Pink millennial: abuse no figurino com a cor rosa neste inverno

Eleito o queridinho da geração millennial, o tom de rosa atual funciona como um catalizador de ideias caras ao século 21 como liberdade de expressão e restauração das relações de afeto

por Laura Valente 29/06/2017 12:59

Puma/divulgação
Puma lança coleção Fentyi, em parceria com Rihanna. (foto: Puma/divulgação)
Em tempos de conexão full time, a explosão do rosa millennial, cor que é um misto de salmão, blush e coral e tem sido explorada não só no universo da moda como também em arte, design e decoração, fala mais sobre comportamento que imagina nossa vã filosofia. “Eleito num primeiro momento pela geração millennial (os nascidos a partir da década de 1980 e crescidos em meio a grandes avanços tecnológicos), o tom ganhou fama como estandarte do conceito genderless (ou sem distinção de gênero), da fluidez sexual, dos movimentos relacionados ao feminismo, à flexibilização dos conceitos de masculinidade e à luta pelos direitos LGBT. Aborda ainda o desejo pela restauração das relações de afeto, amor, carinho e conforto que muitas vezes ficam em segundo plano na era da conectividade em que vivemos imersos em sistemas de interação virtual em detrimento do real ” resume Anita Resende, consultora de estilo e especialista no estudo das cores.


Se a carga política é forte, o apelo da cor também remete ao passado. Em parceria com a Puma, a diva pop Rihana criou Fenty, coleção apresentada na última edição da Paris Fashion Week em que a cor é a grande vedete. A inspiração, conta ela, é o romantismo francês do século 18, “como se a rainha Maria Antonieta em pessoa fosse escolher peças para vestir no cotidiano atual, para frequentar a academia”. Entre os modelos há calçados (chinelos, tênis e botas) e vestuário (cropped, tops, jaquetas, moletons e calças), tudo carregado da mistura de tecidos extravagantes e de detalhes icônicos como laços, babados, plissados (já à venda no Brasil).

 

Na crista da onda

 Fedra/divulgacao
(foto: Fedra/divulgacao)
 

Anita lembra ainda que o millennial pink remete à nostalgia, num resgate não só da estética dos anos 1980, 1990 e 2000, quanto do período entre guerras, de 1920 a 1940, quando a estilista Elsa Shiaparelli criou e eternizou o rosa shocking e as mulheres começaram a ousar nas cores do vestuário. “Definitivamente, o tom é o eleito deste inverno. Na produção, também faz sucesso por chamar a atenção para determinados pontos, passar sofisticação quando associada a outras cores e dar a impressão de alongar a silhueta”, setencia a consultora de estilo..


O matiz também é destaque no filme O grande hotel Budapeste, colorindo todo o edifício em que ocorre a trama no longa de Wes Anderson, de 2014, que retrata as mudanças na Europa a partir da década de 1920. Hoje, na decoração, disputa espaço com o verde grennery, eleito pela Pantone como a cor de 2017. “Antes, os tons de rosa eram usados por mulheres que queriam passar a ideia de doçura, meiguice. Hoje, a cor fala muito mais de emancipação. Essa mudança é ainda percebida como desejo de permanência da juventude, período em que se emana pensamentos alegres, criativos e

despretensiosos, em contraponto ao amadurecimento, em recusa a uma postura mais austera”, discorre a profissional.


Nas passarelas, grifes internacionais como Balenciaga, Céline e Valentino apostaram no tom nas coleções para o inverno 2018. Nas ruas, ícones de estilo como Twiggy, modelo dos anos 1960 que hoje está com 67 anos, tem a imagem viralizada na Internet quando usa peças na cor. Aqui, em BH, Arte Sacra, Cajo, Fátima Scofield e Luiza Barcelos, entre outras marcas, criaram modelos explorando o já famoso millennial pink. “A cor remete à leveza, à doçura e a boas recordações. Avalio o tom como chique e moderno, e acredito que está super em alta para casamentos diurnos ou destination weddings”. Concorda Carolina Maloy, diretora criativa da Arte Sacra, que aposta na cor para garantir leveza e um caráter romântico e minimalista à produção.

Canal A/divulgação
(foto: Canal A/divulgação)

No segmento calçados e acessórios, o tom também faz sucesso. Márcia Barcelos, da grife Luiza Barcelos, que o diga. “A cor vai bem tanto em modelos mais clássicos como escarpin, mules e meia-patas como em propostas atuais a exemplo de clutches, loafers, flatform, botas e oxfords. A matéria-prima envolve camurça e couro (também envernizado), em combinações inusitadas com materiais como cortiça, metalizados e couro de cobra. Na minha opinião, é um tom que deixa o visual descontraído de maneira sofisticada e atual”, define a designer.

 

 

Abuse da cor na temporada 

Segundo a consultora de estilo Anita Rezende, estilistas e designers ouvidas na reportagem, o millennial pink pode e deve ser usado sem restrições já que é um tom que carrega apelo cultural e emocional. A seguir, conheça como o tom pode incrementar o visual.

» Em acessórios ou em parte do look, funciona como pontos de luz

» Acompanhado de outras cores, transmite sofisticação

» Mais claro e em peças de cortes mais retos é contemporâneo

» Por conter pigmento azul (uma cor fria e tranquila), cria a ilusão óptica de alongar a silhueta

» O preto ajuda a dar peso ao visualMetalizados em geral caem muito bem com o rosa

» Combinado com vermelho ou laranja, passa a ideia de força, jovialidade e energia

» O tom pastel é bem acompanhado de azul-marinho, preto e marrom

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