Em alta: moda praia resgata estilo retrô

É o que várias marcas estão fazendo para levar um tempero retrô à moda praia, com o cuidado de manter a modernidade em tecidos e estampas. O retorno dos maiôs é uma das apostas

por Celina Aquino 17/01/2017 08:00

(Nidas) / (Pedro Loreto) / (Lenny Niemeyer) / (Tryia) Divulgação
(foto: (Nidas) / (Pedro Loreto) / (Lenny Niemeyer) / (Tryia) Divulgação )


Fio dental já era. As roupas de banho diminuíram tanto que agora seguem o caminho inverso: aumentam de tamanho a cada temporada. Ponto para a moda retrô, que vem ganhando espaço nas areias com uma modelagem bem mais generosa e outros detalhes que fazem referência a outros tempos. Basta uma volta na praia para observar que o maiô está de volta, enquanto as calcinhas de cintura alta, que ganharam o nome de hot pants, conquistam um número cada vez maior de mulheres.


A estilista da Prints Priscilla Pach não tem dúvida de que a moda retrô contagiou as brasileiras. Desde as magrinhas até as mais cheinhas, todas as clientes aprovam o conforto de peças que cobrem mais o corpo. “Quisemos dar um toque a mais de liberdade e originalidade a essa onda para que as meninas se sintam confiantes na praia”, destaca. A inspiração dela vem do estilo das pin ups dos anos 1950.


Um dos diferencias da etiqueta carioca é a aposta na técnica artesanal de tie dye, que não deixa de ter uma pegada retrô, pois se popularizou na época do movimento hippie. “Exploramos o tie dye com cores atuais e fazemos misturas para que as peças fiquem mais elegantes e menos chamativas. A ideia é que sejam body, e não apenas swimwear. Saiu da praia, você coloca um short ou uma calça pantalona e está pronta para o almoço”, acrescenta outra sócia da Prints, Isabela Damiano. Por acreditar que a modelagem retrô valoriza o corpo da mulher, a marca leva para as araras detalhes como cinto na altura do busto e decote canoa, sempre com uma veia contemporânea.


Para a consultora de moda e imagem Camila Godoi, roupas que trazem referências do passado são sucesso garantido. “Acho que a moda retrô exerce um fascínio nas mulheres porque, antigamente, as linhas eram mais limpas, femininas e clássicas. Tudo era feito para valorizar as formas do corpo”, analisa.


As hot pants até que demoraram para emplacar. Camila lembra que usava a calcinha de cintura alta apenas em editoriais de moda, mas não se arriscava a vesti-la. Agora, a consultora observa que a peça caiu no gosto das mulheres, assim como o maiô, que deixou de ser traje de banho para esconder as gordurinhas. “O modelo está sendo revisitado pelas marcas de moda praia, que deram jeito de criar peças desejáveis pelas magras. Daqui a pouco, a história de que maiô é para gordinha vai acabar”, avalia.


A estilista Lenny Niemeyer confirma que está sempre em busca de referências do passado a serem reeditadas com o fresh das novas tecnologias. “O estilo retrô é sofisticado e hoje temos lycras finas que permitem, por exemplo, fazer drapeados tipo Madame Grès (estilista francesa de alta-costura)”, destaca. Atualmente, a marca aposta em hot pants com cava mais baixa, como anos 1950, além de biquínis de laterais largas e sutiãs estruturados, que são a cara da onda retrô. Lenny adianta que, para o inverno, que será lançado em março, está desenhando peças de suas coleções dos anos 1980. Será uma reedição da combinação clássica de preto e off white, que definitivamente não sai de moda.

BABADOS De um jeito ou de outro, a onda retrô dá o ar da graça em criações da Ki&Co. “Gosto do antigo repaginado, que remete um pouco à alma e ao glamour de outras épocas, na essência da peça, como se tivesse uma história para contar”, justifica a estilista Kitty Saladini. Neste verão, a carioca se volta para os trajes das Goldwyn Girls, dançarinas que viraram atrizes e se destacaram em filmes norte-americanos das décadas de 1930 e 1940. Com isso, o ar vintage se evidencia em silhuetas mais generosas, tops com babados e calcinhas com modelagens mais quadradas. O decote bateau, mais conhecido como canoa, também faz referência à moda de tempos distantes, assim como a estampa de poá.


Duas décadas inspiram o verão da carioca Nidas: 1970 e 1990. Com isso, as peças de beachwear ganham charme com modelagem cigana, ombros à mostra e muitos babados. A estilista Paula Cox destaca na coleção maiôs que podem ser usados em um banho de mar ou em um passeio na cidade. Para ela, roupa de banho básica ficou para trás. “Antes, o intuito de comprar uma peça de moda praia era o bronze que ela deixaria, hoje a brasileira não se preocupa tanto com isso. Não só por um cuidado maior com o sol, mas também pela vontade de ousar um pouco mais”, pontua.

 

Posso usar?

As hot pants costumam gerar dúvida entre as mulheres. Habitualmente, toda peça de cintura alta favorece o corpo de quem tem tronco longo, o que não significa que as outras mulheres não possam usá-la. “É só comprar uma calcinha que não seja tão alta e não cobrir o umbigo para não passar a sensação de que ficou achatada”, ensina a consultora de moda e imagem Camila Godoi. O bom da hot pants é que ela tem uma modelagem que ajuda a segurar a barriga e coloca a cintura no lugar (o que não ocorre com uma calcinha muito baixa). Por isso é indicada para quem está acima do peso, e não está a fim de usar maiô. Na hora de escolher a roupa de banho, Camila orienta procurar um modelo que ajuste bem ao seu corpo. Pode parecer óbvio, mas não tente vestir um tamanho que não seja o seu, até pela questão do conforto. Em relação à parte de cima, lembre-se de escolher um bojo que garanta sustentação adequada para o tamanho do busto. “Para quem tem muito busto, o raciocínio é deixar o colo aparecendo com um decote V, por exemplo. Tomara que caia pode achatar os seios”, alerta.

 

 

 

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