Dior: 70 anos de luxo e glamour na alta-costura

A história da moda internacional tem dois tempos: antes e depois de Christian Dior. O New look lançado por ele em 12 de fevereiro de 1947, depois de anos da privação do luxo provocada pela Segunda Grande Guerra, criou um grande contraste no vestuário feminino da época.

por Anna Marina 06/03/2017 15:39
"As mulheres, com seu instinto infalível, compreenderam que minha intenção era torná-las não apenas mais belas, mas também mais felizes".
 
A avaliação é do estilista Christian Dior, que ganha em Nova York uma exposição sobre sua trajetória que foi batizada de Homem do Século. Sua explosão no mutável mundo da moda se deu em 1947, quando, depois de uma guerra que, na Europa principalmente, privou as mulheres de toda possibilidade de usar roupas novas, lindas, luxuosas, criou o “tailleur bar”, um casaquinho bege acinturado, com uma cintura finíssima, ombros naturais, usado com uma saia preta plissada parando quase na altura dos tornozelos (30cm do chão). Luvas sapatos de salto alto e chapéu completavam o figurino impecável.
 

New Look
Tule, renda, flores e metros de tecido em modelo de 1950
 


Essa primeira coleção de tanto sucesso foi batizada de New Look pela redatora da revista Harper’s Bazaar jornalista Carmel Snow. Com essa imagem, estava definido o glamour e o padrão de elegância dos anos 50. Dior não era um reacionário, e durante o tempo que os alemães ficaram na França, chegou a criar indistintamente para mulheres de generais nazistas e para ricaças parisienses que continuavam no país. Nas sutilezas do setor, o tailleur bar acabou se transformando em um símbolo de todos os anseios de novidade da moda que a mulher carrega ao longo dos anos. Depois de passar uma temporada e tanto comemorando a queda o espartilho instituída pelas criações de Paul Poiret, elas estavam, de novo, valorizando o corpo em toda a sua feminilidade.
 

Quando Dior sacudiu o mundo com seu new look, os modelos fizeram um enorme contraste com a maneira de se vestir nos tempos de guerra e, por causa disso, provocaram muita controvérsia. Essa roupas de ombros estreitos, cintura bem marcada e saias acima dos tornozelos fizeram barulho. Na Inglaterra, onde as mulheres só podiam comprar roupas usando cupons de racionamento, a modelagem significava um monte de cupons impossível de se conseguir. E a avaliação foi de que o new look foi lançado num mundo incapaz de segui-lo – porque as mulheres não tinham dinheiro para comprar os modelos, tempo para usá-los e, nem força para suportar o peso dos tecidos usados em alguns modelos.
 
 
Mas com a novidade, Paris voltou a assumir brilhantemente a supremacia mundial do império da moda. Inglaterra e Estados Unidos receberam o new look com um certo despeito, aproveitando para caricaturar a novidade. Como é que esse tipo de roupa poderia ser usada por uma datilógrafa ou uma dona de casa? Para completar as dificuldades, o racionamento de tecidos só foi levantado em 1949. Como ninguém consegue dobrar cabeça de mulher quando se fixa numa roupa, dezenas de exemplares do new look foram vendidos.

Descobrindo a América Depois de se tornar conhecido pelo mundo, Dior foi para os Estados Unidos, a meca da prosperidade do Novo Mundo. Convidado pela Neiman Marcus, colossal loja de departamentos do Texas, ele atravessou o Atlântico para receber o Oscar da alta-costura. Descobriu esse mundo novo, onde foi recebido com as mesmas atenções dispensada às vedetes. Só que a cultura americana tinha, para ele, um grande defeito: o gosto pelo luxo, pela elegância impecável não era total. Dior se espanta também com as cópias grosseiras de suas criações, vendidas nas grandes lojas de departamentos. Então, decide criar coleções específicas para o mercado americano, comercializadas também na loja que abriu em Nova York. Foi a força do dólar que manteve os negócios da marca, também em Paris, cinco anos depois de ir para os Estados Unidos.
 
Tule, renda, flores e metros de tecido em modelo de 1950

Enquanto as mulheres aceitavam suas novas formas, Dior, voltou para a França e continuou a criar. Inquieto, sempre em busca de novidade, apresentou vários estilos de vestuário. Em 1951, criou a linha princesa, em 1954 a linha H, com busto alongado, e as linhas A e Y em 1957. Cada uma delas dava uma nova perspectiva ao corpo da mulher. As novas criações mostravam um talento destinado a subverter os padrões vigentes. Dior não era um reacionário, mas um artista de sensibilidade profunda, saber intuitivo e uma independência de visão que são a marca autêntica de um criador.
 
A moda feminina deve a ele um fato importante: o uso constante e a valorização do preto, uma cor que persiste na história da moda até os dias atuais. Além disso, introduziu nas suas coleções materiais decididamente masculinos, como o príncipe-de-gales, o pied-de-poule e tecidos com caimento capazes de esculpir drapeados suaves redondos – uma das suas especialidades.
 

Imortalizado por suas modelagens para o dia, exorcizando a penúria da guerra, ele elevou seu talento às criações de gala, com vestidos de festa que até dias de hoje são lembrados – e copiados – por sua exuberância, luxo e suntuosidade. Nas modelagens, muita musseline de seda, muita gase, renda, tule e organza, estampas e com bordados de rara beleza. Ousava tanto, e quebrava tantos padrões, gostava tanto de surpreender, que lançou, junto com seus suntuosos modelos para a noite, um que espantou a plateia: sua estampa de pantera (desfile de 1947) era a mesma que até hoje roda grifes e costureiras de bairro.

