Atelier Luciana Paulino é laboratório de experimentação de receitas

Alunos aprendem não apenas pintura, mas também a arte de fazer pães, nova paixão da professora

03/03/2013 09:43

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Leandro Couri/EM/DA Press
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


O cheiro de pão que acabou de ser assado é inconfundível e constitui uma das melhores lembranças que se pode ter ao longo da vida. Todos os dias, as alunas do Atelier Luciana Paulino podem apreciar o aroma que adentra as dependências onde elas pintam em porcelanas, azulejos, vidros e outros suportes. Tudo isso é possível porque, há dois anos, Luciana resolveu preparar por conta própria o lanche da turma de alunos. “Comecei a sovar os pães na mão. Agora tenho masseira e já desenvolvi até receitas”, diz. Luciana, mais do que uma admiradora de pães, virou pesquisadora sobre panificação e busca informações sobre diferentes tipos e técnicas de preparo.

De suas mãos sai uma variedade enorme que inclui brioche, pão integral com nozes e passas, panhoca integral, pão de ló, roscas de damasco com passas ao rum e ao chocolate. Luciana lembra que o pão é sagrado na dieta do brasileiro, embora não seja o prato principal de refeições como almoço e jantar, como ocorre em outros países. No entanto, a iguaria ocupa lugar nobre na cultura brasileira. Não se sabe ao certo a origem do pão, que aparece em momentos fundamentais ao longo da história da humanidade. Estima-se que possa ter surgido há 12 mil anos, na Mesopotâmia, onde se iniciou também o cultivo do trigo. Há milhares de anos, eram feitos de farinha misturada com o fruto do carvalho. Os primeiros eram achatados, duros, secos e muitos amargos.

A paixão de Luciana por pães vem desde a infância, quando ela se encantava com os quitutes feitos pela avó. “Ela preparava roscas de abóbora e mandioca. Fazer pão sempre foi algo misterioso. O processo de fermentação é encantador”, diz. Mas foi depois de ver o preparo de pães em um programa de gastronomia pela televisão que ela resolveu experimentar. “Vi um senhor fazendo pão na TV e me apaixonei.” Então, ela experimentou uma receita e não parou mais. Virou uma curiosa sobre panificação. Investiu em maquinário com a aquisição de dois fornos e uma masseira.

Atualmente, a cozinha bem- equipada e funcional funciona no mesmo espaço do atelier, de maneira que enquanto as técnicas de pintura são repassadas às alunas, os pães podem também ser preparados. “Procuro conciliar a arte da pintura com a arte da culinária. Os pães são servidos em porcelanas e xícaras pintadas pelas próprias alunas. O pessoal gosta bastante”, diz. O ateliê funciona há 12 anos e o público-alvo são mulheres. São oferecidos cursos regulares com aulas uma vez por semana, no período da manhã ou da tarde.

A massa começa a ser preparada pela manhã, para que, por volta das 12h, os pães estejam prontos para ser servidos. “Ao sentir o cheiro, as alunas sobem para o lanche”, diz. O pão predileto das alunas é o brioche, pão de origem francesa que é bastante leve. Ao pãozinho muito fofo, feito de farinha de trigo, manteiga e ovos, ela resolveu acrescentar o fubá e o queijo de Minas. A receita virou um sucesso e ela já recebe encomendas para preparar a iguaria não só para suas alunas. “Como o brioche é francês, queria dar um ar de mineiridade”, pontua.

O cuidado com a estética de cada uma das peças, copos, bandejas e outros itens de decoração também é uma preocupação no preparo dos pães. Luciana também prepara geleias, conservas de tomate seco, de modo que os lanches viraram uma atração, bem como um momento de degustação que encanta não só as alunas. A fama ultrapassou os limites do ateliê e muita gente faz encomendas dos quitutes.

Leandro Couri/EM/DA Press
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


Brioche mineiro

Ingredientes

350g de farinha de trigo, 150g de fubá, 100g de manteiga (temperatura ambiente), 2 ovos, 250ml de leite, 50g de açúcar (1/3 de xícara de chá), 1 colher (sobremesa) de sal, 100g de queijo curado ralado grosso, 8g de fermento biológico seco ou 1 ½ tablete de fermento fresco

Modo de fazer

Em uma tigela, misture a farinha, o fubá, o açúcar e o sal. Reserve. Amorne o leite e dissolva o fermento nele. Faça uma cova no centro da farinha e adicione o leite com o fermento e os ovos. Comece a sovar até obter uma massa lisa. Adicione, então, a manteiga e amasse até que a massa se torne lisa novamente. Coloque a massa em uma tigela grande, untada e tampe com um pano de prato até que ela cresça e dobre de volume. Assim que a massa dobrar de volume, sove mais um pouco para retirar o ar. Modele os pães e deixe dobrar de volume novamente. Pincele delicadamente com ovos batidos e salpique o queijo curado a gosto. Seja generoso com o queijo! Coloque nas formas untadas e enfarinhadas com farinha ou fubá. Asse a 170 graus por aproximadamente 35 a 40 minutos.

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