Chefs revelam seus sabores prediletos para se livrar da melancolia

Livro de receitas para mulheres tristes do jornalista e escritor colombiano Héctor Abad, propõe cura para tristeza através da comida

por Rebeca Ramos 10/05/2012 15:28

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(foto: Divulgação)

Independentemente do local ou da cultura em que a mulher foi criada, o mise en scène das demonstrações de tristeza segue um roteiro de poucas variações. Algumas, mais dramáticas, recorrem ao pranto sofrido debulhado em lágrimas. Outras, tipicamente dengosas, fazem biquinho e recolhem-se em algum canto confortável. Um hábito salutar comum desses momentos é o de buscar na comida uma forma de acalanto. Doces, salgadas ou até mesmo amargas, empanturrar-se de saborosas receitas é costume cultivado ainda na infância.

Segundo o jornalista e escritor colombiano Héctor Abad, autor do Livro de receitas para mulheres tristes (Companhia das Letras), os bebês ganham os seios das mães para que não chorem de fome. Maiores, têm o doce transformado em moeda de troca para o cessar do choro e, dessa forma, esse hábito é estimulado. Mesmo cada um tendo um jeito de se livrar da tristeza, na opinião de Abad, o estômago e o humor estão tão relacionados como as uvas e os vinhos. Prova disso são as reuniões em volta da mesa, momento mais feliz do dia para ele: “Não há nada mais triste que uma comida ruim ou uma refeição arruinada por uma discussão”, diz.

Receita para curar a doença das palavras, retirado do Livro de receitas para mulheres tristes de Héctor Abad:


"Se um dia você adoecer de palavras, coisa que acontece com todo mundo, e ficar farta de ouvi-las, de dizê-las, se qualquer uma que escolher lhe parecer gasta, sem brilho, deficiente; se sentir náusea ao ouvir um “horrível” ou “divino” sobre qualquer assunto, não será com uma sopa de letras, claro, que vai se curar.


Deve fazer o seguinte: cozinhar um prato de espaguete al dente e temperá-lo com o molho mais simples — alho, azeite e pimenta vermelha. Sobre a massa já misturada a esses ingredientes, por mais que a etiqueta o condene, rale uma camada de queijo pecorino. Do lado direito do prato fundo cheio de espaguete assim temperado, ponha um livro aberto. Do lado esquerdo, ponha um livro aberto. À frente, um copo cheio de vinho tinto seco. Qualquer companhia não é recomendável. Vire ao acaso as páginas de ambos os livros, mas os dois deverão ser de poesia. Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras. Só a comida simples e essencial nus cura da saturação da gula."

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