 
Dior, o homem
  

 
Christian Dior nasceu em 1905, em Granville, porto do Canal da Mancha onde, jovem ainda, revelou seu talento para a criação no carnaval realizado na cidade. Cedo revelou seu talento para a música e o desenho e foi enviado pelos pais, de classe média alta, para estudar em Paris. Nas horas de folga dos estudos, frequentava museus, galerias de arte e todos os locais onde a vida era bem levada. Apesar de sua vocação para as artes, seus pais o matricularam na Escola de Artes Políticas, de onde ele passou para a escola militar, onde esteve por dois anos. Criou logo uma roda de amigos, apesar de ser calmo, sossegado e por causa dos desenhos que fazia, tornou-se artista plástico, vendendo vários quadros na galeria de um amigo.
 
Correu muito atrás de trabalho, vivia como podia, até que, um dia, um amigo da área de alta-costura lhe propôs criar alguns croquis. Acertou em cheio e, a partir desse início, ele foi contratado para trabalhar como modelista no ateliê de Piguet. A guerra estourou, ele voltou a viver com os pais e, quando voltou a Paris, seu lugar já estava ocupado por outro. Foi então trabalhar com outro modelista, Lucien Lelong. Dior já estava com 40 anos e viu que estava na hora de se arrumar sozinho. Acontece então um fato importante: a sorte põe em seu caminho Marcel Boussac, o magnata dos tecidos, rico e famoso na Europa. Boussac se interessa por Dior e propõe financiar uma maison com o nome do estilista.

A época era de total penúria na França, mas a primeira coleção de Dior, desfilada em 12 de fevereiro, desmonta a plateia, que nunca tinha assistido nada igual: saias imensas, longas cinturas finas, busto valorizado. As convidadas, ainda usando saias curtas e justas, da guerra, ficam embasbacadas com o new look que está na passarela. Na sua história estão datas importantes, quando criou a linha H (1954), a Y (1955), os drapeados para a noite (1954-1955), a linha verticale (1950). Além disso, sua marca lançou vários perfumes, sapatos (com o estilista Roger Vivier), chapéus, e tudo que acrescentava luxo e estilo à mulher.
 

Dior, o mito

 
Celebrar os 100 anos de Christian Dior é celebrar ,na sua essência , a própria moda, que ele soube como poucos criar e eternizar. O mestre começou desenhando croquis, e aos poucos foi se apaixonando pela moda, porém só ficou conhecido mesmo quando abriu sua própria maison. A cada lançamento da sua “dior”, foi se firmando um estilo sofisticado, simples, e que fugia da moda até então em vigor: esse novo olhar dava à mulher uma liberdade de movimentos com cortes corretos e caimento impecável.
 
Seus aguardados desfiles criavam uma atmosfera sofisticada e glamourosa, que era tudo o que todos queriam num mundo pós-guerra, doidos para esquecer suas sequelas.Volumes colocados em lugares inesperados do corpo, laços gigantescos que viravam vestidos e sobressaias maravilhosas, mangas com cavas modeladas rente ao corpo, feitas para se encaixar com perfeição nos coletes, estolas, boleros e golas “fichu” combinavam com amplas saias em fartos tecidos que, sobrepostos, davam um resultado até então nunca visto no mundo da moda: Estava criado o estilo ‘anos 50’ e o famoso ‘New Look’.
 
Tailleur bar - que acendeu a chama em 1947
 
Drapeados misturados a tecidos estruturados e fluidos, sobreposições de plissados, cinturas marcadas, ancas e ombros em destaque , numa alfaiataria perfeita, tecidos preciosos como sedas, gabardines, crepes de chine, brocados, tules ricamente bordados, enchiam os olhos não só das consumidoras, mas da imprensa e de todos que ansiavam por novidades, e que acabariam por fixar para sempre, a imagem da marca.
 
 
A”Christian Dior”, após a prematura morte do seu criador , lançou e lança até hoje nomes importantes na moda , tais como: Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Galliano, etc. etc., e que já fizeram e fazem diversas interpretações  das suas criações, porém o mundo mudou e assim arrisco a imaginar que se dior ressuscitasse nos dias de hoje, iria recolher tudo e pedir para morrer de novo!!! moda atual virou uma “cesta básica”, sem conceito, com medo de criar o novo, (alimento importante para a moda caminhar), e sem criar novos desejos a moda acaba ficando sem emoção e com uma sensação de “déja vu” é claro que existem os novos talentos, são poucos mas são bons, porém como as “divas inspiradoras” foram substituídas pelas “celebridades”, o resultado fica morno (é dificil se inspirar numa“Kim Kardashian” ...) Porém, o mestre segue vivo na moda, suas criações são fontes de inspiração para diversos criadores de ontem e de hoje, desde o desconstrutivista Yohji Yamamoto , a minimalista Jil Sander e a moderna Prada e etc. etc. e etc;
 
 
 
Christian Dior ficará para sempre na memória de quem como eu, ama a moda. Valeu Dior suas lindas criações permanecem vivas e atuais.Parabéns, pois seu legado vai ficar não só por 70 anos, mas para todo o sempre.
 
 

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