O que será hit no verão? Minas Trend aponta algumas tendências. Confira!

Desfile de abertura da 20ª edição do salão de moda trouxe o cotidiano de uma grande cidade como tema. Na passarela, mix de coleções de grifes locais falam sobre as tribos urbanas e do lifestyle livre

por Laura Valente 10/04/2017 20:28

Marcos Vieira/EM
Mistura de propostas de estilo em um mesmo look (alfaiataria com esportivo, habillé com tênis, tecidos fluidos com encorpados, entre outros (foto: Marcos Vieira/EM)
“Minha tribo é o mundo”, diz na canção de mesmo nome o músico e ativista social Flávio Renegado, nascido e criado no Alto Vera Cruz, comunidade da Zona Leste de BH. Em carne e osso, ao vivo, ele assinou toda a trilha musical do desfile de abertura da 20ª edição da Minas Trend. Escolhido a dedo pela turma que comanda a produção do evento, as letras de gêneros como hip-hop e rap em tom de protesto caíram como uma luva na edição de moda proposta pelo stylist Paulo Martinez, que contempla peças de nada menos que 60 grifes mineiras.


Ali, a plateia pôde ver exposta uma necessidade quase visceral de falar sobre o cotidiano na urbe, destacando a plenos pulmões e em looks a pluralidade de estilos, tribos, gêneros e etnias que fazem das cidades grandes centros de diversidade. Ótima desculpa para quem ainda insiste na segregação e no preconceito cair na real. Ei, apesar da insistência de alguns retrógrados, fronteiras entre povos, culturas, classes sociais, sexualidade e tudo o mais nunca foram tão demodê.


Para sintetizar o discurso que pretende celebrar as diferenças tão presentes nas cidades, Martinez fez a edição de quase todos os looks basicamente na cor preta. “Quis representar mesmo o super urbano, a falta de tempo, o asfalto, as tribos, e também as atitudes cotidianas com modelos carregando elementos do dia a dia como pão, jornal, o skate ou o capacete da bike”, conta. Para evocar o dia e a noite, ele lançou mão de amarelo, azul e vermelho, tanto em detalhes e em toda a peça de roupa quanto em pinceladas da maquiagem, evocando preceitos da Bauhaus, escola alemã de artes e design que fez história ao versar sobre as três cores primárias e as formas econômicas e geométricas. “Falar de Bauhaus é falar de design, da arquitetura, do urbano, do simples e do complexo ao mesmo tempo”, discorre ele.

 

Mistura geral

 

Marcos Vieira/EM
Acessórios esportivos e urbanos: tênis, mochila, pochete, boné (foto: Marcos Vieira/EM)

Na passarela, o mix criado por Martinez a partir da produção das grifes mineiras para a primavera-verão 2018 revelou o que já vem sendo difundido pela moda no Brasil e no mundo: caem por terra os antigos (pré) conceitos com a tomada de consciência que aponta para a liberdade total. Assim, vale misturar alfaiataria a peças casuais, paetês e canutilhos são usados com tênis, o jeans é repaginado com rico trabalho em bordado, as transparências revelam não uma lingerie tradicional, mas tops e hot-pants perfeitos para malhar.


Na hora de montar a produção, esqueça ideias coordenadas demais ou estereótipos e abra possibilidades para experimentar o novo. Lance mão de sobreposições, brinque com volumes, subverta a ordem dia e noite, abuse do brilho e dos metalizados em qualquer circunstância. Nessa jornada, looks esportivos e confortáveis podem ser lidos como “o novo pretinho básico”, a modelagem é assimétrica, desconstruída, matérias-primas totalmente diferentes se misturam propositalmente, criando efeitos surpreendentes. Para ficar ainda mais fresh, dá-lhe meia arrastão, bonê, mochila e tênis (ou modelos de calçados mais robustos, como o oxford). “Vale tudo, desde que aquele desejo de moda seja parecido com você, com sua rotina e lifestyle”, reitera o libertador Paulo Martinez.

Marcos Vieira/EM
Brilhos e metalizados em vestuário e em acessórios (foto: Marcos Vieira/EM)

Ainda duvida? Prova de que este é um caminho fresco e sem volta vem das ruas, cuja dinâmica é traduzida em macrotendências que têm celebrado conceitos como genderless (ou sem gênero definido), atlheisure (esportiva) ou ageless (sem idade).


Depois de assistir à apresentação, fica o desejo para que a moda continue no tom de vanguarda,  que fale do preto, do branco, do índio, do muçulmano, do skatista, do nerd, do tatuado, do transexual, do não classificável, assumindo o papel de veículo de comunicação que agrega diferenças e faz pensar novas possibilidades. No tom da tolerância, da abertura, da convivência, do respeito à pluralidade, independentemente do estilo de cada um, sempre fascinante e necessária. Concorda?

 

Marcos Vieira/EM
Ao som de Flávio Renegado, Minas Trend apresentou uma moda pé no chão com a tomada de consciência que aponta para a liberdade total (foto: Marcos Vieira/EM)

Celebrando pluralidades, a passarela que comemorou os 10 anos da Minas Trend aponta algumas direções que prometem virar hit nas ruas na temporada primavera-verão’2018. Confira os top teen.

» Transparências revelando tops esportivos

» Mistura de propostas de estilo em um mesmo look (alfaiataria com esportivo, habillé com tênis, tecidos fluidos com encorpados, entre outros)

» Meia arrastão, com e sem meia esportiva

» Modelagem ampla, com e sem a cintura marcada

» Acessórios esportivos e urbanos: tênis, mochila, pochete, boné

» Jeans bordado, estampado, customizado

» Coletes longline (alongados)

»Visual agênero

» Brilhos e metalizados em vestuário e em acessórios

» Assimetrias

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