendimento, Rodrigo Lopes, conta que importou a ideia da Espanha. “Moramos em Madri e na volta ao Brasil optamos por abrir uma butique de chá nos moldes europeus, visando a mesma experiência de consumo que há por lá, em que a bebida é supervalorizada e remete a um ritual de degustação.”

Para tanto, Rodrigo e os sócios investiram em uma carta diversificada com 36 sabores da bebida, investiram na oferta de acessórios que incrementam a degustação e contrataram a tea sommelière Thalita Ferronato, que criou receitas como o molho verano (veja modo de fazer na página) e o chai indian flavour, chá preto com especiarias e leite. “A história conta que quando o chá foi descoberto era explorado como tempero para sopas, caldos, e outros. No Tibete, o chá é degustado com manteiga, na Índia, com especiarias; no Japão, é utilizado para temperar peixes, molhos e outros ingredientes. Ou seja, está presente em várias culturas. No Brasil, aderir o chá à culinária pode ser ainda novidade, mas essa moda já está há muito em alta no Oriente”, frisa. Também segundo Lopes, o consumo da bebida durante o outono e o inverno é ainda mais indicada já que envolve benefícios à saúde. “Além do prazer de experimentar uma bebida quente e saborosa, auxilia no sistema imunológico, que pode ser afetado pela baixa temperatura”, lembra.

Cursos no exterior


A partir da ideia de montar a Teakettle, também em São Paulo, Sylvia Rodrigues buscou formação no Clube do Chá, de Buenos Aires (Argentina), e no Palais des Thès, de Paris (França). “Começamos com uma pequena sala especializada na produção de blends de chás terapêuticos, já que sou farmacêutica e teasommelière, mas logo mudamos para uma casa maior e diversificamos a proposta”, conta.

Atualmente, ela e a filha, a designer Ana Cláudia, servem bolos, sanduíches, macarons, tarte tatin e sorvetes para acompanhar a bebida, além de almoço harmonizado com chás. “Não inventamos a roda. Se procurarmos as receitas de nossas avós e mães, com certeza encontraremos delícias feitas à base da infusão de ervas e especiarias”, registra.

Entre os chás mais vendidos na Teakettle ela aponta o earl grey com aroma de bergamota. Já pela manhã, o breakfast tea tem bastante saída, e, entre os gelados, a vedete é o chá de romã com rosas e cranberry. Já o público jovem é fã do chá verde. Entre tantas opções, Sylvia destaca a sua preferida: “Aprecio demais o darjeeling, conhecido como champanhe dos chás”.

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