Jantar de abertura do 15º Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes será feito a quatro mãos

Abertura será neste terça-feira, no Restaurante Favorita

por Fernanda Machado 28/07/2013 17:25

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Leandro Couri/EM/D.A PRESS
(foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS)
A abertura da 15ª edição do Festival de cultura e gastronomia de Tiradentes será feito a quatro mãos, depois de amanhã, no Restaurante Favorita.  A partir do convite da organização, leia-se Rodrigo Ferraz, idealizador e diretor geral, e Alexandre Minardi, diretor de produção, os chefs Caetano Sobrinho, residente do restaurante, e Tânea Romão, proprietária e responsável pela cozinha do Kitanda Brasil, sediado na cidade do Campo das Vertentes, ficaram responsáveis pela elaboração e execução do cardápio.


Ao contrário de outras edições, em que a abertura da programação foi feita em locais públicos, como o Museu Inimá de Paula e o Palácio da Liberdade, a escolha de um restaurante para sediar o evento faz parte de uma decisão bem pensada. “No ano passado, o jantar foi realizado por 10 restaurantes de BH, simultaneamente. Nesta edição, objetivamos prestar uma homenagem ao A Favorita, um precursor da cidade em cozinha internacional e um restaurante que sempre teve a política de valorizar os chefs das novas gerações. Além disso, o jantar será elaborado a quatro mãos, o que corrobora o intercâmbio entre talentos das duas cidades, assim como ocorre nos festins, quando participam chefs de dois estados diferentes”, informou a organização.


Em parceria afinada, a dupla de chefs criou opções de coquetel, dois pratos principais e sobremesa. Para abrir o apetite dos cerca de 150 convidados esperados para o evento, Caetano e Tânea aceitaram um desafio: criar porções de receitas que representassem a culinária típica dos seis locais visitados pela segunda fase da Expedição Brasil Gastronômico. Assim, delícias de São Paulo, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal (Brasília) serviram de inspiração para a elaboração de porções no estilo finger food, como explica o chef do Favorita. “Serão pequenos pratos, bocadinhos, com ingredientes típicos de cada região: uma comidinha tipo coquetel.”


Tânea completa a fala, abordando a importância do projeto, que também serve de tema para a 15ª edição do festival. “Vivemos um momento de valorização dos nosso ingredientes, dos pequenos produtores, da agricultura e da culinária regional. E o Expedição Brasil Gastronômico surgiu dessa pesquisa, intercâmbio, trocas”, aponta. São exemplo de entradas do coquetel carne de sol com purê de pequi e polenta cremosa com ragu de costela.

Sabores de Minas Caetano lembra que a organização do Festival também queria imprimir um sotaque mineiro ao jantar, uma vez que o projeto tem a proposta nacional, mas nasceu e é sediado no seio das Gerais. Assim, a dupla privilegiou sabores da culinária local nas duas receitas de prato principal e também na sobremesa.


O primeiro deles é o fusilli com ragu de linguiça artesanal do interior de Minas com pangritata crocante (veja receita na página). “Desenvolvi um prato internacional, porém com um ingrediente típico. A linguiça é desenvolvida para nós com exclusividade”, afirma o chef. Para o segundo prato, Caetano usou um peixe de rio. “Será um risoto de surubim defumado, peixe que é nosso, com abobrinha-menina, outro produto muito comum nos quintais do interior”, descreve. Para a sobremesa, a dupla escolheu uma receita de origem inglesa, mas que acabou virando tradição em Nova Lima, graças à imigração. “Optamos pela queca, um tipo de bolo com calda quente de doce de leite e sorvete de baunilha.”


Na opinião de Tanêa, a culinária mineira é um tipo de resumo da brasileira, já que o estado pega características dos estados vizinhos e incorpora em suas tradições. “No Norte, na região de Pirapora, temos influência da cozinha baiana e do Espírito Santo, já que tem moqueca com coentro, mas sem dendê. No Triângulo, a galinhada leva pequi, uma influência de Goiás. A cozinha do Sul é a do Vale do Paraíba, de tropeiros.”


 Para a chef, em Tiradentes, este trabalho de pesquisa, resgate e valorização dessa culinária de raiz, do mato que nasce e cresce à toa e acaba na mesa como a serragem, a azedinha, o peixinho, tem sido muito intensa a partir do festival. “A brincadeira está aí: usar a técnica e o conhecimento da alta gastronomia para valorizar nossos ingredientes de sabor único. O que fazemos é vestí-los com roupa de festa e o festival é a oportunidade para divulgar esse trabalho, esse Brasil múltiplo”, conclui.

 

Fusilli bucatti com ragú
de linguiça e pangritata crocante

Caetano Sobrinho,
restaurante A Favorita

Ingredientes

Para seis porções: 500g de fusili bucatti, 1,5l de molho de tomates italianos, 1,5kg de linguiça artesanal de Minas Gerais,
2 cebola, cortadas em brunoise, 1 cabeça de alho cortada em brunoise, 2 unidades de alho-poró cortadas em brunoise,
400ml de vinho tinto, 250ml de azeite extra-virgem, 250g de farinha de panko, 1 bouquet garni, sal e pimenta-do-reino a gosto.

Modo de preparo

Retire a pele da linguiça e amasse a carne com a mão até que se desfaça.Refogue a carne da linguiça em 100ml de
azeite , e mexa até que se transforme em uma carne moída. Na mesma panela, refogue a cebola, o alho e o alho-poró. Acrescente o vinho tinto e refogue por três minutos. Em seguida, adicione o molho de tomates italianos. Adicione o bouquet
garni e deixe cozinhar por uma hora em fogo brando; se necessário, acrescente caldo de legumes ao molho. Para a pangritata, regue a farinha de panko com o restante do azeite e leve ao forno até que fique dourado. Sirva a massa e polvilhe a pangritata por cima.

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