Oroboro abre as portas em charmosa casa do Bairro da Serra

por Eduardo Tristão Girão 04/11/2011 07:00

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Pedro David/Esp.EM/D.A Press
Em seu novo restaurante, Rommel Couy aposta nos frutos do mar e nos peixes (foto: Pedro David/Esp.EM/D.A Press)
Numa época como a nossa, em que belas casas são derrubadas para ceder lugar a prédios, a abertura de restaurantes tem se revelado uma forma de preservar imóveis antigos. Nesse sentido, a recente transferência do restaurante Jerimum de Macacos, em Nova Lima, para o Bairro da Serra é duplamente louvável. Agora rebatizada como Oroboro (símbolo que encerra significados como eternidade e evolução), a casa não apenas conserva o aspecto físico da antiga residência, mas a sua história, na medida em que fotos, objetos e documentos dos antigos moradores fazem parte da decoração.

O dono da ideia é o belo-horizontino Rommel Couy, que inaugurou o restaurante em 1996 e manteve o cardápio praticamente inalterado em relação ao que era oferecido nos últimos meses. “Todo mundo achava que o Jerimum servia comida nordestina, embora nem trabalhe com carne vermelha. Queria um novo desafio, um restaurante que funcionasse à noite. Tinha de ser central, numa casa com jardim e estacionamento fácil”, conta ele.

Publicitário, Rommel tomou gosto pela cozinha quando morou na Holanda. Além de receber muitos amigos em casa, trabalhou em restaurantes e cafés por lá.

As obras duraram oito meses, sempre tendo como referência o projeto original do imóvel, construído em 1951. São 56 lugares em mesas de madeira, sendo 26 no quintal calçado com pedra portuguesa. As cadeiras na varanda repetem a disposição vista por Rommel numa antiga foto daquela residência. Nas paredes, além de velhas imagens em preto e branco, há croquis da casa, documentos e objetos que ajudam a contar a história de Deusdedith e Therezinha de Assis, que moraram lá por décadas. Ele era contador e pracinha (foi recrutado para lutar na Segunda Guerra Mundial); ela, dona de casa e compositora nas horas vagas.

Pedro David/Esp.EM/D.A Press
Arroz negro com lula e pesto de rúcula do Oroboro (foto: Pedro David/Esp.EM/D.A Press)
Continuidade

“Minha comida continua igual, com ênfase nos frutos do mar e no peixe, sempre sem carne vermelha, frituras ou enlatados. Muita especiaria, pouco sal e pouco óleo. Não é cozinha natural, as influências são asiáticas, mediterrâneas e brasileiras”, define Rommel. Não deixam dúvida disso pratos como o espaguete com lula ao curry verde tailandês (R$ 42, individual), o cuscuz marroquino com frutos do mar (R$ 48, individual) e o peito de frango ao molho de cogumelo com arroz branco e gergelim preto japonês (R$ 42, individual).

Nas sopas, o conceito é mantido: enquanto a jerimum (R$ 15, individual) leva abóbora, gengibre, coentro, especiarias e creme de leite, a galinha bangkok (R$ 15, individual) é uma espécie de canja, feita com peito de frango, curry verde tailandês, coentro, capim limão, especiarias e leite de coco. Entre as entradas, destaque para os pintxos à moda basca (torradas com abacate, aliche e alcaparra; R$ 22/10 unidades). A carta de vinhos tem 14 rótulos ( de R$ 43 a R$ 80); cerveja long neck sai a R$ 4.

Vale informar: os álbuns de fotos dos lugares que Rommel já visitou pelo mundo (atração da versão anterior do restaurante) ficaram em Macacos, mas os guias de viagens vieram para a nova casa e continuam à disposição dos fregueses. “Meu quintal daqui da Serra não deve nada ao de lá. Só não tem meu pavão de estimação”, garante ele.

OROBORO
Rua Monte Sião, 43, Serra. (31) 3547-7365. Aberto quinta e sexta, das 18h às 23h; sábado, das 12h às 23h; domingo, das 12h às 18h.

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