Da rapadura ao creme bruleé, sobremesas finalizam com sucesso as refeições

Aprenda a fazer uma deliciosa receita de Fragolata

17/02/2013 10:42

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Patrícia Crespo - Formada em jornalismo pela Puc-Minas e em gastronomia pela Estácio de Sá

Lenadro Curi/EM/DA Press
(foto: Lenadro Curi/EM/DA Press)

O gran finale de uma refeição tem sabor de tradição. Exemplo perfeito para mostrar os caminhos culturais trilhados pela história da nossa alimentação. Para chegar à sofisticação da gastronomia e da confeitaria da atualidade, muito mel e rapadura tivemos que comer. Mas uma coisa é inegável: um bolo, uma torta ou qualquer outro doce sempre pontuaram momentos felizes e prazerosos.

Dicionários da língua portuguesa definem sobremesa como “fruta, doce ou outra iguaria que se serve no final de uma refeição”. Em francês ou em inglês diz-se “dessert”. O termo tem origem no verbo “desservir”, que é o momento em que a mesa é retirada e a refeição se finaliza. Entretanto, a sobremesa é muito mais do que o último prato de uma refeição. Ela se traduz em um momento imensamente carregado de símbolos, de sentidos e de significações.

Segundo Pierre Hermé, em sua Larousse das sobremesas, o açucar possui um valor afetivo mais ou menos consciente, relacionado às lembranças da primeira infância, e já na Antiguidade as pessoas gostavam de terminar as refeições com um sabor doce na boca. Os romanos, e mais tarde os gauleses, regavam com mel e especiarias biscoistos feitos de farinha, que eram guarnecidos com frutas frescas ou secas. Os cruzados descobriram no Oriente a cana- de-açucar e o doce caniço tornou-se mercadoria preciosa e cobiçada entre os povos.

Nos banquetes medievais, para dar um descanso entre uma e outra comilança, os convivas se distraíam com espetáculos de dança, música, teatro e atividades ao ar livre. À mesa eram dispostas carnes, cereais, ensopados de legumes, pães, tortas, queijos, frutas secas e frescas e mel, entre outros alimentos. Tudo era consumido ao mesmo tempo, ao bel-prazer dos convidados, e muitas vezes comer uma fruta ou um pedaço de queijo depois de um salgado tinha a função de limpar o paladar e prepará-lo para os pratos seguintes.

Durante anos os nobres se alimentavam assim, misturando um pouco de tudo.Quando Catarina de Médicis desembarcou no porto francês de Marselha para se casar com o futuro rei Henrique II, no século 14, a culinária começou a tomar a forma como a conhecemos hoje. No dote de casamento que a italiana levou para a França havia livros de receitas e um séquito de cozinheiros. Além deles, a jovem apresentou à corte novos hábitos, como aceitar mulheres nos banquetes, comer com garfos e saborear a sobremesa apenas no final da refeição. O jornalista José Antônio Dias Lopes compara em seu livro A canja do Imperador, o impacto e a repercussão que das inovações assinadas pela rainha, como a introdução da minissaia, em 1966, pela inglesa Mary Quant. Graças a Catarina, a sobremesa passou a ser considerada parte importante, integrante e finalizadora de uma refeição completa.

Mas foi só no século 19 que a ideia de apresentar os pratos numa certa ordem foi aceita completamente, e os cozinheiros passaram a montar cardápios, sempre finalizando-os com o doce. Séculos se passaram e o repertório de sobremesas ampliou-se consideravelmente. Nos dias de hoje, o termo sobremesa designa uma gama variada de doces, bolos, tortas, biscoitos, frutas em calda, sorvetes e tantas outras incontáveis preparações que traduzem a criatividade dos mestres-cuca. Clássicas ou contemporâneas, as sobremesas dão o toque da arte e do sabor ao final da cardápio. Para celebrar essa conquista, a chef Ana Oliveira, do Clube Campestre de Belo Horizonte, nos ensina uma de suas receitas favoritas, que tratamos de reproduzir para nossos leitores.

RECEITA

Fragolata


Ingredientes

200g de morangos lavados e cortados em pedaços grandes
Suco de 2 limões, 200g de açucar, 200ml de creme de leite fresco

Modo de preparo

Numa vasilha, misture os morangos, o suco de limão e a metade
do açucar . Deixe essa mistura na geladeira por no mínimo 6 horas. Os morangos irão cozinhar com a acidez do limão. Bata o creme de leite com a outra metade do açucar em ponto de chantili. Monte taças intercalando os morangos com a calda que se formou durante o cozimento a frio, com colheradas de chantili. Decore com raminhos de hortelã.

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