Amplamente utilizada em todos os continentes, a hortelã é indispensável em qualquer cozinha

Numa refeição, a erva pode aparecer em entradas, como nas saladas e sopa

por Patrícia Crespo 18/11/2013 13:08

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Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Muito antes de a gastronomia conquistar definitivamente lugar de destaque na vida e na cultura brasileiras, certos sabores já faziam parte do nosso cotidiano. Cresci no interior, onde minha mãe e minha vó sempre fizeram questão de ter no quintal de suas casas uma pequena horta, na qual não podiam faltar a salsinha e a cebolinha para o tempero das comidas de sal e a hortelã para o chá que finalizava as refeições. Diariamente, tão logo o almoço era servido, a bebida começava a ser preparada. A infusão da erva perfumava todo o ambiente. Tomávamos chá de hortelãs frescas, colhidas minutos antes, sem açucar e bem morninho, que era como minha vó dizia que deveríamos tomá-lo para auxiliar a digestão. Mas que boa digestão que nada, para mim o sabor fresco e aromático da hortelã era o que contava.


Até pouco tempo atrás, a maioria das ervas só era usada para fins terapêuticos, para tratar disso e daquilo. Palmas para o movimento gastronômico que nos ensinou a utilizá-las no preparo dos pratos. Pesquisando em alguns livros sobre ervas, percebo que a hortelã, que é originária da Ásia, já era velha conhecida dos árabes, egípcios, gregos e romanos e que esses povos também começaram a apreciá-la não pelo seu sabor marcante, e sim pelas suas propriedades aromáticas e curativas. Lógico que os alimentos devem nos nutrir acima de tudo e a hortelã tem motivos de sobra para estar sempre presente nas geladeiras. Por ter diversas propriedades funcionais, é considerada planta medicinal, mas quando a utilizamos na culinária percebemos que ter sabor à mesa é mais fácil que imaginamos.


Não dá para pensar um quibe cru, assado ou frito, sem a presença da erva. Peças de cordeiro, grelhadas ou cozidas, conquistam o paladar se servidas com o tradicional molho de hortelã. Aliás, a culinária árabe foi quem popularizou o uso da erva como tempero. É impossível imaginar qualquer prato vindo daquelas bandas sem o toque da hortelã, nem que seja um simples raminho para decorar.


A planta é tão versátil que podemos utilizá-la tanto em bebidas quentes e frias como em drinques alcoólicos. Um suco de acabaxi com hortelã bem geladinho refresca até o pensamento. O que dizer então dos mojitos, de origem cubana, onde o rum é pilado com folhas de hortelã. O escritor americano Ernest Hemingway, exilado em Cuba por duas décadas, era fã incondicional do drinque e sorvia habitualmente vários copos da refrescante bebida em seu bar preferido em Havana, o Bodeguita del Médio.


Numa refeição, a hortelã pode aparecer em entradas, como nas saladas e sopas, pois harmoniza-se perfeitamente com legumes, vegetais folhosos e leguminosas em geral. Nos pratos principais, vai muito bem com carnes vermelhas e massas, e nas sobremesas sempre dá o charme pontual e o frescor necessário. Ao usar a erva procure sempre utilizar folhas frescas. A hortelã desidratada perde aroma e sabor. Na hora da compra, escolha os ramos com folhas bem verdes, íntegras e sem manchas. Como é um vegetal delicado, se for cortado com antecedência oxida e escurece. O ideal para preservar a cor, é picá-lo na hora de usar.


A advogada paulista, de descendência árabe, Fabiana Pinfildi nunca cozinhou profissionalmente, mas é no ambiente das panelas que ela relaxa da vida corrida e tumultuada. Fabiana diz que a hortelã é indispensável em suas experiências. Quem gosta de cozinhar tem que ter alguém para provar e de tanto as amigas de Fabiana pedirem suas receitas, ela tratou logo de disponibilizá-las num blog, o Figos e funghis, que tem feito um sucesso danado. A cozinha virtual da advogada cresceu e é acessada diariamente por centenas de leitores de diversas partes do mundo, inclusive por mim, que encontrei por lá uma receita inusistada, o quibe de batatas. Não leva trigo, é sempre servido frio e não precisa ser amassado com as mãos. Segundo Fabiana é simplesmente divino para almoços de verão. Ela gosta de prepará-lo quando faz o tradicional churrasco de domingo. Fiz, provei e aprovei.

 

 

Quibe de batatas

 

Ingredientes:

4 batatas grandes e bem lavadas com a casca1 cebola  média bem picada 4 dentes de alho ralados minuciosamente picados,
60ml de azeite extravirgemSuco de 1 limão, 1/2 xícara de hortelã fresca picada na hora. Pimenta moída na horaSal a gosto. Mais azeite para finalizar e ramos de hortelã para decorar

Modo de Preparo
 
Cozinhe as batatas em água abundante até que estejam macias – mas não desmanchando. Descasque as batatas e amasse–as ainda quentes. Em seguida, junte a cebola, o alho e tempere com o suco de limão, o azeite, o sal e a pimenta. Misture bem. Por fim acrescente a hortelã picada e misture novamente. Ajuste o sal e a pimenta se precisar e passe para uma tigela de servir. Alise a superfície e passe um garfo, para fazer a apresentação. Regue com uma porção de azeite, cubra com filme plástico e leve à geladeira por pelo menos 30 minutos. Sirva bem frio com um ramo de hortelã por cima, pães, torradas e o que mais desejar.

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