Danielle Noce conta sua trajetória no site 'I could kill for dessert'

Jovem confeiteira, formada pela École Lenôtre, abandona a moda para se dedicar à arte de confeitar

por Marianna Rios 27/05/2013 09:25

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Paulo Cuenca/divulgação
Danielle Noce (foto: Paulo Cuenca/divulgação)
Danielle Noce tem 29 anos e nasceu em Brasília. Conta que se formou em desenho de moda pela Santa Marcelina – FASM e MBA em gestão do luxo pela FAAP. Também estudou teatro. Mas é na arte de confeitar que hoje investe parte de seu tempo. O restante é dedicado aos cursos, como o de pâtisserie e boulangerie na École Lenôtre, na França – uma das principais escolas de pâtisserie do mundo – e para onde foi de mala e cuia para morar em março de 2012 e aprender tudo da arte de confeitar com os maiores e mais renomados chefs franceses, como Christophe Felder, Philippe Rigollot, Gaetan Paris, Philip- pe Gobet, entre outros.


O que mais gosta de preparar são desde doces caseiros e simples, até receitas mais elaboradas, complicadas, que podem demorar dias para serem feitas. “Adoro desafios”, diz. Para ela, a confeitaria ainda é vista como algo secundário e menor no mundo da gastronomia. O que é uma pena, lamenta-se, fascinada com as histórias e as técnicas da área da gastronomia, na qual resolveu investir e atuar. Em 2011, Danielle criou o 'I could kill for dessert', um site que mostra toda a sua trajetória no mundo da confeitaria, desde o começo amador até sua ida à França. Hoje, mora em Paris e esta sempre em busca de novas descobertas e sabores.

 

E por que 'I could kill for dessert'? Porque eu realmente poderia matar por uma sobremesa! Não no sentido literal da palavra, mas eu faço tudo ao meu alcance por uma, até comer uma saladinha light para depois poder me acabar em um prato enorme de sobremesa, ou até duas pequenas dependendo do lugar, resume Danielle.


Ela explica que o 'I could kill for dessert' nasceu do prazer que sempre teve em fazer doces, de todos os tipos, jeitos, cores e tamanhos diferentes. “Comecei fazendo vários cursos de confeitaria (e ainda faço), e a juntar as receitas da mãe, tias, primas e outras, muitas outras”, revela. Idealizado para ser um grande manual não só de receitas e desenvolvimento, mas também um apanhado de segredos e dúvidas da confeitaria, os posts e vídeos do site estão sempre em construção.


Com uma linguagem dinâmica, os vídeos são feitos em locação real, e contam sempre com o apoio de outro personagem, o marido de Danielle, que participa com seus palpites e ajudas. A segunda temporada vai ao ar no dia 15 de outubro e será feita em Paris, de onde Danielle pretende mostrar a cultura e costumes gastronômicos.

Influência mineira Danielle quando criança ficava muito tempo com a cozinheira da casa, Zélia, pois sua e seu pai trabalhavam o dia inteiro. Zélia fazia a comida do dia a dia, mas a verdadeira paixão dela era trabalhar com o forno, fazer tortas, pãezinhos e bolos. “Assim, ela ia me ensinando a sua arte e no fim de semana, quando minha mãe cozinhava, eu sempre me nomeava a responsável por fazer as sobremesas que havia aprendido durante a semana”, relembra. Mas a vontade de se profissionalizar na área foi mais recente, há uns dois anos, porque queria mudar de vida e abrir uma confeitaria. Além disso, já morava em São Paulo há 10 anos e lá comia de tudo, desde coxinha de padaria e o sanduíche de pernil do Estadão, passando por restaurantes como Mocotó, confeitarias como a do Mosteiro de São Bento e jantares em restaurantes estrelados como o D.O.M. “Acredito que essa pluralidade de sabores, feitos cada um à sua maneira, foi atiçando cada vez mais minha curiosidade e a vontade de colocar a mão na massa de vez”, diz.


Parte da família de Danielle é mineira. “Cozinhar é um estilo de vida na minha casa. Cresci nesse ambiente onde todas as comemorações são celebradas em volta de uma mesa farta. Com certeza, isso influenciou muito a minha paixão por comida”, confessa. A chef pâtissarie não tem data definida para voltar ao Brasil, tudo depende de projetos e oportunidades que possam surgir na terra natal. Por enquanto, está aproveitando a temporada em Paris, aprendendo muito e acumulando referências e experiência. Segue especialmente para os leitores do Degusta uma receita da chef inspirada em Minas.

Paulo Cuenca/divulgação
(foto: Paulo Cuenca/divulgação)
Mineiro de botas
(porção para 4 pessoas)

l Ingredientes

2 bananas nanicas cortadas em rodelas; 1 colher de sopa de manteiga sem sal ; 4 rodelas de 2 milímetros de espessura de queijo de minas padrão ou queijo prato; 400g de goiabada; 1/2 cálice de conhaque para flambar as bananas.

l Modo de fazer

Pré-aqueça o forno a 180 graus. Separe quatro pequenas panelinhas ou ramequins (potinhos de porcelana próprios para ir ao forno). Use o diâmetro das panelinhas ou ramequins para medir e cortar as rodelas de queijo. Meça e corte as rodelas de queijo de minas padrão (ou queijo prato) e reserve. Em uma panela, derreta em fogo médio a manteiga e em seguida adicione as bananas. Deixe fritar por cerca de 10 minutos. Para flambar as bananas com segurança, faça o seguinte: coloque metade do conhaque na panela e a outra metade em uma concha. Retire a panela no fogo. Com muito cuidado, acenda um isqueiro ou fósforo e coloque o fogo primeiro na concha. Verta o líquido em chamas da concha na panela e espere até o fogo acabar para voltar a panela para o fogo. Deixe as bananas cozinharem por mais 5 minutos e apague o fogo. Reserve. Separe 100 gramas de goiabada por panelinha. Forre o fundo das panelinhas com duas colheres de sopa das bananas flambadas. Coloque 50 gramas de goiabada em cada panelinha, intercalando com mais duas colheres de banana flambada, e finalize com mais 50 gramas de goiabada em cada panelinha. Por fim, feche cada panelinha com uma rodela de queijo de minas. Leve ao forno por cerca de 20 minutos ou até que o topo esteja
bem douradinho.

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