Reocupação do Edifício Maletta promove variedade gastronômica e cultural no Centro de BH

Movimento de retomada da programação noturna no prédio, que começou em 2009, reúne desde hamburgueria a espaços underground

por Eduardo Tristão Girão 18/04/2014 16:00

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André Hauck/Esp.EM/D. A Press
As varandas com vistas para edificações antigas do Centro de BH são atrativo à parte no Edifício Maletta (foto: André Hauck/Esp.EM/D. A Press)
Quase todo mundo já sabe do renascimento do Edifício Maletta. O local vem atraindo novo e grande público com bares alternativos que têm sido abertos desde 2010. Entretanto, engana-se quem acha que esse movimento está restrito às casas debruçadas sobre a atraente varanda voltada para a Rua da Bahia. Continuando o rolê para o outro lado, adentrando os corredores e até mesmo indo para a calçada, há várias outras casas, cada qual com sua proposta. De hamburgueria com ares de pub a espaços (realmente) underground, daqueles que fazem um hipster se sentir um mero playboy.

O prédio está em permanente mutação. Se no passado foi cenário de ebulição política e cultural, funcionando como ponto de encontro de artistas, escritores e boêmios, hoje reúne a juventude disposta a (re)colonizar o Centro, sedenta por novas propostas. Os novos "maletteiros" concordam: o marco dessa guinada foi a vinda da galeria de arte Quina, comandada por Rodrigo Furtini, para a varanda da Rua da Bahia, iniciando aglomeração informal de artistas e descolados em geral, em julho de 2009. A vista privilegiada para prédios antigos impressionou - e o aluguel saltou de R$ 300 para cerca de R$ 2 mil.

No ano seguinte, o argentino Santiago Calonga abriu a poucos metros dali o Arcangelo, o primeiro bar da retomada. "O aluguel era muito barato e, mesmo que não desse certo, não teria problema. Ninguém queria alugar loja para mim, pois achavam que eu iria falir. As casas que foram abertas depois se espelharam na minha. Não há uma estrutura formal de mobiliário, uniforme, mesas numeradas. É muito livre, sem classe social. É outra forma de se relacionar com o público", conta ele. O bar começou com três mesas e um sofá: hoje, são 25 mesas em duas lojas e talvez uma terceira seja alugada.

Nova chef, Aline Soares (ex-Dádiva), assumiu a cozinha do bar este mês e passou a preparar risotos variados (R$ 22, cada), somando-os a itens já tradicionais por lá, como as empanadas (feitas pela mãe de Calonga, Juanita; R$ 4,90, cada). Também conta com chef o Café Biografias, o segundo mais antigo do pedaço. Por enquanto é o italiano Mattia Martelli (ex-Pecatore), já que o titular do posto é trocado a cada três meses. Entre as especialidades estão o sanduíche de porchetta com muçarela e mostarda (R$ 16), os pratos do dia (para almoço) e os cafés, já que Rodrigo de Freitas, um dos proprietários, é barista.

"Quando eu ainda não havia conhecido o Maletta por dentro, tinha uma imagem horrível do prédio na cabeça. Depois de visitar o Arcangelo, vi que não tinha nada disso", confessa Freitas. Para seu sócio, Leonardo Cançado, a pluralidade é o grande atrativo do prédio: "Aqui há rotatividade muito grande. O custo era muito baixo, qualquer um vinha para cá. Uns quatro bares novos já fecharam as portas. O perfil do público é variado, muda de loja para loja. esse é o grande barato. Todo dia aparece gente perguntando sobre imóvel para alugar aqui".

Coqueteleira Aberto há um ano (e fora das varandas), o bar Nine recentemente voltou seu foco para o almoço, com prato do dia a R$ 12. De toda forma, continua funcionando à noite, quando serve coquetéis como o peppar alert (vodca de pimenta, licor de framboesa e suco de cranberry; R$ 16) e porções como a de pastéis com queijo e pimenta jalapeño; R$ 24, 12 unidades). "A vantagem daqui é o espaço, já que a varanda é mais apertada", diz Silvana Peixoto, uma das proprietárias.

São muitos os bares do Maletta que investem nos coquetéis, sendo o Dub uma das referências no assunto. São nada menos que 46 variedades, 36 recentemente acrescentadas ao cardápio e várias delas criadas pelo bartender Miguel Paes. Entre suas sugestões estão o rabbit heart (vodca de frutas, laranja, suco de cenoura e lima; R$ 18) e o rehab (uísque, suco de lichia, bitter, limão siciliano e shrub de morango; R$ 19). "Sempre tenho algo fora do cardápio e gosto de desafiar e ser desafiado pelo freguês", diz Paes.

