Peça que promove diálogo entre 'Hamlet' e 'Assim falava Zaratustra' estreia em BH

'Horror vacui Hamlet' é uma montagem é da Companhia Teatro Adulto

por Carolina Braga 22/04/2016 09:24

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A atriz e diretora Cynthia Paulino sempre fez questão de manter uma margem de segurança entre ela e a obra de William Shakespeare. Não que faltasse imaginação. Era medo mesmo. “Shakespeare é um mistério muito grande. As pessoas falam que ele escrevia para o povão, mas não é bem assim. Foi um cara muito ligado na questão mística, escreve nas entrelinhas”, afirma. Prestes a completar 47 anos, Cynthia decidiu que não há mais nada a temer.

Catarina Paulino/DIVULGAÇÃO
Luiz Arthur em cena de 'Horror vacui Hamlet', que será apresentada amanhã e domingo, no Teatro Marília (foto: Catarina Paulino/DIVULGAÇÃO)
Horror vacui Hamlet, nova montagem da Companhia Teatro Adulto, tem direção dela, com o parceiro Luiz Arthur na pele do príncipe da Dinamarca. Ele está acompanhado no palco de Ana Laura Justino, Bruna Sousa, Bruno Luiz, Gra Bohórquez, Gustavo Ramos, Luiz Drumond, Nina Valle, Pipa Cavalcanti, Rafael Claret, Samara Martuchelli, Thales Braga e Tomás Sarquis, 12 jovens atores, entre 21 e 33 anos, recém-formados na Escola de Teatro da PUC Minas.

O espetáculo, que estreia amanhã no Teatro Marília, foi adaptado pela diretora. Cynthia não economizou: juntou ao drama shakespeariano fragmentos de Assim falava Zaratustra, de Friedrich Nietzsche. Apenas.

CONVERSAS
Foi pelo menos um ano de pesquisa para o desenvolvimento de Horror Vacui Hamlet. Entre leituras teóricas sobre Shakespeare a partir de obras de Harold Bloom e Bárbara Heliodora e a filosofia do alemão, a diretora se deu conta de que Shakespeare e Nietzsche conversavam. “O tempo todo Hamlet tem medo de cair no vazio de significação da vida. Hoje observamos que é muito fácil viver morto por aí, né. Há uma vida que nos é imposta e isso pode te fazer uma pessoa vazia”, avalia.

Apaixonada por expressões em latim, a artista encontrou em Horror vacui a síntese do que desejava para o seu Hamlet: expressar tanto o horror pelo qual o personagem foi tomado como também o vazio existencial que precisa enfrentar. A estética em cena dá continuidade à pesquisa da diretora, com aposta no preto.

Desde 2013, Luiz Arthur não estrela uma montagem. Hamlet nunca foi um personagem perseguido por ele. A vontade de fazê-lo surgiu há cerca de dois anos. No final do ano passado, o ator participou de uma montagem com os alunos da Escola de Teatro da PUC. Horror vacui Hamlet é o desenvolvimento do projeto que nasceu dentro da escola.

“O tempo traz uma compreensão do alcance que a obra de Shakespeare tem, em especial o Hamlet. Foi uma necessidade que tive de levar para a cena”, comenta o ator. Para ele, a adaptação destaca uma compreensão mais filosófica do texto. A escolha da diretora fez com ele revisse compreensões viciadas que tinha em relação ao personagem.

DIRETORA E ATRIZ
Responsável pela direção de Horror vacui Hamlet, Cynthia Paulino se prepara para voltar ao palco como atriz. Em setembro, estreia no Teatro João Ceschiatti do Palácio das Artes o solo Coisas boas acontecem de repente. A peça é baseada em textos publicados no Instagram pela artista cearense Karine Alexandrino

 

Horror vacui Hamlet
Sábado e domingo, às 20h. No Teatro Marília. Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia, (31) 3277-6319. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 

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