Quem reserva um lugar nesta casa saboreia pratos incríveis de um chef autoral

Autodidata da gastronomia, o Araujo é o chef residente da sua própria cozinha

por Marianna Rios 16/12/2013 14:54

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Gustavo Mendes/EM/D.A Press
(foto: Gustavo Mendes/EM/D.A Press)
Como o próprio nome já diz, Na casa do Araujo é uma casinha localizada numa charmosa vila no coração da Vila Mariana, em São Paulo, residência do músico, ator e publicitário Gustavo Araujo. Há dois anos, sempre nas noites de sexta feira, o Araujo recebe em sua casa e cozinha para cerca de 20 pessoas. No início, os convidados que vinham saciar a fome eram familiares e amigos. Passado algum tempo, a ideia se expandiu e agora a casa é frequentada por desconhecidos que têm algo em comum: desfrutar de boa comida, boa bebida, num lugar tranquilo e inusitado, fugindo um pouco da confusão da cidade de São Paulo.


Autodidata da gastronomia, o Araujo é o chef residente da sua própria cozinha. Porém, compartilha dela e constantemente realiza encontros com chefs convidados. A diversidade gastronômica oferecida na casa passa pelo funil da qualidade, do frescor dos produtos e da intimidade entre quem cozinha e quem come. Já houve de tudo um pouco: tailandês, vegetariano, italiano, português, brasileiro, e também aqueles pratos que não se sabe de onde vieram.
Nos últimos encontros, quase sempre a casa serve tapas, fingerfoods (“comida para comer com as mãos”), petiscos, ou seja lá como se prefira chamar; resultado de todo o conhecimento e experiência adquiridos pelo chef em suas andanças pelo Brasil, pela Europa, e da troca com as pessoas que ele encontrou pelo caminho.

Influências cotidianas Gustavo nunca estudou gastronomia na academia. Seu aprendizado sempre foi totalmente orgânico, por meio da relação com sua família, amigos e viagens. “Sempre gostei de realizar eventos na minha casa. Era quando eu cozinhava para meus convidados e eles traziam os bebês. Mais tarde é que percebi que tinha talento e podia tornar essa história profissional”, conta. Além disso, sempre usou a intuição para descobrir qual ingrediente combinava com o outro e, a partir disso, criar o seu cardápio. Claro que às vezes não dava certo. Admite que foi se aprofundando com base em muita prática e muitos testes.


A alegria dos encontros familiares ficou nas lembranças do chef. “ Minha família sempre se reuniu em volta da mesa, comendo, bebendo, conversando; e eu sempre fui muito observador. Então quando aos 17 anos vim para São Paulo morar sozinho, e estudar publicidade e propaganda, percebi que já sabia cozinhar, mesmo sem nunca ter praticado”, diz. Daí em diante foi uma questão de tempo para Gustavo descobrir o que gostava de cozinhar e comer. “Por essa relação, acredito que uma das melhores maneiras de amar é compartilhar da bebida e da comida com seus chegados. Aliás, essa é a proposta da Casa do Araujo!”, confessa.


Para o chef, é difícil falar da gastronomia brasileira, já que o país é tão grande e tão diverso. Cada estado, cada região tem a sua particularidade e, na sua visão, em São Paulo ela se expressa em seu ápice. “Em São Paulo, você encontra muitos lugares e muitos chefs (ou cozinheiros) que pesquisam as culturas gastronômicas regionais do Brasil e dão um toque de sofisticação, potencializando os sabores. Com isso não quero dizer que aqui você come melhor moqueca de arraia que numa favela da periferia de Fortaleza. Mesmo porque muda o clima, muda o hábitat, muda a matéria-prima. Mas, como hoje vivemos num mundo onde a imagem e a apresentação são muito consideradas, essa alta gastronomia acaba sendo um pouco supervalorizada, na minha opinião”, critica, ao comentar, com muito bom humor que espera não estar dando um tiro no pé.
Apesar de amar comida brasileira, o chef traz consigo influências de todos os lugares por onde passou. Espanha, Portugal, Itália, Argentina, grande parte do nordeste, enfim, o leitor perceberá pela receita que ele apresenta ao Degusta. Gustavo pensa em abrir seu bar-restaurante em breve. Inclusive, está em busca de um local adequado onde possa reproduzir a atmosfera dos encontros que ocorrem em sua casa – só que em um local público, aberto e acessível a todos, todos os dias.

 

 

Fraldinha de sol caseira e mandioca
grelhada na manteiga de garrafa
(porção individual)

Ingredientes

150g de fraldinha; 150g de mandioca; 50ml de manteiga de garrafa; 50g de cebola; 1 pimenta dedo-de-moça; sal; pimenta-do-reino; cheiro-verde

Modo de fazer

Para fazer a carne de sol, salgue bem a fraldinha e a deixe na geladeira por 2 dias, sempre retirando a água. Depois, lave bem a carne para retirar o excesso do sal, e a deixe de molho em água por cerca de duas horas. Cozinhe em água fervente por uma hora, ou até que fique bem macia. Corte a carne em tiras e em uma frigideira rasa grelhe a carne (fogo alto) com um pouco de manteiga de garrafa. Cozinhe a mandioca e amasse bem com um garfo para fazer o purê. Tempere com sal, manteiga e pimenta-do- reino à gosto. Achate o purê para virar uma espécie de placa com 1cm de altura. Reserve na geladeira até que o purê endureça. Depois disso, grelhe a placa de mandioca em uma frigideira rasa com um pouco de manteiga de garrafa. Decore o prato com a cebola cortada em rodelas finas, pimenta dedo-de-moça picada e cheiro verde.

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