Ocupando imóvel onde antes funcionava a Quina, a Objeteria foi aberta há um mês pelo designer de produto Thiago Guimarães. "Estava para abrir uma fábrica de bicicletas e brinquedos, mas meu sócio desistiu. Como tinha a grana e minha irmã foi dona do bar Gata Seca aqui no edifício, vim para cá", conta ele. Além de vender crepes (R$ 23 cada, em média), ele põe preço em peças que produz como cadeiras (há uma bem curiosa, feita com uma banheira cortada ao meio) e bonecos de toy art.
André Hauck/Esp.EM/D. A Press
Também os espaços internos do antigo prédio vêm sendo ocupados pelos bares (foto: André Hauck/Esp.EM/D. A Press)

Também há arte à venda no Piolho Nababo, que não é propriamente um bar, apesar de vender cerveja (entre R$ 4 e R$ 5, long neck) e cachaça (R$ 0,50). Comandado pelo grafiteiro e artista plástico Desali, o espaço mais alternativo do prédio foi aberto principalmente para expor obras de jovens artistas. Os interessados em comprá-las dão lances (livres) como num leilão e não havendo oferta maior num dado período de tempo, levam para casa. "Nosso objetivo é brincar com o mercado da arte e trabalhar a ideia de desapego", afirma Desali.

Hambúrguer Já consolidada como uma das melhores hamburguerias de BH, o Duke’n’Duke abriu as portas de sua primeira filial, semana passada, numa das lojas do Maletta que ficam na Avenida Augusto de Lima, mais precisamente onde funcionava o Bang Bang Burger - imóvel um tanto improvável. "Era nossa intenção crescer e enxergamos na cervejaria Wäls, dona do imóvel, parceira para isso", afirma Fred Garzon, um dos proprietários da casa. A marca fornece uma cerveja pale ale exclusiva, além de outros rótulos próprios.

O Centro não estava nos planos, confessa, mas a afinidade com o ponto foi imediata: "O Dub, por exemplo, tem drinques que não são baratos e são muito bons. Já a gente recebe clientes de todo tipo, que reconhecem nosso sanduíche como algo diferente. Fora isso, acho que há demanda reprimida na região para almoço e happy hour". Entre as novidades, está o donato (R$ 32,90, com batatas fritas): pão francês redondo, hambúrguer de carne seca, creme de mandioca, requeijão, cebola roxa, pimentão e pimenta dedo de moça.

ONDE IR

Ale Café
Varanda da Av. Augusto de Lima, sobreloja 10, (31) 3213-4442. Seg. a sáb., 17h/2h.

Arcangelo
Varanda da Rua da Bahia, sobrelojas 2 e 3, (31) 3273-1351. Ter. a sáb., 18h/0h.

Bar do Olÿmpio
Varanda da Av. Augusto de Lima, sobreloja 34, (31) 9444-9200. Qua. à sáb., 18h/2h.

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Sanduíche francesinha servido no Bar Biografias na sobreloja 8, na varanda da Rua da Bahia (foto: André Hauck/Esp.EM/D. A Press)

Café Biografias
Varanda da Rua da Bahia, sobreloja 8, (31) 3567-4651. Seg. a sex., 12h/15h e 17h/0h; sáb., 18h/0h.

Dub
Varanda da Rua da Bahia, sobreloja 5, (31) 3234-2405. Ter. a sáb., 18h/0h.

Duke’n’Duke
Av. Augusto de Lima, 245, (31) 3567-7570. Ter. a qui., 11h30/14h30 e 18h/0h; sex., 11h30/14h30 e 18h/2h; sáb., 12h30/2h; dom., 12h30/0h.

Gata Seca
Varanda da Av. Augusto de Lima, sobreloja 36, (31) 9984-0000. Ter. a sáb., 17h/1h.

Nine
2º andar, sobreloja 19, (31) 3024-9403. Seg. a qua., 11h/15h; qui. e sex., 11h/15h e 17h/0h; sáb., 17h/0h.

Objetoria
Varanda da Rua da Bahia, sobreloja 6, (31) 9111-3084. Seg. a sáb., 18h/0h.

Piolho Nababo

2º andar, sobreloja 52,
(31) 9782-2310. Qua. a sáb., 16h/1h.

Saideira
Varanda da Av. Augusto de Lima, sobreloja 28, (31) 9382-8781. Seg. a sáb., 17h/2h.

Edifício Maletta
: Av. Augusto de Lima, 245, Centro - entrada também pela Rua da Bahia. A portaria do edifício é fechada à 0h, mas quem já entrou pode permanecer até o fechamento de cada bar.

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