Gaymada se firma como ato de luta

Equipe Herdeiras de Márcia Fu foi o campeão do torneio que já está em sua 10ª edição.

por Ivan Drummond 11/07/2016 08:44

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Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Paulo Filgueiras/EM/D.A Press (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Já uma das grandes atrações da Virada Cultural de BH, a Gaymada foi incorporada ao evento em 2014, mas a divertida competição já está em sua 10ª edição. O torneio arrastou um grande número de pessoas à Praça Rui Barbosa, ontem. Na verdade, o que se viu foi um movimento muito organizado e coeso, disposto a lutar não só pelos direitos do movimento LGBT na capital mineira, mas também contra a desigualdade e abusos de que são vítimas negros e mulheres.


Pacificamente eles vão chegando. Mãos dadas, homem com homem e mulher com mulher. Se cumprimentam sempre com beijos. São pacifistas. E a Gaymada é, na verdade, um motivo para uma grande festa, uma celebração de uma comunidade que vem cada vez mais conquistando espaço e respeito. “Esse evento nos permite trazer para o dia e mostrar para a cidade, aquelas pessoas que são vistas somente à noite”, diz Érika Hoffmann, de 30 anos, uma das organizadoras da Gaymada.


Logo vão chegando os “atletas”. A organização é tanta que existem times uniformizados, como o tricampeão do evento, Hoje Acordei Perfeita (HAP). Um dos integrantes do time é Branco Martins, de 25 anos, que chegou com um vestido plissado, em tom azul, purpurina na barba e muita maquiagem. Natural de Esmeraldas, conta história interessante: “Foi meu pai quem me trouxe aqui. Ele tem 70 anos, mas nunca se importou com a minha escolha. Nunca me questionou sobre isso. Ele se preocupa sim, que eu não chegue tarde em casa, que atenda os telefonemas. Mas o que sou, ele nunca questionou.”


Pois na hora de começar a disputa, Branco coloca a camiseta do HAP por cima do vestido e fica igual a seus companheiros e companheiras de time. Outra equipe uniformizada é a Herdeiras de Márcia Fu, nome escolhido por considerarem a ex-jogadora um ícone que serviria para apoiar o movimento. E cada um dos integrantes do time tem nas costas o nome de uma jogadora que já defendeu a Seleção Brasileira: Hilma, Ana Moser, Fernanda Doval, Fatão, Leila.


Os nomes dos personagens dessa história, na maioria das vezes são fictícios, ou seja, não são como foram batizados. Caso de Ronny Stevens, de 30, do time Toda Deseo, que participou no ano passado e repete a experiência este ano. Ele foi um dos primeiros a chegar e se trocou ali, na praça, colocando até cílios postiços.


O torneio foi um sucesso de animação, com o time Herdeiras de Márcia Fu se consagrando como campeão. No entanto, o público não aprovou a mudança de local do Parque Municipal para a Praça Rui Barbosa. “Antes, no Parque Municipal, era melhor para se ver, pois a quadra ficava num lugar rebaixado e as pessoas podiam ver o jogo com facilidade”, afirma um torcedor. Mas de todo jeito, a vibração era grande cada vez que alguém era queimado.

PS: O repórter Ivan Drummond tentou participar da Gaymada como árbitro das partidas, mas não foi possível. Não desta vez.

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