O acessório da vez : o laço de fita volta à cena fashion em leituras contemporâneas

Acessório destacado na moda há séculos, os laços chegam ao século 21 repaginados. Nas passarelas ou no cotidiano, a proposta ganha novos tecidos e dimensões e é explorada em variadas produções

por Laura Valente 09/08/2017 14:23

Patrick Kovarik/AFP
A grife Viktor and Rolf aposta no laço de fita em coleção apresentada na última Paris Fashion Week (foto: Patrick Kovarik/AFP)
Na era da revolução tecnológica, comércio eletrônico, tutoriais de estilo e afins, nunca foi tão fácil personalizar uma produção. No entanto, neste universo rico de possibilidades, um dos recursos de estilo mais antigos da história da moda volta à cena e tem sido destacado nas passarelas e nos looks trendsetters: o laço de fita.


Presente na indumentária da humanidade há séculos – até mesmo antes de o rei francês Luís XIV desfilar o acessório –, os laços chegam às temporadas atuais repaginados, tanto integrando a roupa em si quanto diferenciando calçados, bolsas, joias e penteados. Na mais recente temporada de alta-costura de Paris, por exemplo, as grifes Chanel, Elie Saab, Rodarte e Viktor and Rolf, entre outras, apostaram no filão. “Os laços são clássicos, sempre aparecem aqui e ali, mas acredito que essa febre recente em torno do acessório tem a ver com as simbologias que ele representa, como união, feminilidade e doçura. Estamos vivendo tempos difícieis e penso que há um desejo coletivo que aponta para o resgate de valores como a ternura, e a moda reflete esses anseios”, contextualiza Berta Bismarker, chapeleira e designer de acessórios. Além de trabalhar o design característico na produção de acessórios de cabeça para noivas (em que explora rendas, tules e outras matérias-primas), ela também o aplicou em recente coleção de bolsas, mais especificamente incrementando as alças do produto que será lançado em agosto. “A mulher que usa um laço na produção é romântica, e o mundo está precisando disso”, justifica.

 

 


Berta cita ainda o perfil democrático do acessório. “É possível incrementar o visual com um laço de seda em volta da gola de uma camisa, no chapéu, no cabelo, na joia ou bijuteria. No vestuário, ele pode estar ainda nas mangas, fechando um decote nas costas, diferenciando um punho. E isso em tecidos diversos, renda, gorgurão, cetim. Trata-se de um acessório presente em produções estéticas de povos e épocas diferentes, universal, e que pode ser explorado em diferentes tipos de desenho, dimensão, cor, detalhes”.

Especialista Definitivamente, os laços de fita estão no centro das atenções de Brígida Rossi Pessoa, proprietária da grife Laços da Bri. “Sou formada em arquitetura, mas nunca exerci de fato a profissão já que, antes mesmo da formatura, comecei a criar os acessórios e fundei a marca”, conta.

Patrick Kovarik/AFP
Em dimensão conceito, o laço de fita é destaque na cena fashion contemporânea (foto: Patrick Kovarik/AFP)
 


 O negócio surgiu quase por acaso, há 6 anos, a partir do pedido da irmã para que Brígida, habilidosa em produção manual, criasse alguns modelos para as sobrinhas, inspirados na oferta de produtos importados. Logo, conta ela, a propaganda boca a boca trouxe mais e mais clientes. Por um tempo, a oferta atendia apenas o público infantil. “Crio modelos em gorgurão, renda, veludo, ponto russo ou suiço (tecido de algodão bordado), organza trabalhada. Tanto para o dia a dia quanto para festas, casamentos. O diferencial fica por conta da seleção criteriosa de matérias-primas (muitas garimpadas em viagens internacionais e ou em pequenos armarinhos), das combinações e dos detalhes que coloco nas peças”, descreve.
Por meio de pesquisas de tendências para aplicar nos modelos, há algumas temporadas a designer começou a perceber o uso de laços de fita por criadores de grandes marcas de moda, e passou em investir também em modelos para o público adulto. “Louis Vuitton e Gucci exploraram bastante. Já me inspirei na grife Prada para criar um modelo. A Chanel também usa em colares, broches e tudo. E isso por que o laço é algo muito feminino, um acessório muito antigo e que permanece em alta por diferenciar um estilo, incrementar o visual”.


Para agradar aos públicos adulto e infantil, Brígida elege matéria-prima, formas e cores distintas na produção dos laços. Os suportes também são variados. “Costuro, colo, dobro e coloco as fitas sobre passador liso, com dente, em arcos, fivelas, gominhas, faxinha para neném. Para mulheres, prefiro criar modelos em veludo, gorgurão, cetim e organza, em cores mais básicas e neutras como rosa champanhe, preto, vinho, off-white, bege, nude, cinza, marinho e vermelho, que sai muito”.

Na beleza Sócia do salão Tif’s e especialista em beleza e visagismo, Ana Paula Assis destaca a tendência em penteados. “O laço de fita voltou nas últimas temporadas - e eu falo voltou porque já foi hit nos anos 1990 . Imediatamente adotamos, por que essa união de contemporaneidade com tradição é uma das nossas premissas. O design, que esteve presente em modelos Chanel, Marchesa, Tory Burch, Temperley London, Alexandre de Paris e de outras grifes, é lindo e feminino, valoriza a produção. Aqui, exploramos duas texturas distintas, o gorgurão e o veludo, que está com tudo”, avisa.


Entre os penteados que inspiram o uso do laço de fita, Ana sugere o coque baixo, preso ou semi preso, o half bun (meio rabo), o rabo de cavalo alto e “podrinho” (ou despenteado) - “este principalmente para mulheres mais jovens, por que tem um ar girlie. Já o coque baixo com laço de fita é clássico e fica lindo em mulheres de qualquer idade.”


No salão, ela conta que tem indicado o uso sem moderação. “A moda segue ciclos e o laço volta renovado, como um acessório fresh e jovem com toque vintage e romântico. E o melhor de tudo é que se trata de uma proposta acessível: qualquer pessoa pode comprar em um armarinho, na espessura que desejar.“

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